Super herói

2612 Words
Jeniffer acordou na manhã seguinte, e o primeiro pensamento foi a noite que teve. Logo após o s**o, ela adormeceu. Estava muito cansada dos dias intensos e corridos que precediam o casamento. E agora que finalmente tudo tinha acabado, pode relaxar e descansar. Espremeu os olhos com força, se recriminando pelo que havia feito. Ela se oferecera para ele, como pôde? Virou-se devagar e encontrou a cama a seu lado vazia. Suspirou. Não sabia de alívio ou decepção. Estava nua ainda, correu e pegou as roupas do dia anterior para vestir. Saiu devagar do quarto olhando para os lados. Ouvia-se vozes, mas ninguém estava por perto dos quartos. Entrou no banheiro e respirou fundo. Lavou o rosto e mirou-se no espelho. Seu reflexo estava diferente, sua pele parecia até mais bonita, segurou o sorriso. Nunca tinha experimentado um o*****o daquela forma. As únicas vezes que conseguira chegar ao ápice não fora com penetração, mas ela mesma se tocando. Encontrou toda a família já preparando o almoço, inclusive Enzo, que descascava batatas. Seus olhos brilharam ao encontrar os dela. Deixou de lado as batatas e foi a seu encontro. Jeniffer sentia-se nervosa, juntou as mãos a frente do corpo e esperou. Enzo deu um leve selinho nela. - Dormiu bem? - Dormi... e você? - Perguntou focalizando seus olhos. - Também... venha... - A puxou pela mão e colocou-a a seu lado, enquanto terminava de descascar as batatas. O almoço fora animado, com muita conversa e várias risadas. Alguns familiares que haviam dormido lá, já se despediam. - Acho que nós também já vamos... - Jeniffer fala olhando para Enzo, que apenas assente. Despendem-se de todos, com interjeições de pesar. - Volte logo querida, adoramos te conhecer. - A avó de Enzo fala dando-lhe um abraço. - Eu também, amei conhecer vocês. - Jeniffer fala sincera. Nunca sentira-se tão em casa em um lugar, nem mesmo em sua própria casa. - E então? - Enzo analisa a mulher a seu lado. Nenhum dos dois tocou no assunto da noite anterior. Ele não a constrangeria falando sobre isso, mas estava ansioso por saber como as coisas ficariam agora. - Estou sem dar notícias desde ontem, meu pai deve estar louco... - Ok, me diga onde é que te levo para casa. - Obrigada... - Jeniffer sorri para o homem a seu lado. Seu vestido de noiva atirado no banco de trás e ela agora no banco da frente. Enzo não forçou a barra para conversar. Tentou alguns assuntos, mas vendo que ela se distraía e não respondia, deixou-a em paz. Deveria estar sendo difícil para ela aquela situação. Chegava a pensar que tinha se aproveitado do momento de carência dela. Maneou a cabeça, esses pensamentos não levariam nada. Se fosse o caso, não se veriam mais. Ao parar na frente da casa de Jeniffer, e vê-la encarando a casa sem reação, Enzo questiona. - Quer que eu entre com você? - Você pode entrar comigo? - Jeniffer sentia como se esfaqueassem seu estômago, seu pai nunca fora violento, mas suas manipulações eram constantes, e ela não conseguia reagir e acabava sempre cedendo. - Claro... vamos. - Sai do carro e dá a volta, abrindo a porta para ela. Jeniffer entra na enorme casa, e Enzo fica impressionado com o luxo. Ao adentrar na grande sala, Jeniffer já é interceptada por seu pai. Um homem alto de cabelos grisalhos, olhos verdes e boca fina. Seus olhos se estreitam ao passar de Jeniffer para Enzo. - Onde você estava? Sua v*******a! - Ele lhe avança com um t**a no rosto. Jeniffer se surpreende e leva a mão no rosto queimando. - Pai! O homem lhe olha de cima a baixo. - Que roupas são