- Serginho

1672 Words
    Acordei com o barulho da chave na porta da frente. Me levantei, já eram 19:20. Meio tonto de sono percebi que eu e o lençol estavamos coberto de p***a seca. (c*****o, que g****a!) Peguei o lençol, uma roupa limpa e fui pro banheiro. - Oi filhão! - minha mãe gritou da cozinha. - Oi mãe! Joguei o lençol e minhas roupas usadas no cesto e tomei uma ducha rápida. Coloquei uma camisa vinho regata, uma calça jeans escura e tênis branco de skatista. Se eu corresse eu pegava o terceiro horário da facul.      Estava me perfumando quando minha mãe entrou no quarto. Me deu um beijo na testa e olhou pra cama. - Cadê seu lençol? - Pus pra lavar. - respondi me arrumando no espelho. - Já? - ela me olhou desconfiada - O Sr. derramou alguma coisa nele? Pra fugir do assunto lancei a notícia. - Consegui um emprego.    Ela esqueceu na hora do lençol. Exclamou feliz e sentou na cama. -Serio? Que bom! - Pois é - tentei parece o mais casual possível - É de estoquista, mas é melhor que nada. Ela já estava balançando a cabeça em concordância. - Sem dúvida!! Ainda mais nessa crise do país, conseguir um emprego rápido assim é uma conquista! Parabéns Sr Pedro! Ela adorava me chamar assim, era uma de nossas brincadeira. Coloquei minha velha mochila de ginástica,agora com cadernos dentro e dei um abraço rápido em minha mãe. - Obrigado Sra Angélica. Agora deixa eu ir que tô atrasado pra facul. - Está mesmo - Disse ela consultando o relógio - quando você voltar eu quero saber tudo sobre esse emprego! - Só depois de um episódio de Dexter!! - Rebati, e rindo sai de casa. Assistir séries era nosso passatempo junto. Assistíamos pelo menos 2 episódios de alguma série todas as noites, era o momento que contávamos sobre nosso dia e tal. Minha mãe era minha família e eu era a dela. Olhei no relógio e apressei o passo. Ia ter que entrar no intervalo. ***      Vi o Serginho de longe quando cheguei no pátio da facul, ele estava batendo papo com um pessoal de Adm. Ele sacudia os braços e contava algo, provavelmente uma piada, fazendo geral rir. Serginho tinha um dom, todos gostavam dele na hora. Meio j**a, meio brazuca, rosto liso de menino novo, na verdade ele era um menino novo, mais novo que eu, ao menos. Ele era divertido, expansivo e bem humorado sempre. Ele me avistou também, falou alguma coisa pro grupo, deu um selinho rápido numa mina baixinha que eu não conhecia e veio correndo na minha direção.    Balancei a cabeça rindo, ele era a definição perfeita de pegador. O cara falava muito,mas fazia muito também. Ele tinha lábia. É pra piorar(ou melhorar) ele era boa pinta , ele tinha um rosto de japonês inocente e um corpo legal, mas era na lábia que ele conquistava todo mundo.      Sempre com comentários divertidos e descolados e seu jeito de moleque malandro, era difícil não ver ele com uma mina diferente por semana. - Mineirão!! - gritou ele me dando uma ombrada, - onde tu tava rapaz? - Atrasado - respondi rindo e fomos em direção a lanchonete. Ele passou o braço pelo meu ombro,ficando torto pois eu era bem mais alto do que ele. Ele tinha essas manias de abraço,o que me deixava meio sem graça as vezes. - Quem era a mina lá? - perguntei. - Ah... - ele riu safado - era a Samantha, faz ADM. Conheci ela numa festinha na casa do Michel anteontem. Outro detalhe; ele conhecia todo mundo. Tipo a faculdade inteira. "Sou um homem de contatos"dizia ele. E era mesmo, sempre convidado para as baladas VIP, eventos e "festinhas". E ele sempre tentava me puxar pra ir junto. - Você perdeu, mineiro! Catei a Samantha e a Ju da Enfermagem.Deixava uma no quintal e ia pra sala caraca outra.- ele riu dele mesmo. - sou f**a! - Uau, você não perde tempo né? Ele me largou e pulou na minha frente bloqueando meu caminho. - Escuta. Sábado vai ter um rolêzinho que é a tua cara "Menino da Natureza" ,nada de vacilar comigo, viu?      Eu vivia negando os convites dele, eu nunca fui de ir em baladas. Já tinhamos saído em casal ao cinema eu, ele, a mina da vez é uma amiga dela pra mim. E de vez em quando ele ia lá em casa jogar X Box, minha mãe adorava ele. Sair com ele era divertido, mas eu tava apertado com grana, não queria ficar na aba dele e muito menos pedir dinheiro pra minha mãe pra fazer programas que nem me agradavam muito.    Dinheiro pro Serginho não era problema, o cara cuidava de uma das academias que o pai tinha. Bonado ao extremo. Ele era o filho caçula e tudo que queria o papai dava. - E que rolêzinho seria esse? - A turma do 3 ano de turismo vai fazer um luau lá no quebra-mar. As minas levam bebidas.