Capítulo 7

1073 Words
Narrado por Christian Junqueira O dia estava uma merda. Desde a primeira reunião da manhã, eu já queria socar alguém. Rodolfo, aquele i*****l, passou metade do tempo tentando provar que era mais inteligente do que realmente é. No fim, ele só conseguiu me irritar. E agora, eu estava preso no trânsito infernal de São Paulo, pensando se chegaria em casa antes do jantar ou se teria que pedir para Anastácia guardar um prato pra mim. Passei a mão pelo rosto, exausto. Os últimos dias com Christopher tinham sido… bem legais, ele ainda era fechado, ainda não confiava totalmente em mim, mas… algo parecia estar mudando. Ontem, ele aceitou que eu ficasse na praça vendo ele andar de skate. Hoje de manhã, ele não me mandou ir pro inferno quando perguntei como tinha sido o dia na escola. Era pouco. Mas para um garoto que passou 13 anos me vendo como um fantasma, já era um começo. O celular vibrou no painel. Olhei rapidamente e vi uma mensagem de Anastácia. Anastácia: Chris chegou estranho da escola hoje. Tá trancado no quarto. Acho que alguma coisa aconteceu. Meu corpo ficou tenso. Parei no primeiro retorno e acelerei de volta para casa. Quando entrei, Anastácia estava na cozinha, mordendo o lábio, claramente preocupada. — O que aconteceu? — perguntei, largando a maleta. Ela suspirou. — Eu não sei. Ele chegou mais quieto que o normal. E, convenhamos, ele já não é muito falante. Subiu direto pro quarto e não quis jantar. Minha mandíbula se contraiu. — Ele disse alguma coisa? — Nada. Subi as escadas e bati na porta do quarto dele. — Christopher. Nenhuma resposta. Bati de novo. — Pequeno Lobo, abre essa porta. Silêncio. Respirei fundo e girei a maçaneta. Trancado. O que diabos estava acontecendo? Fiquei ali por alguns segundos, debatendo o que fazer. No fim, me afastei um pouco e falei: — Tudo bem. Não vou forçar nada. Mas se quiser conversar… eu tô aqui. Nada. Desci de volta para a cozinha, frustrado. Anastácia me olhou, esperando uma resposta. — Ele não quer falar — resumi. Ela suspirou. — Você acha que é algo sério? — Não sei. Mas vou descobrir. E se alguém tivesse machucado meu filho… essa pessoa ia se arrepender amargamente. As horas passou e Christopher continuava trancado no quarto. Tentei não surtar com isso. Afinal, ele era um adolescente. Adolescente tem dias ruins. Mas algo em mim dizia que não era só isso. Depois do jantar, fiquei sentado na sala, olhando para a escada, esperando que ele descesse. Não desceu. Anastácia veio e sentou ao meu lado. — Você está inquieto. Passei as mãos pelo rosto. — Eu não gosto de ver ele assim. — Ele não tá acostumado a dividir as coisas, Chris. Você sabe disso. — Mas eu sou o pai dele, p***a! Minha voz saiu mais alta do que eu queria. Anastácia pegou minha mão, tentando me acalmar. — Eu sei. E ele também sabe. Mas não dá pra consertar tudo de uma vez. Suspirei. Ela estava certa. Mas isso não tornava mais fácil. — Vou tentar de novo. Subi as escadas e parei diante da porta do quarto dele. Respirei fundo e bati. — Christopher. Silêncio. — Sei que você não quer falar. Mas eu sou seu pai. Não vou ignorar quando você tá assim. Mais silêncio. Então, um barulho leve. A maçaneta girou devagar. A porta se abriu alguns centímetros, e Christopher me encarou do outro lado. Seus olhos estavam diferentes. Não chorosos, mas… pesados. Cansados. — O que aconteceu? — perguntei, sem rodeios. Ele hesitou, depois deu de ombros. — Nada. Cruzei os braços. — Não sou i****a, Pequeno Lobo. Dá pra ver que algo tá errado. Ele mordeu o lábio. Depois suspirou e abriu a porta de vez. Entrei e fechei atrás de mim. O quarto dele estava uma bagunça. Havia cadernos jogados na mesa, o skate encostado no canto e um desenho rasgado no chão. Meu peito apertou. — Quem foi? Ele me olhou, surpreso. — O quê? — Quem fez isso com você? Christopher desviou o olhar. — Não é nada. Peguei o desenho rasgado do chão. Era um lobo, mas estava destruído. — Isso parece um "nada" pra você? Ele não respondeu. Me aproximei e sentei na beira da cama. — Christopher… eu não sou o melhor pai do mundo. Sei que falhei com você. Mas isso aqui, seja lá o que for, não é algo que você tem que enfrentar sozinho. Ele ficou em silêncio por um tempo. Depois, finalmente, murmurou: — Tem um cara na escola. Matheus. Só o jeito que ele disse esse nome já me fez querer quebrar a cara desse moleque. — O que ele fez? Christopher hesitou. — Ele… me zoa. Desde que entrei lá. Mas hoje foi pior. Meu maxilar se contraiu. — Ele te bateu? — Não. Mas me empurrou. Pegou meu caderno. Rasgou meu desenho. E todo mundo riu. Meu sangue ferveu. Christopher percebeu minha reação e falou rápido: — Não faz nada. Soltei uma risada seca. — Você tá me pedindo pra não fazer nada? — Sim. Passei a mão no rosto, tentando me controlar. — Por quê? — Porque se você fizer alguma coisa, vai piorar. Minha mandíbula se apertou. — Filho… você quer que eu fique parado enquanto um bando de moleques inferniza sua vida? Ele respirou fundo. — Eu só quero resolver isso do meu jeito. Eu queria dizer que era um erro. Queria dizer que, se dependesse de mim, aquele Matheus nunca mais abriria a boca. Mas então vi a maneira como Christopher me olhava. Não era medo. Era algo diferente. Como se, pela primeira vez, ele estivesse pedindo para que eu confiasse nele. Engoli em seco. — Tá. Você quer resolver do seu jeito. Mas se isso passar dos limites, você me fala. Ele hesitou. — Falo. Olhei nos olhos dele. — Promete. — Prometo. Ficamos em silêncio por um tempo. Então, sem pensar muito, baguncei o cabelo dele. — Agora vem jantar. Ele fez uma careta. — Não tô com fome. — Não perguntei. Ele soltou um suspiro, mas, no fim, me seguiu até a cozinha. Eu fiquei com muita raiva de saber que estão importunando meu filho na escola, eu pago ela para ele ser um dos melhores e não para passar por tudo isso. Eu ia deixar ele resolver sozinho, Mais se não desse certo eu faria do meu jeito.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD