Se alguém preocupava Aurélio – o empresário mais queridinho do momento – esse alguém tinha um metro e oitenta, cabelos armados num tom vermelho vivo e se chamava Dandara Sparks. Quando ela se juntava ao seu garoto prodígio, além de pagar os móveis de hotéis quebrados, haviam multas caríssimas de silêncio comprado pela visita de traficantes. Exato, por mais exuberante que fosse, sua influência não era la das melhores.
Ainda no corredor do seu andar, se desviava de calcinhas jogadas no chão, pares de sandálias, e até mesmo camisinhas usadas, só juntou a camiseta em que o menino usou na ultima seção de fotos – sorte sua que ganho bem pra isso – resmungou contrariado.
– Como está meu campeão? – Aurélio atravessa o quarto sem um aviso prévio. Sua face escurecesse quando nota o que acabara de interromper. A morena está atracada a boca, e a ruiva está atracada um pouco mais embaixo. Garrafas de champanhe, aperitivos não comidos e cocaína. Notou que já passara da hora de enviar Dandara pra qualquer outro buraco. – Porr.a Austin, que m***a está acontecendo aqui?
– Ménage a tróis – o homem responde se sentando com dificuldade, empurrando a ruiva pelos cabelos – estamos comemorando, tô na final cara, uh assim Dan.
– Hoje tem cessão de fotos, vão sortear a cidade final a qual vai sediar o evento. Você precisa levantar, entrar no macacão, pegar seu capacete e estar naquela sala em vinte minutos. – Frisa quando a morena envolve seus braços no pescoço do loiro fingindo beicinho. – Nem um minuto a mais.
– Vocês viram garotas, o dever me chama. Mas acho que consigo tomar banho em dez... então.
Aurélio não fica para apreciar o show. Fecha a porta e move o rosto em negação. Essas cenas eram comuns. E tanto faz, afinal do que ele poderia reclamar? Rafael Austin era o tricampeão de formula E, seguia invicto na competição. O homem é regrado e treinava feita louco, acreditava que não faria m*l gastar o tempo livre de sua agenda com mulheres, carros e bebidas.
Quando fez o convite pra ele a cinco anos atrás e de bom grado aceitou, a equipe inteira não podia imaginar que o resultado seria tão bom quanto foi. O cara entrava dentro de um carro e fazia das pistas sua casa. Corria até de olhos fechados se preciso fosse. O fato de ser um playboy com cara bonita, enfileirava as ofertas de p********a atrás de p********a, e no seu macacão já não sobrará espaço para patrocinadores. Todos querem arrancar um pedacinho mínimo que seja de Austin.
O menino com o passado escuro e intocado, agora era sua galinha dos ovos de ouro. As marcas guerreavam para que ele vestisse suas camiseta, ou andasse em seus carros, gel para cabelo, pasta de dente, ternos italianos, motos importadas... todo o tipo de publicidade ia transbordando sua conta bancária. Então ele não se importava com os brinquedos de Rafael até proporcionava bonecas das mais variadas etnias para sua cama.
Ninguém nesse mundo obtinha tanto controle sobre o campeão quanto ele. E se continuasse assim, tudo estaria bem.
Sorriu quando viu o homem atravessar o salão desacompanhado como sempre, em vinte minutos conforme combinado. Achava ótimo o fato de não associar sua imagem a de uma mulher, isso fazia com que os fã clubes continuassem lotados de garotas que pagariam qualquer coisa para a chance de por os olhos – e outras coisinhas mais – em cima do ídolo.
A mídia se posiciona, os microfones estão direcionados, as câmeras começam a disparar, os seguranças tomam seus lugares, para o manter longe de encrencas, a maioria delas do s**o oposto. Com um aceno de cabeça Aurélio da sinal para as perguntas que foram aprovadas pela assessoria de imprensa começassem.
Rafael abre o largo sorriso ao se sentar na cadeira principal do palco, ao lado dos dois segundos colocados Tob Mikel e Luiz River, cumprimentando-os com um aceno de cabeça e um sorriso de "te conto depois."
Dandara Sparks apareceu ao seu lado.
– Desculpa Aurélio, eu não aguentei. Juro que Rafael nem chegou perto da d***a, sério – tagarela rápido demais.
– Vou te mandar pra Londres.
– Não por favor, ele está me deixando entrar, quero ficar com ele.
– Não venha me dizer que está apaixonada Dandara.
– Claro que não – dá de ombros – você sabe o que eu quero, e prometeu me ajudar. Prometo me controlar.
– Reabilitação de novo, dessa vez vou me certificar de que você só volte quando estiver limpa.
