CAPÍTULO 04
Emily Parker
Estou sentada aqui nessa cadeira do escritório, e não consigo me acalmar... eu gostaria muito de ter quebrado a cara do Axel, mas as infelizes das minhas pernas, não me obedecem! Eu devo ter atirado pedras no Santo Antônio, bem que a minha avó Jhuly sempre diz que esse negócio de santo é verdade, pois estou com um problema danado com ele, só pode!
— Infeliz! Safado! Que vontade de beijar... opa! Que beijar o quê? Quero é matar aquele Axel de uma figa! Quem ele pensa que é? Me deixar nessas condições, aonde nem as minhas pernas respondem? — Pensei alto.
— Nossa! O bonitão já te deixou assim, filha? — Me assustei ao perceber que a minha mãe entrou na sala.
— Mãe? O que faz aqui? Acabei de me despedir de você em casa! — Perguntei confusa, e preocupada, o que tanto ela ouviu?
— Estou resolvendo umas coisas, mas agora me conta... que situação é essa que as suas pernas te desobedecem? — Perguntou me encurralando.
— Aí, mãe! — Coloquei o cotovelo apoiado na mesa, segurando o meu queixo sobre a minha mão. — Já sentiu as pernas assim alguma vez? Eu nem sei porque estou assim, eu deveria matá-lo! — Falei e ela começou a rir.
— Até hoje só o seu pai é capaz de me causar isso, e muito! — Revirou os olhos. — Sabe, Emy, se as tuas pernas te desobedecem é porque o Axel mexeu na sua base, minha filha! E eu e a Andréia sempre concordamos que quando for o cara certo, as borboletas também apareceriam no estômago, e...
— Não, mas eu não posso! — A cortei sem pensar, e ela arregalou os olhos.
— Porquê não pode?
— Eu não quero me tornar vulnerável, mãe! Sabe o que é você sentir tudo ao mesmo tempo, inclusive raiva, e não poder fazer nada, porque ficou mole? Isso é frustrante! — Disse agora colocando a testa na mesa.
Senti a mão da minha mãe na minha.
— Não, Emily! Frustrante é você não sentir, não conseguir sentir, por mais que você tente! Agora se você sentiu, não desperdice a oportunidade! Eu acho o Axel incrível, muito responsável, e acredito que o namoro de vocês tem futuro! Eu tardei muito a minha felicidade com o seu pai, mas de muita coisa eu não me arrependo, sabe? Ele era imaturo assim como você, e mereceu algumas lições, e eu estava em construção também, então... — Suspirou balançando a cabeça.
— Eu sou imatura? — Perguntei confusa.
— Sim, Emily! Sempre teve de tudo, mas eu acredito em você! Mostre para quem quiser ver, a mulher f**a que você é! Assuma o cargo que o teu pai te deu, e mostre que é muito mais capaz que isto, quero ver quanto tempo leva para subir você de cargo! — Falou ela apertando a minha mão, e senti que ela tem razão!
— Vou fazer isso! — Falei. “Eu só preciso aprender a evitar proximidade com o Axel, ele me confunde”. Penso.
— Ótimo! Vou esperar o teu pai na sala dele, e depois vou embora! — Me deu um beijo no rosto, e nos despedimos.
Olhei para os contratos na mesa, e resolvi começar... está na hora de eu mudar um pouco a minha vida! Separei por datas, ordem alfabética, e ainda por preferência. Li alguns, e deixei avisos importantes nas informações que obtive, fiquei muito concentrada e nem vi que alguém me observava, e só percebi quando levantei a minha cabeça.
— O que está olhando? — Perguntei para o Axel, parado em frente a mesa.
— Nada importante! Só estou vendo que você é ótima nisto! — Apontou para os contratos. — Deveria investir mais na sua profissão!
— Eu estou ótima assim, obrigado! — Respondi.
— Certo então! Bom... eu preciso conversar umas coisas com você! — Levantei a sobrancelha.
— Tipo, o quê?
— O seu pai contou na reunião feliz da vida, que estamos juntos!
— O quê? Como assim? O meu pai... droga, Axel! — Levantei frustrada, batendo a mão na mesa.
— Ei, calma! Não era algo que a gente não imaginava que aconteceria, não é? Vamos dar um jeito, só precisamos mentir umas semanas, e só! — Falou passando as mãos nos meus ombros, e parecia que eu estava levando um choque leve.
— Semanas, Axel? Eu não tenho semanas! — Falei.
— Eu também, não! As mulheres do andar de cima já estão me procurando, nem sei como faremos isso... — Ele ficou falando, e eu viajei na maionese... mulheres do andar de cima? Agora eu lembrei um dos motivos de achar ele um idiota... fica saindo com funcionárias da empresa, que raiva!
— Olha só! Eu não quero ser taxada de corna, não! Se eu descobrir que pegou alguma dessas, qualquer uma, na verdade! Eu te meto um chifre público! E ainda coloco nas redes sociais que você não deu conta do recado!
Ele voou em cima de mim como uma vespa, e outra vez fiquei contra a parede, e para me prevenir, ficava repetindo... ele é safado, ele é um cafajeste, ele não presta, ele...
— Escuta aqui, garota! Se você fizer isso, eu te procuro no mesmo dia e te provo que eu dou conta de qualquer recado! — Falou deslizando as mãos pela minha cintura e apertando um pouco a baixo, pegando parte da minha b***a. — Mas depois não vá reclamar quando não der conta de me receber! — Falou me soltando, e eu já estava ficando sem ar, maldito filho da mãe, do Axel! O que ele quis dizer com isso? E receber o quê? Caramba...
— Está dizendo que... que droga Axel! Eu nunca perderia a minha... você sabe... com você! — Falei tudo pausadamente.
— Comigo, não! Mas com a metade do bar, estava disposta se eu não tivesse te tirado de lá? — Ele m*l falou, e levou um tapa na cara! O meu sangue ferveu, e eu não iria deixar ele falar isso, embora fosse verdade, ele não tem o direito de me julgar!
— Você não tem o direito de me julgar! Nunca mais repita essas palavras, pois eu esqueço até essa palhaçada de acordo, e acabo com a tua raça! — Falei enfurecida, e ele levou a mão até o rosto e me olhou diferente.
— Me desculpe! Eu me excedi! Isso não vai mais se repetir! Aquela noite... bom! Me desculpe! Você tem razão! — Ele virou ainda sério, e estava saindo, então parou na porta, e falou ainda de costas.
— Amanhã eu passo te pegar em casa, pois temos compromisso externo, e o seu pai me pediu que fôssemos no meu carro! Agora vou sair e não volto mais para a empresa hoje! Até logo, Emily!
“Droga! Será que eu peguei pesado? Axel ficou chateado?“ Penso...