essas? - Passa as mãos nos cabelos. - Vá se trocar, vamos falar com Ricardo. Ele estava muito preocupado, quem sabe podemos voltar a trás dessa vergonha. - Não.. pai, ele estava me traindo... - Cala a boca e não minta! - Ele vira-se para Enzo. - E você quem é? Deve ser o amante dessa c****a, não é? Enzo está chocado com aquele homem. - É sua filha! Como ousa falar assim com ela? - Ah você não conhece! Fiz de tudo por ela, mas pelo jeito herdou o sangue r**m da mãe... - O quê? O que tem minha mãe? - Jeniffer nunca soube muito sobre sua mãe. Tudo que sabia era que morrera quando ela ainda era um bebê. Fotos quase não tinham, apenas as do casamento com seu pai. - Sua mãe era uma rameira, v*******a, vestia-se exatamente assim... - Fez um gesto para o corpo de Jeniffer. - A tirei do puteiro, aquela vadia... - Pai... o que está dizendo? - Jeniffer já não controlava mais as lágrimas, Enzo não estava suportando aquela situação, sua vontade era esmagar a cara daquele velho. Se aproximou e passou as mãos por seus ombros, tentando dar alguma apoio a ela. - É, é ... essa é a verdade, era uma rameira... a tirei de lá, dei tudo de bom e de melhor, mas ela não aguentou, queria putiar por aí e foi embora... até duvidei que fosse minha filha... mas infelizmente é! - Fez uma cara de desgosto. - Agora se não quer me m***r de desgosto vá se trocar, e vamos falar com Ricardo... Jeniffer não acreditava no que o pai dizia, como ele jogava que a sua mãe era uma v*******a, e depois falava como um coitado?! - Pai... ele estava de calças arriadas, sendo chupado por minha prima! O homem fica vermelho e se aproxima. - Minha filha, isso foi um erro, sua prima ficou se oferecendo... - Ele pega uma mexa de cabelo de Jeniffer e coloca atrás da orelha. - Ele está arrependido... - Não posso pai, eu não vou me casar com ele, foi horrível... - Ah não vai? - O homem mudara de novo, Enzo estava horrorizado, agradecia a Deus por estar ali com ela, porque não duvidava que se ela estivesse sozinha ele a arrastaria dali. - O senhor não tem nenhum escrúpulo ? - Enzo fala baixo, mas sua voz é ameaçadora. - O homem traiu sua filha na igreja! - Cala a boca! - O homem olha para os lados. - Vanda! Venha cá! - A governanta vem correndo de olhos arregalados. - Pegue as coisas de Jeniffer no quarto, ela vai embora. - Ele vira-se para Jeniffer que está petrificada. Sabia que seu pai não era fácil, mas aquilo passara de todos os limites. - Você levará apenas a mala que Vanda lhe fizer. Com o básico. O carro ficará, e não terá um tostão meu, ouviu bem? Jeniffer apenas encarou aquele homem que por muitos anos mendigou amor. Ele vira as costas e sai furioso, deixando-os ali, parados e incrédulos. - Menina... o que aconteceu? - Vanda veio abraçar Jeniffer. - Ô Vandinha... peguei Ricardo sendo chupado por outra... - A Igreja toda ficou sabendo, foi um fiasco... Jeniffer abraça Vanda mais forte. - Como ele pode dizer aquelas coisas? - Ele nunca superou... - Então é verdade? - Mais ou menos... - Vanda suspira. - Vou arrumar suas coisas, vá embora daqui, procure um lugar que seja seu, e seja feliz menina. Esse lugar não é bom. - E você? - Eu estava aqui só por você, você sairá por essa porta e vou me demitir. - Vanda sorri. - Já estou aposentada, meus filhos tem netos, e vou aproveitar o descanso com eles. - Ô Vandinha... - Jeniffer chora mais abraçada a mulher. Nunca imaginara que sua família, tão pequena, só ela e seu pai, terminaria assim. Vanda além de governanta fora sua babá, desde que ela se lembra. Fora como uma mãe para ela. - Não se