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REFÚGIO NO MORRO

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Blurb

Renata carrega na alma os restos de um relacionamento destrutivo: casada com um homem abusivo que fazia parte do PCC, ela suportou tudo por amor ao filho Kauã — o único bem que floresceu em meio ao inferno de sua vida passada. Após a morte do marido em um ataque durante o aniversário de Kauã, ela foge para o Complexo da Maré, buscando refúgio longe do passado e um futuro seguro para o menino. No novo lar, ela constrói uma rotina simples ao lado de novas amigas que se tornam sua família de escolha, trabalhando para garantir o sustento de ambos e protegendo Kauã de qualquer sombra do mundo criminoso que já a vitimou. Para Renata, o amor romântico é sinônimo de dor e traição — ela só conhece seu lado mais c***l. Mas quando Falcão, líder que acaba de sair da prisão e retoma o controle do Complexo da Maré, salva Kauã de um policial durante a invasão do morro, seus caminhos se cruzam. O encontro entre a mulher que busca paz e o homem que carrega o peso do comando e da violência pode ser o começo de algo que nem imaginavam: um amor verdadeiro que pode curar as feridas do passado ou colocar em risco tudo o que Renata construiu com tanto esforço.

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cap 01 anos atrás
Renata. - Rio de Janeiro, 17 de março de 2021, São Gonçalo. Dois anos antes A risada gostosa do meu filho era o meu sustento para esse momento. A festa que eu e o Dan preparamos, onde ele estaria completando dois anos, estava agitada: ele brincava com os convidados e eu o observava de longe, tomando um gole de suco no copo descartável. Dan e eu estamos casados há três anos, e desde que me juntei a ele, minha vida virou um inferno. Dan era um bom pai — dava o melhor de si para ver o filho bem e cuidava bem de Kauã. Mas como marido, falhava em cem por cento das vezes. Diversas vezes fui agredida de todas as formas imagináveis, diversas vezes fui traída, diversas vezes fui calada e não posso fazer muita coisa para reverter minha situação: há uma criança no meio desse fogo cruzado. Além disso, Dan fazia parte indiretamente de uma organização criminosa — coisa que descobri recentemente e ele nem imagina que eu sei. Ele faz parte do PCC, ganha dinheiro ao dar informações sobre mercadorias que chegam no aeroporto onde trabalha. Kauã é o único motivo para eu ainda aguentar viver isso. Não tenho ninguém além dele. Meus pais viraram as costas para mim quando resolvi casar; eles nunca concordaram com o relacionamento, e eu deveria ter ouvido-os na primeira oportunidade que tive de abandonar Dan. Amigos eu nunca fiz questão de ter — todos os que estão na festa são conhecidos de Dan. As únicas pessoas aqui com quem eu ainda era próxima eram a irmã e a mãe dele, que, de algumas formas, percebo que tentam me tirar dessa situação: me chamam para passar alguns dias com Kauã na casa delas, para me afastar de casa e não correr o risco de ele me agredir. Dona Hélia sabe o filho que tem. — Tá olhando pro João porque? — Dan me assustou, falando perto de mim. Eu sobressaltei. João era um colega de trabalho dele que veio à festa. Ele era tão doente comigo que via coisas onde claramente não existiam. — Não tô olhando pra ninguém, tô pensando. — Ele me olhou desconfiado e eu respirei fundo. — Hoje é o dia dele. Vamos manter a paz, pelo Kauã. — Falei, e ele saiu de perto sem falar nada. O fotógrafo chamou para tirarmos fotos e eu me aproximei da mesa do bolo. Estava tudo decorado, com a melhor qualidade. Me posicionei com Kauã no colo e beijei seu rosto, fazendo-o rir. Olhei para a câmera e sorri também, tentando não transparecer o quão desconfortável eu estava com o olhar de Dan sobre mim, a alguns metros de distância. Logo ele se aproximou e pegou meu filho do meu colo, fazendo pose para a foto como se fôssemos uma família unida de comercial de margarina. A organizadora do evento anunciou que iríamos cantar os parabéns, e todos os convidados se aproximaram e começaram a cantar enquanto a vela do bolo soltava faíscas. Sorri enquanto meu filho batia palmas no colo do pai, feliz da vida, e ele levantou as mãos quando finalizaram a música. Mesmo diante do barulho dos gritos, pude ver um homem encapuzado entrar no salão de festas — e tudo ao meu redor começou a ficar em câmera lenta. Um arrepio passou pela minha espinha quando vi o objeto prateado na mão dele: uma arma. Sem esperar mais nada, peguei Kauã rapidamente do colo de Dan; ele me olhou sem entender, mas eu sabia exatamente o que iria acontecer. E eu não impediria — até porque não poderia fazer muita coisa. Ele escolheu esse caminho, e por mais que seja egoísta da minha parte ter deixado que o homem fizesse isso no aniversário do meu filho, preferia viver uma vida livre de Dan do que continuar mais dias com ele e correr o risco de que suas escolhas erradas respingassem em Kauã. O homem rodou os olhos pelo ambiente procurando alguém específico, e quando encontrou o que queria, foi muito rápido. Todos estavam alheios, por isso foi mais fácil. Ele mirou a arma na nossa direção e eu me afastei discretamente, protegendo Kauã para que ele não visse ou acabasse sendo atingido. Uma rajada de tiros começou na direção da mesa do bolo; eu me agachei, protegendo a cabeça do meu filho, que começou a chorar com a gritaria e a correria dos convidados. Ouvi o baque do corpo de Dan caindo no chão, já sem vida, e me mantive ali agachada, tentando manter o controle da situação e afastando a visão de Kauã do pai dele, caído ao meu lado. Fiquei assim por longos minutos e tentei acalmar o bebê. Logo ele parou de chorar, mas ainda resmungava. O local ficou em silêncio e estava vazio. Dona Hélia procurava por mim do lado de fora; eu conseguia vê-la daqui, atordoada junto com a irmã de Dan. — Renata! — Ela gritou chorosa, me procurando. Eu me levantei com os olhos marejados, imaginando como reagiria com a morte do filho. — Dona Hélia! — Respondi, e ela me encontrou, vindo na minha direção e parando quando viu os pés de Dan no chão. Ela me olhou e eu respirei fundo, tentando controlar o choro — não pelo filho dela, mas por ela mesma. — Não! — Ela negou, e meus olhos encheram de lágrimas. — Não, não, não! — Gritava, e eu conseguia imaginar a dor dela. Eu não aguentaria perder meu filho dessa forma. Ainda estava com Kauã no colo, escondendo-o para que não visse o pai no chão, ensanguentado e morto. Dona Hélia passou por mim e se ajoelhou ao lado do corpo de Dan, gritando cada vez mais. Carla, sua filha, a apoiou e derramou lágrimas pelo irmão. Aproveitei que as duas estavam ali e fugi. Fui longe daquele lugar, levei meu filho para casa — que não era muito longe —, arrumei uma bolsa, peguei dinheiro suficiente para sobreviver pelo menos dois meses, o cartão de crédito de Dan e todos os nossos documentos. Estava livre, finalmente, e poderia criar meu filho longe dessa bagunça. Pedi um motorista por aplicativo para me levar a um hotel, onde ficaria até conseguir um lugar para morar. Amanhã mesmo iria ver uma nova casa: o dinheiro que tenho na conta vai dar para o primeiro aluguel, e vou precisar de um emprego para manter uma criança de dois anos — o que não é barato.

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