o encontro

598 Words
O vento da cidade grande soprava diferente. Era mais frio, mais apressado… mais c***l. Ela sentia isso. Com uma mochila simples nas costas, calça jeans justa e uma blusa branca de manga, ela caminhava olhando tudo ao redor. Prédios enormes, carros passando rápido, pessoas que nem sequer se olhavam. Ela tinha acabado de chegar. Interior → cidade grande. Um mundo completamente novo. Respirou fundo, tentando esconder o nervosismo. — Vai dar certo… — murmurou para si mesma. Do outro lado da rua, ele observava tudo. Sentado em sua cadeira de rodas, cercado por seguranças discretos e seus filhos brincando próximos, ele parecia apenas mais um homem rico… vulnerável. Mas não era. Alto, forte, barba perfeitamente desenhada, cabelo castanho com um leve topete… e um olhar frio, calculista. Um homem que controlava tudo. Ou quase tudo. Porque naquele momento… ele estava fingindo. Anos atrás, o acidente tinha quase tirado seus movimentos. Quase. Mas depois de muito tratamento… ele voltou a andar. E ninguém sabia. Ele preferiu assim. A cadeira de rodas virou sua máscara. Uma forma de observar quem realmente estava ao seu lado… e quem só esperava sua queda. Família. Só de pensar, seu maxilar travava. Falsidade. Interesse. Traição. Ele já tinha visto de tudo. E continuava vendo. Até que— Um leve declive na calçada. A cadeira começou a se mover. Devagar… depois mais rápido. — Segura! — ele disse, baixo, tentando manter a postura. Mas a cadeira acelerou. — SEGURA! — chamou novamente, dessa vez mais firme, sem poder levantar… não ali. Os seguranças demoraram um segundo. Um segundo. Mas foi o suficiente. A cadeira desceu rápido demais. E foi quando— Ela apareceu. Sem perceber o que estava acontecendo, virou no momento exato em que a cadeira vinha em sua direção. — Meu Deus! Instintivamente, ela largou a mochila e segurou a cadeira com força. O impacto foi leve… mas suficiente para parar. Silêncio. Ela levantou o olhar. E então— Os olhos dele se encontrou com os olhos Verdes. Profundos. Vivos. Ele travou. Pela primeira vez em muito tempo… ele simplesmente não soube reagir. — Senhor… tá tudo bem? — ela perguntou, com a voz doce, levemente preocupada. Ele abriu a boca… Mas nenhuma palavra saiu. Porque naquele momento— Ele já sabia. Era ela. Ele não sabia o nome. Não sabia de onde vinha. Não sabia nada. Mas sabia. Ela sorriu de leve. Um sorriso simples… mas que desarmava qualquer um. — Tá tudo bem, senhor? E foi aí que os seguranças chegaram correndo. — Chefe! Eles se aproximaram rápido demais. Um deles esbarrou na cadeira. E tudo aconteceu em segundos. O corpo dele foi lançado para frente. Contra o dela. Os rostos ficaram próximos. Próximos demais. E então— Um beijo. Rápido. Inesperado. Explosivo. Ela arregalou os olhos. O mundo pareceu parar. E no segundo seguinte— PÁ! O som ecoou. O tapa foi certeiro. Ele virou o rosto com o impacto. Ela deu um passo para trás, completamente indignada. — Seu… abusado! Pegou a mochila rapidamente. — Você acha que pode sair beijando as pessoas assim?! Ele ainda estava com a mão no rosto. Mas… Ele estava sorrindo. Um sorriso verdadeiro. Raro. Os seguranças ficaram em choque. — Chefe… você tá bem? — um deles perguntou, incrédulo. Outro completou, quase rindo: — É a primeira vez que uma mulher te bate… Ele não tirou os olhos dela. Mesmo enquanto ela se afastava, irritada, indo embora sem olhar para trás. — Eu quero saber tudo sobre ela. A voz saiu baixa. Fria. Decidida. Perigosa. Mas o brilho nos olhos… Era completamente diferente.
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