— Achei que ia demorar mais – ele disse, com a voz baixa, arrastada, como se tivesse esperando por isso o dia inteiro. — Eu vim assim que recebi o recado – falei, a voz falhando no meio da frase. Ele largou o celular na mesa e levantou devagar. Veio andando até mim com uma calma que me deixava ainda mais nervosa. — Tá com medo? – perguntou, parando a poucos centímetros de distância. Engoli em seco. — Eu pensei que talvez o dinheiro fosse demais – soltei de uma vez, antes que a coragem sumisse. – Se foi, eu posso devolver... Minha mão tremia dentro da bolsa, pronta pra puxar as notas amassadas de volta. Ele deu um meio sorriso torto, como se estivesse achando graça da minha aflição. — Dinheiro tá certo – respondeu, com aquele tom grave que faz minha barriga revirar. – Não te chamei