– Se eu conseguir, vai me deixar voltar pra Rafael, sabe que ele não vai querer ficar longe novamente? Não sabe pai?
– Vá arrumar suas malas – a mulher bate os pés e cruza os braços ameaçando não sair do lugar –Agora. – E então ela se vira cheia de lágrimas nos olhos, por mais que negasse ele sabia a verdade. A filha estava apaixonada. E isso era um sério câncer que não estava disposto a tratar. Nem mesmo quimioterapia traria de volta o coração de Austin.
O loiro alinhava o boné com a logo do seu patrocinador na cabeça, pra conter os cabelos desgrenhados, não teve o tempo necessário para tomar um banho pois as meninas queriam finalizar o dia com chave de outro, seu macacão vermelho não fora usado, no lugar dele calças pretas e jaqueta de couro, ele gostava da combinação e se diferenciava dos outros.
As perguntas começaram com Tob, ele não se deu ao trabalho de prestar atenção, estava aleatório procurando algum rosto conhecido entre os jornalista. Como é mesmo o nome daquela loirinha que já fora pra sua cama duas vezes após pegar leve nas entrevista? Ele não conseguia lembrar.
– A pergunta agora é para Rafael Austin. – O repórter inicia. Seu microfone é ligado. – Primeiro gostaríamos de te parabenizar pois ninguém na história automobilística manteve o trono consecutivamente como você – um sorriso triunfante brinda as garotas suspirando e a gritaria por seu nome aumenta. – Bom, sabemos que está confiante ainda mais tendo a notícia de que o próxima turnê da fórmula E, será em Longine a sua cidade natal.
Como uma facada atravessando seu peito a noticia o abala. Seu sorriso largo vai diminuindo, engole a seco e aspira o ar discretamente. Aurélio lança um olhar mortal para o repórter que seria banido por trocar sua pergunta. Todos da equipe sabiam o quanto a cidade fazia m*l para o campeão e por mais que tivessem se esforçado o bastante e sabotando os lugares sorteadores, não dava para fazer sempre.
– Como é seu nome? – Rafael pergunta com a voz rouca entorpecida pela raiva, ele precisava gravar o nome do homem apenas para ter certeza de que jamais na vista ele faria qualquer outra entrevista na vida.
– Meu nome é Noah senhor – a mentira dita é notada pelo sorriso no fim da frase, usar um dos nomes que mais o afeta foi golpe ordinário. Ele olha os companheiros da bancada procurando saber qual dos dois é responsável. River tem um semblante alheio e Tob Mikel nunca se aproximará o bastante para saber o quanto esse nome o fere.
Uma coisa é certa Rafael Austin nunca fica por baixo, então jamais permitira que apertassem sua ferida e notassem as lágrimas que ele já não derrama mais.
– Então Noah – frisa o nome com sarcasmo –é uma honra pra mim manter o título, muito esforço, muito treino e dedicação. Como dizem pode ser até sorte, mesmo que eu não considere ter isso. Valeu por informar sobre Longine a minha tão querida cidade, não sei exatamente como estão as coisas que deixei por lá. Mas galera eu to voltando espero encontrar vocês em breve. – Com uma piscadela de olho a equipe encerra entrevista sem mais perguntas.
♣
– Meu pai vai me mandar pra reabilitação de novo – Dandara reclama, vestindo sua roupa após mais uma rodada de luta nua corporal, com seu melhor amigo.
– Você devia se empenhar mais dessa vez Dan, ele tá certo.
– Eu sei, bem no fundo eu sei disso... só que não quero ficar longe da cidade, vou perder toda a diversão. – O fato de Dandara ser a única no longo desses cinco anos que deitou em sua cama vezes incontáveis, é por ela se igualar a ele. Fria, calculista, não gosta das regras e não se apaixona. Não faz cobranças e nem liga no dia seguinte chorando ou gritando por atenção.
Ela tornou as coias tão fáceis pra ele, que nem se quer se dá o trabalho de tentar nada além do carnal.
– É o preço a ser pago, sabe que passei por isso não sabe?
– Como você conseguiu sair dessa sem medicamentos?
– Até hoje não sei, acho que colocar a vida no automático e seguir – fecha os olhos lembrando de quando a v*****e vinha junto com todas as cenas ruins, não sobrará nada. Foi quando a chance de correr profissionalmente apareceu em meio a um racha de carros, onde ele não dava a minima por sua vida. E agora era adorado por metade do mundo. E isso o mantinha desperto. Sempre gostou de atenção.
– Sabe quantas trepadas em potencial vou perder Rafa? Muitas. Os caras da cidade vão enlouquecer – gargalhou alto devido suas preocupações. Mas por dentro sentia-se m*l por ela. Sabia muito bem o que é sustentar um sorriso sem motivo.
