Eu tava ferrada, presa numa jaula que parecia um quarto de hotel cinco estrelas, mas que não me enganava. Grades na janela, porta trancada com chave, e um silêncio que pesava mais que o funk do baile. Os dias tavam passando, e eu já não sabia se eram três, quatro ou cinco. Sem celular, sem relógio, sem nada além do meu próprio desespero, o tempo virava uma merda indistinta. No primeiro dia, eu ainda tava com o vestido rasgado do baile, sujo, fedendo a suor e medo, grudado no corpo como uma segunda pele. Mas no segundo dia, decidi que não ia ficar parecendo um trapo. Se eu tava presa, pelo menos ia tentar me sentir um pouco humana. Tinha um banheiro chique no quarto, com azulejos brilhando, uma banheira que eu não tinha coragem de usar e uma pia de mármore que parecia rir da minha cara.

