O dinheiro que sobrou depois das últimas compras estava contado, mas dava pra mais uma ida ao mercado. Clara precisava de mais bolacha, leite e o achocolatado que ela adorava. Eu sabia que, se ficasse dentro de casa, ia acabar sufocando. Então coloquei a roupa mais discreta que tinha, peguei a mochila velha e fui caminhando com ela até o mercado da principal. O problema de andar por aquelas ruas era sempre o mesmo: eu nunca sabia quem ia aparecer. Nunca sabia quem ia olhar, comentar, julgar, apontar. E, naquele dia, o destino resolveu me testar até o último fio de paciência. Estava no corredor das bolachas, tentando escolher a mais barata, quando ouvi a voz. A voz que eu mais queria evitar. — Ué... olha quem resolveu aparecer em público. Me virei devagar, já sabendo o que vinha. Era