– Você vai voltar, vai superar isso. Como sempre!
– Cara, espero que dessa vez você tenha razão – ela sobe na cama feito uma gatinha manhosa, deita em seu peito, e os dedos alisam os cabelos cor de fogo. – Eu to com medo Rafa, dessa vez é sério.
– Quantas vezes você se escondeu do perigo? Aguenta tudo Dan, vai aguentar isso também. E eu vou estar aqui sempre que precisar é só ligar e a gente troca uma ideia. Vem cá – esticou os braços para recebe-la, mas que contente com a oferta, se joga em seus braços.
– Você é o melhor amigo de f**a que eu poderia ter, o melhor – beija a bochecha e rouba um selinho. – Vamos aproveitar o tempo que temos então – caminhou os dedos pelo peitoral, insinuando que a segunda rodada estava por vir.
Rafael já estava pronto para continuar o trabalho, mas seu telefone tocou. Poucas pessoas tinham aquele número, apenas as importantes. Ele achou melhor atender e quando leu o nome no visor, empurrou Dandara para o lado sem se quer olha-la.
– Layla?
– Rafa. Ah que bom que atendeu. – A voz do outro lado da linha não perdeu o efeito sobre seu corpo, ainda o faz estagnar. – Fiquei sabendo que você vem pra Longine, estou feliz demais por isso. Vem conhecer as meninas dessa vez? Rafa?
O fato dela ter seguido não o feria, mas também não confortava. O homem pensou em negar a ideia dela, só que conhecendo a mulher como conhecia, sabia que não desistiria fácil. A cinco anos atrás ele escapou da cidade levando consigo apenas as cicatrizes que a vida lhe dera, e a deixou aos cuidados de Thor Telles. Sabia o quanto sua amada prima era protegida e vivia contente. Feliz, sem ele.
– Pois é, acho que você teve sorte. Em breve vai me ver novamente.
– Minha filha mais velha completará dezoito anos – Layla tinha vinte e oito, a garota foi adotada como uma maneira de fazer avançar nos planos como brincar de casinha, família feliz e comidinha. Ele nunca aprovou a ideia, mas também nunca pediram sua aprovação. – Queria muito que você estivesse aqui, ela esconde postres seus na gaveta.
Ótimo mas uma adolescente cheia de hormônios para ele aturar.
– Tem algo no mundo que eu não faria por você? – sorriu quando escutou o barulho de uma gargalhada do outro lado da linha.
– Vai ser a fantasia, não vale vir de anjo. – A brincadeira doeu no fundo da sua alma, seu apelido antigo não fora mais usado, sentia saudade do formato em que a boca dela se abria pra sussurrar seu nome. Apesar do tempo, apesar das mágoas e da raiva não conseguia esquecer Layla Gianini. Ela estará sempre sobre sua pele.
– Ótimo então, adoro festas a fantasias. Me diga uma coisa vai ter muitas garotinhas a solta? Talvez eu vá de lobo m*l.
– Não sei porque eu ainda me importo com você, seu bobo. Venha logo, se quiser um lugar pra ficar...
– Acha mesmo que eu iria pra sua casa? – gargalho.
– Acha mesmo que eu te convidaria? – silêncio. – Luana ofereceu a cabana, claro se você quiser.
– Diga ela pra ficar tranquila, prefiro hotéis. – O silêncio tripudiou.
– Se cuida Rafa, sabe como fico preocupada toda vez que entra num carro de corrida?
– Eu entro num carro de corrida todos os dias.
– Então todos os dias e preocupo com você – ele podia ouvir do outro lado da linha a voz de Telles – Ei amor cuidado com isso não pegue, é da mamãe – Layla falava agora – Rafa vou ter que desligar parece que minha caçula quer brincar com minhas maquiagens. Até logo.
O telefone desligou antes mesmo que ele pudesse dizer adeus.O seu doce nunca foi de esperar, ela fazia e acontecia, e quando bem entendia sumia para outros braços. E agora estava feliz, casada e com filhas. Filhas que ele não deu a ela, já o que os deles estavam a sete palmos do chão.
Fechou os olhos e tentou não lembrar. Precisava encher sua cabeça com qualquer outra coisa. Dandara já não estava aqui, o jeito seria sair a procurar de algo, ou alguém.
Não queria sorrir, a v*****e era de se derramar no travesseiro que nem um m*****s. Mas empurrou um sorriso para o espelho, enfiando os dedos cheios de gel no cabelo, arrumando o da melhor forma possível. – Vamos lá campeão, vamos jogar.
♣