preocupe minha querida, não me afastarei, você tem meu número, meu endereço... Jeniffer assente. - Outra hora eu te conto sobre sua mãe ok? - Tá bom... obrigada... Enzo apenas observa a cena, tentando entender a confusão da vida de Jeniffer. Ao ver a governanta sumir no andar de cima, abraça Jeniffer. - Sinto muito... Ela sorri. - Eu que sinto muito, por você presenciar uma cena dessas... - Imagina... fico feliz de ter vindo com você. - Ele a aperta no abraço e Jeniffer afunda-se em seu peito, inspira sentindo o leve perfume, e por um momento esquece-se de toda aquela m***a, que sua vida estava. - Aqui menina... - Ouvem Vanda se aproximar, com uma grande mochila e uma bolsa. - Separei algumas roupas, pijamas, objetos íntimos... seu pai não me deixou pegar nada a mais. E sua bolsa, com sua carteira e celular. - Tudo bem, muito obrigada. - Me liga assim que encontrar um lugar... - Vou ligar para a Nanda. Ver se posso ficar lá até encontrar um apartamento. As duas se abraçam e Jeniffer sai, deixando tudo para trás. Ao sair do portão ela olha para trás. - Apesar de tudo, eu era feliz aqui... - Jeni... Jeniffer seca uma lágrima. - Obrigada, de coração... sem você eu não teria conseguido. - Teria sim! Você é forte, maravilhosa... - Jeniffer sorri e Enzo sorri junto. - Venha, me diga onde é sua amiga que te levo. Entram no carro e Jeniffer suspira. - Ainda bem que nunca dependi financeiramente do meu pai. - O que você faz? - Ele pergunta virando-se para ela, ainda sem arrancar o carro. - Eu me formei em letras e trabalho na edição de uma editora de livros. - Ela sorri. - Sempre amei literatura, por mais que meu pai quisesse que eu assumisse os negócios da empresa dele, segui o que eu queria. E graças a isso, hoje saio tranquila daqui. - Olha mais uma vez para a casa. Mas sua visão é bloqueada pelo rosto vermelho de raiva de Ricardo. - Ricardo?! - Jeniffer arregala os olhos, enquanto ele começa a socar o vidro do carro. Ela abre a porta e sai. Enzo faz a mesma coisa, já colocando-se ao lado dela. - Então é por isso que me deixou? Tem outro! - Você que estava com outra! Na igreja, no nosso casamento! - Jeniffer grita para o homem, que a agarra pelo braço e tenta a arrastar. - Ei... ficou louco? - Enzo o empurra, fazendo-o soltá-la. Os dois tem a mesma altura, ambos tem um corpo forte, e Jeniffer temia por uma briga entre eles. - Quem é você? - Não te interessa. Interessa que traiu uma mulher maravilhosa, agora aceite e dê o fora... - Enzo foi indo para cima de Ricardo, que não recuava. - Maravilhosa? - Olha para ela, como se duvidasse. - Ela já chupou o seu päu, por acaso? - Ricardo! - Jeniffer sentiu seu rosto esquentar, o que ele estava fazendo? Queria humilhá-la mais? - Vá embora, ou eu juro que te mato... - Enzo tentava manter a sanidade, sabia que o homem não o venceria. Afinal treinava desde muito jovem judô, era faixa preta, evitava brigas a todo custo, pois sabia que se começasse, seria difícil pará-lo. - Ela não chupa... - Ricardo deu uma gargalhada. - Aquela foi a última que eu teria dado com sua prima. Prometi a mim mesmo que respeitaria nosso casamento, mas se talvez você fizesse direito... - Gritou cuspindo em direção a Jeniffer. - Eu não precisaria procurar outras. Enzo deu soco no meio do rosto do outro que cambaleou para trás. - Você quebrou meu nariz! - Bradou segurando o nariz sangrando. - E se não sair daqui nesse instante, vou quebrar o resto de você! - Enzo não gritou, mas sua voz demonstrava o perigo. - Vai se arrepender... Enzo se dirige a Jeniffer e a coloca dentro