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Obstinada

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Blurb

Diana "The Red Rose" Clark sempre quis ser uma lutadora como o pai. Porém, os troféus de boxe que ostenta em suas prateleiras não são suficientes. Ela quer mais. Muito mais. Deseja estar ao lado de grandes competidores nas lutas mistas e, para isto, precisará ir além dos socos e cruzados de esquerda. Victor Bersanni é um ex-medalhista olímpico que teve seu nome e carreira jogados na lama após ser pego no antidoping pelo uso de esteroides. Como especialista em judô e jiu-jitsu, ele está fadado a treinar lutadores, não mais em ser um. Tentar a sorte nos Estados Unidos se torna a única opção que lhe resta. Se quiserem alcançar o sucesso em suas carreiras, precisarão aprender a confiar um no outro. Vencer é apenas o começo.

*Livro único*

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Capítulo 1 — Um novo dia
PARTE I - A GAROTA DO BOXE “Campeões não são feitos em academias. Campeões são feitos de algo que eles têm profundamente dentro de si — um desejo, um sonho, uma visão.” (Muhammad Ali) Capítulo 1 — Um novo dia Dezoito anos depois. Phoenix, Arizona   Meu corpo estava dolorido, todos os músculos, rígidos, clamando por um descanso. Eu quase podia sentir o ácido lático se espalhando pela minha coxa, como castigo por ter forçado além dos meus limites. De novo. E o olho esquerdo? Chegava a ter pulsação própria. Ah, como eu queria ignorar o toque estridente do alarme, mas ele parecia martelar na mente! Com esforço, estiquei o braço para silenciar o maldito celular. Deslizei o dedo pela tela, e o brilho suave tornou-se mais intenso, iluminando os curativos na mão esquerda. Sentei na cama, apoiando as costas contra a madeira fria da cabeceira, e liguei o meu abajur favorito, que me acompanhou desde muito pequena, quando ainda pensava em ser bailarina e tinha o quarto todo enfeitado de sapatilhas cor-de-rosa e delicadas bonecas. A pequena dançarina de porcelana nele se equilibrava no salto com destreza, me lembrando do que eu poderia ter sido, das escolhas que fiz. Crescer nunca foi fácil. Na vida de uma pessoa, há momentos que definem quem — ou o que — ela será quando adulta. Abandonar a dança havia sido o meu primeiro passo e, aos seis anos, eu não tinha nem noção disso. Os vestidos multicoloridos deram lugar às luvas de boxe. Em vez de pés machucados, eram as mãos que sofriam. A pálpebra esquerda voltou a latejar, me lembrando que não somente as mãos penavam, mas o corpo todo. Ser uma garota e lutar não era fácil. Em um esporte dominado pela testosterona, sofrer assédio ou ser menosprezada por ter dois cromossomos X era o menor dos meus problemas. Aprendi cedo que precisaria do dobro de dedicação e de vitórias para ganhar respeito, mesmo que eu tivesse uma enorme facilidade: ser filha de um campeão e sócia do mais renomado centro de treinamento para pugilistas da grande Phoenix. Não podia reclamar e raramente o fazia. A vida de outras lutadoras era mil vezes pior do que a minha. Minha carreira no boxe começou quando vi meu pai ser campeão pela primeira vez. Apesar da tenra idade, sabia que nada além da luta faria o meu coração bater tão rápido e de maneira tão intensa. Demorei um ano para convencer os meus pais, principalmente mamãe, a me deixar treinar. Aos seis, o boxe se tornou o meu momento pai e filha favorito. No começo, papai achava que era um capricho, uma fase passageira, como a antiga fixação por pôneis. O tempo passou, e ele viu minha habilidade crescer. Agilidade. Força. Velocidade. Dons naturais que começavam a superar os do meu irmão mais velho. Olho roxo e machucados pelo corpo não me impediam de continuar. Eu queria aquilo e ansiava por mais. Aos onze, passei a treinar na academia, junto com os garotos da minha idade. Meu pai era o dono, logo nenhum menino tinha coragem de falar nada. Todavia eu percebia os olhares. Eu não era bem-vinda ali. Precisei derrotar cada um no ringue para que me encarassem com cautela em vez de desprezo. Com vinte e dois anos, alcancei o ápice da minha carreira até então: fui campeã das ligas amadoras, dos torneios regionais, campeonatos estaduais e nacional, além de conquistar a sonhada medalha olímpica. De prata, não de ouro, infelizmente. Porém ninguém da academia tinha uma, nem mesmo meu pai. Eu estava no auge, contudo me sentia vazia. Estagnada. O boxe ainda era uma nobre arte, como todo pugilista gostava de frisar, mas não tinha a glória de antes. O masculino já não era destaque na mídia, e no feminino tudo se tornava ainda mais difícil. Eu poderia ter uma carreira de sucesso e não ser memorável. Talvez fosse a lembrança de como meu pai era reconhecido e amado no mundo todo. Ou talvez eu tivesse puxado à minha mãe mais do que pensava e quisesse os holofotes em mim também. Não tinha certeza, porém sabia qual era o meu desejo: eu precisava de mais. Muito mais. Um abismo se abria diante de mim, e eu tinha duas opções: acatar o desejo de papai e continuar na nobre arte ou sucumbir ao que o público amava e fazia sucesso. Tinha certeza que a decisão mudaria todo o curso da minha história. Apesar do medo, saltei no abismo do desconhecido e mergulhei em queda livre, me entregando completamente à incerteza da vitória. Eu não seria mais a garota de ouro do boxe. Precisaria me reinventar como uma lutadora de artes marciais mistas, o aclamado MMA.   *   Tentei levantar da cama e falhei. Apesar do olho e da mão doerem, era a perna que me impedia de ficar de pé. Derrotar oponentes com socos e cruzados era moleza para mim, mas quando a luta passava para o chão... Eu tinha muito a aprender. Será que um dia estaria pronta para uma luta na qual o meu talento natural era essencial, mas não suficiente para me manter na liga? Teria que estar. Havia feito uma escolha e não voltaria atrás. Meus pensamentos sobre passado e futuro foram interrompidos quando a porta do quarto se entreabriu vagarosamente. Uma réstia de luz iluminou a parede branca e a antiga prateleira de medalhas, que ficou pequena demais para os troféus conquistados. A cabeça do meu irmão despontou para dentro do quarto, e, ao me ver acordada, ele entrou e fechou a porta. — Posso saber o motivo de ter me chamado tão cedo? — Derek acendeu a luz e cruzou os braços, me encarando com uma leve irritação. Os ombros largos se curvaram quando afastei o lençol e apontei os locais doloridos. Em questão de força, pele bronzeada e tamanho, Derek Clark era uma cópia do nosso pai. Ele sentou ao meu lado e retirou os curativos da minha mão para analisar a situação. Sabia o motivo do franzir de sua testa, estava preocupado. Ele não era o único, todos na família estavam. Até eu. Não costumava me machucar treinando desde os quatorze anos. Da bolsinha branca com uma cruz vermelha que levava a tiracolo, Derek retirou uma pomada antisséptica e passou na pele edemaciada. O enorme coração e o cuidado com os outros, assim como os cabelos castanhos quase pretos como os meus, ele puxou de nossa mãe. — Para cuidar de sua amada irmã — respondi sua pergunta. Fiz a minha melhor expressão inocente, que não funcionava com meu irmão há uns dez anos. Ainda assim, recebi um revirar de olhos: — Não me enrole, como isso aconteceu? Envergonhada, abaixei a cabeça e fitei a bolsa de primeiros socorros enquanto ele testava a mobilidade dos meus dedos. Derek era preparador físico e tinha curso técnico de primeiros socorros, trabalhava no Centro Esportivo de Boxe e Artes Marciais Machine Gun. De fato, todos nós trabalhávamos lá, era o negócio da família. Eu havia enviado uma mensagem para ele antes de dormir, pedindo que viesse me ver o mais rápido possível. Enquanto Derek descia as mãos pela minha coxa e fazia sua mágica em meus músculos castigados e os prendia com faixas elásticas, fitei mais uma vez a dançarina eternamente congelada em uma pirueta. Por mais que eu amasse, a dança não passava de um hobby, assim como o violão. Duas artes que pratiquei porque minha mãe considerava mais adequadas a uma dama. Seu sonho era me transformar em um ícone de beleza, uma Miss e modelo, como ela fora. . Contudo, por mais que ela se esforçasse, a luta estava em meu sangue e fazia parte de mim. Inconscientemente, toquei no meu nariz torto, que era afilado antes de ser quebrado pelo menos duas vezes. Mamãe ainda era contrária, não importava se eu já tivesse lutado por quase duas décadas. Derek estalou os dedos na frente do meu rosto, me tirando dos devaneios, mandou que eu me deitasse e voltou a trabalhar na minha perna. Chiei de dor. — Você faz isso de propósito. — Sequei a lágrima involuntária que descia errante pela lateral da bochecha e aceitei a compressa gelada, colocada gentilmente em cima do meu olho fechado. — Vai me dizer o que houve? O olho roxo, eu sei, e a perna também. Mila te acertou em cheio ontem, mas quando eu saí, suas mãos não estavam esfoladas assim. O dia já havia amanhecido, mas eu ainda sentia as consequências do treino na noite anterior. Mila Mathias era uma lutadora brasileira muito habilidosa que veio morar nos Estados Unidos aos quatorze anos, quando o pai passou a trabalhar como engenheiro aeronáutico em uma fábrica de peças de avião. Quando nos conhecemos, logo no início da liga amadora, nos odiávamos. Até batermos uma na outra o suficiente para percebermos que não havia necessidade disso. Em um mundo dominado por homens, nós precisávamos nos unir e deixar a competição para dentro do ringue. Cerca de três anos antes da última olimpíada, Mila decidira fazer o mesmo curso que Derek tinha feito, porém voltado para o pugilismo em vez da preparação física. Junto com o diploma, ela ganhou uma vaga no quadro de funcionários da Machine Gun. Naquele dia estávamos treinando, e eu baixei a guarda, merecendo o gancho de direita. O que me frustrou não foi o olho roxo, mas sim a luta no chão. Ao cair atordoada, fui facilmente submetida. O grapling — principalmente a submissão no chão — era o meu ponto fraco. Apesar da especialidade de Mila ser o boxe, ela treinava jiu-jitsu brasileiro por hobby sempre que ia visitar o país natal. Era pouco, mas suficiente para me frustrar. — Estava com raiva por ter perdido mais uma luta no chão e esmurrei a parede enquanto tomava banho. — Mais lágrimas brotaram e não eram por causa da dor. Eu não me importava de parecer fraca ou impotente perto de Derek. Ele era minha rocha, e eu era a sua. — E se eu nunca conseguir? Talvez eu não seja capaz e... — Nem termine a frase. Eu sei que consegue, acredite em você, D! Seus olhos azuis — espelhos dos meus — estavam tão certos da minha vitória, que eu quase podia acreditar também. Quase.  

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