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A duquesa do norte

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A Duquesa do Norte é um romance histórico intenso e emocional que mergulha nos silêncios do amor não correspondido, nos deveres impostos pelo poder e nos segredos capazes de mudar destinos. Ligada por contrato a um duque frio e impenetrável, uma jovem duquesa é descartada ao fim do casamento político, sem que ele jamais saiba que ela carrega em seu ventre o herdeiro do Norte. Escondida nas sombras da cidade, entre a dor e a esperança, ela luta para sobreviver enquanto o passado começa a cobrar seu preço. Uma história sobre perdas, escolhas tardias e um amor que pode despertar quando já parece tarde demais.

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Capítulo I — O Inverno Que Nunca Terminou
Durante dois anos, você carregou o título de Duquesa do Norte como quem carrega uma coroa de gelo. Ligada a Theodor Alaric von Rosenwald por contrato, não por amor. Desde o primeiro dia no castelo de pedra n***a, envolto por montanhas eternamente cobertas de neve, você soube: ele jamais seria um homem fácil de alcançar. Theodor era silêncio, postura rígida, olhos frios como o aço de sua armadura. Um duque moldado pela guerra, pela perda, pela desconfiança. E ainda assim… você tentou. Tentou com palavras suaves durante os jantares formais. — O inverno parece mais brando este ano — você dizia, buscando qualquer fresta. Ele apenas assentia, os olhos fixos no cálice de vinho. — Talvez seja impressão sua, minha senhora. Tentou com pequenos gestos — um manto colocado sobre seus ombros quando o vento cortava os corredores, uma mão que hesitava perto da dele ao caminhar lado a lado. Ele nunca se afastava bruscamente. Mas nunca permitia que você atravessasse suas muralhas. À noite, quando o castelo dormia, você chorava em silêncio, com a mão sobre o peito, perguntando-se quando aquele casamento deixaria de ser apenas um dever político. Nunca deixou. E então, quando o contrato chegou ao fim, ele a chamou ao salão principal. O fogo ardia na lareira, lançando sombras longas pelas paredes de pedra. Theodor estava em pé, de costas para você. — Está tudo resolvido — disse ele, sem rodeios. — Você está livre. Livre. A palavra caiu como uma lâmina. — Livre… — você repetiu, a voz baixa. — É só isso? Ele se virou devagar, o rosto impassível. — Cumprimos o acordo. Não há mais nada que nos prenda. Você esperou. Por arrependimento. Por dúvida. Por qualquer coisa. Nada veio. — Então… adeus, meu senhor — você disse, inclinando levemente a cabeça. Ele apenas respondeu: — Que os deuses a acompanhem. E assim, como se sua presença nunca tivesse importado, você deixou o castelo. ⸻ Na corte, espalharam que você retornara à sua pátria distante. Mas a verdade era outra. Você se escondeu nas periferias da cidade, longe dos olhares curiosos, longe dele. Em uma casa simples, de paredes frias, onde o vento assobiava pelas frestas e a solidão era companhia constante. Dilacerada entre a dor e o silêncio, você aprendeu a sobreviver. E a guardar um segredo. Quando deixou o castelo, você não estava sozinha. Carregava em seu ventre o filho do Duque do Norte. Um herdeiro que ele jamais soube existir. ⸻ Dias depois, caminhava sozinha pelas ruas silenciosas, o manto pesado cobrindo o corpo já sensível ao frio. A neve caía lentamente, tocando sua luva antes de derreter. Seus passos eram leves… mas trêmulos. — Agora acabou de verdade, não é? — você sussurrou para ninguém, observando a neve se desfazer contra o couro escuro da luva. Uma mão repousou instintivamente sobre o ventre ainda discreto. — Mas eu não estou sozinha… — murmurou, com um fio de voz. Dentro de você, dois corações batiam. Um deles, herdeiro do homem que a rejeitara. ⸻ Enquanto isso, no castelo, Theodor começou a sentir o silêncio de forma diferente. Os corredores pareciam mais frios. As noites, mais longas. Ele se pegava olhando para a cadeira vazia à mesa, para o lugar onde você costumava ficar em silêncio, observando-o como se ele fosse o único mundo possível. — Por que isso me incomoda? — murmurou certa noite, fechando o punho com força. Ele não sabia. Ainda não. Mas o inverno que ele acreditava dominar estava prestes a devolver tudo o que ele havia n****o. Inclusive você. E o filho que carregava o sangue do Norte.

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