do carro. Ela está paralisada com o que acaba de acontecer, e com tudo que ouviu. Enzo não espera, apenas arranca dali, anda por bastante tempo, até encontrar uma região mais tranquila. Vira-se e a encara. Ela não chora, apenas fica de olhos fixos a frente, e boca entreaberta. - Jeni... - Ela o olha. - Ele é um i*****l. - Ele não sabe dizer o que a afetou mais, se foi a situação com seu pai, ou com o ex noivo. Não sabia como funcionava a relação deles, mas ela havia comentado quando a encontrou a primeira vez, que não seria difícil esquecê-lo, esperava que fosse verdade. Porque aquele homem não merecia nenhuma lágrima. - Você é maravilhosa. - Ela baixa cabeça. Jeniffer sente-se mais humilhada do que nunca, a vergonha era tanta, que não tinha coragem de olhar nos olhos de Enzo. Seu pai dissera que ela era como sua mãe, e ele devia achar que era mesmo, pois ela se oferecera na noite anterior para ele. E ainda Ricardo disse que ela era rüim de cama e não o chupavä. Meu Deus! Que vergonha... - Desculpa te meter nessa... - Não é sua culpa... - Vendo que ela não o encara, ele ergue seu rosto com a ponta dos dedos, e a faz o olhar. - Foi a melhor tränsa da minha vida. Nunca me senti daquela forma... - Não faça isso... - Jeniffer baixa a cabeça de novo e franze o cenho. - O que? Dizer a verdade? - Enzo a olha preocupado. - Eu me ofereci... - Eu te agarraria de qualquer forma... - Ele diz, e ela sorri. Enzo sente seu coração acelerar no peito. - Obrigada... mais uma vez. - Ela o olha e sorri. Afinal ele era um cara legal, ela nunca esqueceria de tudo que viveu com ele. - Vou ligar para minha amiga Fernanda, ver se posso ficar lá. - Jeniffer muda de assunto e pega o celular da bolsa. Milhares de ligações perdidas, de seu pai, Ricardo, Vanda, Fernanda... deleta tudo e liga para Fernanda, sua melhor amiga desde a faculdade. - Oi, Nanda... - Amiga, o que aconteceu? Onde você está? - Fernanda ficara louca com o sumiço da amiga, que ainda não estava com o telefone, pensou até em chamar a polícia, mas o pai de Jeni não deixou. - Ai Nanda... - Jeniffer começa a chorar, enquanto resume o que aconteceu para amiga, esquecendo-se que Enzo a observava de canto de olho. - Será que posso ficar no seu apartamento até achar uma para mim? - Ô amiga, você sabe que pode sempre contar comigo... pode vir, mas... - O que foi? - Lucas está morando comigo, lembra que te contei semana passada? - Ah... desculpa, eu havia esquecido... - Não se desculpe, mas só temos um quarto, então você teria que ficar no sofá... - Não, imagina! Vocês estão praticamente em lua de mel. - Ambas riem, afinal eles estavam mesmo. - E para onde você vai? - Vou para um hotel, logo encontro um lugar. - Tá, mas se não encontrar nada até daqui a pouco, passe essa noite aqui pelo menos. - Tá bom, amiga... vamos nos falando. Jeniffer desliga e Enzo logo a tira do devaneio. - Não ficará em hotel... - Ele põe-se a dirigir. - Como? - Jeniffer franze o cenho enquanto o olha. - Ficará lá em casa. É uma apartamento no caso... - Sorri para ela. - Na rua de trás da igreja de onde fugiu... - Não, não posso aceitar, você já fez demais... - Sem discussão... - Ele mantêm-se focado na estrada a sua frente. - Meu apartamento é grande, tem dois quartos, você pode ficar a vontade, o tempo que precisar... - Ele a olha intensamente desconcertando-a. - E quiser... Jeniffer não consegue segurar o sorriso que se forma. - Obrigada. - Consegue balbuciar, enquanto admira o homem a seu lado. O seu super herói...
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