- Ele se calou,esperando que eu perguntasse.   - E os caras? - Os caras levam bebidas!! - ele riu da própria piada e eu fui no embalo, o cara não se levava a sério.- Você vai comigo não vai? Fingi pensar seriamente na proposta. Nem tinha muito o que pensar,esse tipo de programa eu curtia.O Serginho fez uma careta sentido e eu sorri.    Ele gostava muito de mim, eu já tinha notado isso, enquanto minha amizade com o Luka era equilibrada,as vezes ele se sobressaindo,as  vezes eu,com o Serginho  a balança  pendia total pro  meu lado. Ele me  colocava num pedestal. Falava pra quem quisesse ouvir sobre o amigo mineiro dele. Eu sentia as vezes que ele era me via como o irmão mais velho que ele tinha, mas que era muito ocupado pra dar bola pra ele.     O engraçado era que a gente nem tinha muito a ver. Ele era o " Menino Urbano " e eu o " Menino da Natureza ". Mas acabava que o meu jeito calmo e mais centrado completava o jeito doido e feliz dele. - Ok- dei um suspiro fingido de pesar - vamos nessa. Ele deu um pequeno grito de "yes!" que fez algumas cabeças virarem na nossa direção e voltou a me abraçar de lado. Chegando na lanchonete, pedi um suco na  e ele uma soda. Ainda tínhamos uns 5 minutos antes do intervalo acabar. - A propósito, - eu falei - fui naquela praia que tu disse no Guarujá. - Ah é? A Prainha? Show de bola lá né? Se eu não tivesse na academia hoje cedo eu teria ido contigo. - Adorei meu! Bem meu estilo, deserta, um povo bonito... -  Umas mina gata você quis dizer, né? - ele sorriu safado e me cutucou. - pegou alguma safada lá né? Cara eu já te disse, você não me engana com esse jeitinho de "come quieto". Garanto que se eu for em em Minas eu vou descobrir um monte de podres seu! Serginho adorava uma s*******m, e tinha uma ideia bem exagerada ao meu respeito.   Verdade que eu já havia dado  pulos por aí, mais em Minas, e eu não era de me gabar, preferia ficar na minha. Mas eu era bem sossegado nesse aspecto, não era fingimento.     - Nada, rapaz- ele me olhou com descrença e eu dei uma risada. - tinha até uma mina gata lá me olhando, mas me ligaram pra uma entrevista e eu tive que sair correndo. Sua expressão mudou de safado pra curioso, ele sabia da minha procura por trabalho. - Ah é mineiro? E aí? Vingou? - Vingou, fui contratado pela Harara, aquela do Gonzaga. Serginho assobiou. - Olha! Vai trabalhar em loja chique! Tem uma mina de Gestão que trabalha lá. - ele deu um gole no refri. - é claro, o Léo também. Parei de tomar o suco e me virei pra ele. -Esse Léo aí, você conhece ele? - Ele faz facul no outro bloco. - Serginho fez uma careta .- Psicologia, 4º ano já. - Hum... - respondi, sem ter o que dizer. Ficamos em silêncio por um momento, cada um bebericando sua bebida. Serginho parecia querer me dizer alguma coisa. Ele me olhou meio ressabiado. - Você conheceu ele já? - perguntou enfim. - Ele que me entrevistou. - respondi, tentando parecer indiferente. - Hum... Imaginei... Notei que havia algo incomodando meu amigo. - Por que você imaginou isso? Ele jogou sua latinha no lixo e levantou. - Ah, sei lá. - ele coçou a cabeça incomodado. - A Mari, a mina da gestão que trabalha lá na Harara me disse que ele é quem manda lá, mesmo não sendo o gerente. Parece que quem não vai nas graças do moleque vai pro olho da rua. -Hum...- repeti, incomodado. - Você...sai com ele, ou com a turma dele de vez em quando? - Nada, ele tem uma turma própria, não anda com quase nulinguem da faculdade. As vezes eles vão nas nossas festinhas, mas a gente nunca é convidado pros rolês deles. - Entendi. Tipo uma elite né? Serginho riu sem graça e concordou. - Isso, tipo uma elite. - Ele sentou de novo e se aproximou de mim, confidenciando - e o cara tem algo, saca, as minas daqui...As minas de todos os lugares ficam loucas nele! E não é exagero! Tá, o cara é bonito... ( Muito) "...e eu não sei o que ele fala, o que ele faz, mas ele pira a cabeça das minas de um jeito absurdo!- ele olhou para os lados e finalizou baixinho,fofocando - e de alguns caras também. Fiquei olhando pra ele estupefato, surpreso e sem reação. O sinal tocou e nos dois pulamos de susto. -Oxi - Serginho levantou e deu uma risada. - Vamos parar de falar de marmanjo e bora pra aula. Levantei meio zonzo com as informações e fomos pra aula. Por que eu estava incomodado e sentia um frio estranho na barriga eu não entendia. Ainda não entendia.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD