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1448 Words
Marco Morangos tinham estado na minha mente o dia inteiro. Eu estava com muita vontade de prová-los. Não tanto da fruta em si, porém. Era Mirella que eu queria saborear. Esse desejo me deixava irritado. — Marco? — chamou Matteo, com a voz alterada. — O quê? — ergui os olhos dos documentos do seguro que eu precisava arquivar por causa dos danos causados pelo tiroteio. — Você não está me ouvindo. — Estou. — Empurrei os papéis para longe. — O que foi que você disse? O que te distraiu tanto? Tive que tirar aquela pestinha da cabeça. — Tudo. — Inclinei-me para trás na cadeira do meu pai. — Tenho muita coisa na cabeça, caso você não tenha percebido. — Estou exatamente na mesma situação. — Ele passou a mão pelos cabelos. — Caso você não tenha notado. — Desculpa. — A ausência do nosso pai estava cobrando seu preço de nós dois. — Eu estava pensando na noite passada. O que você queria me dizer? — O incidente envolveu dois jogadores insignificantes. — Ele suspirou. — Estavam brigando por causa de uma mulher havia semanas. Passei a mão pelo queixo. — Então não teve nada a ver com o pai… nem com a guerra que ele está tentando evitar? — Não. O cara que você agrediu causou a confusão porque o outro levou a garota com ele. Ambos trabalhavam para Bobby Ciacci. Ele pediu desculpas e vai lidar com o funcionário que ainda está vivo. — Ele devia mandar um cheque enorme para uma instituição de caridade para compensar o que perdemos ontem à noite. — Cerrei o punho. — Eu sabia que deveríamos ter adiado o evento. — Vamos organizar algo maior e melhor daqui a alguns meses. Papai já terá voltado. Você vai ver. — Espero que esteja certo. — Estou. — Matteo estendeu a mão. — Vou dar entrada nos pedidos de indenização junto à seguradora. — Obrigado. — Entreguei a papelada, aliviado por ele assumir isso. — Tenho uma reunião com investidores essa tarde. Quer participar? — Claro. — Ele olhou o celular. — Mas parece que você tem uma visita a caminho. — O quê? — Veja por si mesmo. — Ele virou o telefone, mostrando as imagens das câmeras da concessionária. Analisei o vídeo ao vivo. — Você só pode estar brincando comigo. Não é ela. Meu pai não disse para ela ficar longe de mim? — Ela está linda. — Ele continuou encarando a tela. — E vem direto para você. — Eu não preciso disso. — Levantei-me e abotoei o paletó. — Quer que eu a intercepte? — Matteo provocou. — Ninguém disse a ela para ficar longe de você. — Estou te dizendo para ficar longe dela. — Sentei-me novamente. — Ela é filha de um figurão. Alguém que não tem um bom histórico com o pai. Não precisamos desse problema. Angela, minha assistente, apareceu à porta. — Marco, a senhorita Esposito está aqui para vê-lo. — Mande-a entrar — Matteo respondeu por mim. — Você não ouviu nada do que eu disse? — perguntei quando Angela saiu para buscar Mirella. — Não podemos confiar nessa família. — Você não precisa confiar nela para t*****r com ela. — Ele deu de ombros. — Aproveite a distração de dez minutos. — Engraçado. — Empurrei-o. — Talvez isso seja normal para você, mas eu duro bem mais do que dez minutos. Mirella surgiu na porta. — O que dura mais de dez minutos? Talvez eu possa ajudar. Matteo conteve um sorriso. — Tenho certeza de que poderia. Ela usava os cabelos negros presos em um r**o de cavalo alto, destacando as maçãs do rosto e os lábios carnudos. Ontem à noite estava deslumbrante, mas hoje, com pouca maquiagem, parecia ainda mais bonita. Natural. Preferia assim. — Mirella. — Apoiei-me na mesa. — O que a traz aqui? — Trouxe biscoitos para você. — Ela ergueu a caixa rosa. — Queria agradecer novamente pela noite passada. O vestido marrom justo e as botas até a coxa chamavam mais atenção do que os biscoitos. — Não precisava. — Suspirei. — E você não deveria estar aqui. — Ela trouxe biscoitos — Matteo insistiu. — Eu não assei — Mirella disse. — Eu comprei. — Claro que comprou — murmurei. Ela se aproximou de Matteo. — Quer um biscoito? Beijou a bochecha dele, e ele pousou a mão na parte inferior das costas dela. Um nó apertou meu peito. Um impulso possessivo tomou conta de mim. Isso não seria bom para ninguém. — Adoraria. — Ele pegou um. — Obrigado. — Esperei trinta minutos na fila — ela disse. — Eles são famosos. Ela esperava uma medalha? — Muito atencioso — Matteo provocou. — Não acha, Marco? — Vocês não têm documentos para preencher? — retruquei. — Quanto mais rápido enviarem as solicitações, melhor. — Está tentando se livrar de mim? — ele mordeu o biscoito. — Sai daqui. — Apontei para a porta. — Em dez minutos? — Ele riu ao sair. — Ele é adorável — Mirella disse, aproximando-se de mim. Ela se apoiou no meu peito e beijou minha bochecha. — Não flerte com meu irmão. — Ouvi seu pedido ridículo — ela respondeu. — Se você acha que dizer “olá” é flertar, você não sai muito de casa. Aproximei o olhar, tentando manter a compostura. Não sabia se estava irritado com a ousadia… ou e******o demais. — Como você está hoje? — Ela passou as mãos pelos meus ombros. — Bem. — Afastei-me um pouco. O cheiro de morango ainda a envolvia. — Fiz as unhas. — Mostrou a manicure lilás. — O mundo está salvo. — O showroom está impecável. — Ela se sentou na mesa, cruzando as pernas. — Trabalhou a noite toda? — Minha equipe. — Ninguém diria que houve um tiroteio aqui. — Os repórteres estão por toda parte. — Que chato. — Ela deslizou da mesa. — Talvez por isso não me deixaram entrar pela frente. — Seu pai está certo. Você não deveria se envolver nisso. — Você soa como ele. — Ele pode estar certo às vezes. Ela deu um passo à frente, invadindo meu espaço. — Por que você acha que ele não quer que eu te veja? Não importava o quanto ela cheirava bem. Nem o quão proibida era. — Tenho certeza de que você consegue descobrir sozinha. — Nossas famílias não se misturam — continuei. — E é por isso que você deveria ir. — Eu estava aqui ontem à noite. — Por uma trégua temporária. — E não funcionou tão bem. — Foi resolvido. — Eu não quero ir. — Ela abriu a caixa e partiu um biscoito. — Eu trouxe isso para você. — Obrigado. — Não quer provar? — Ela encostou o biscoito nos meus lábios. Entreabri a boca. Segurei seu pulso, lambi o chocolate dos dedos antes de morder. — E então? — Delicioso. — Abóbora com especiarias é meu favorito. Ela torceu o r**o de cavalo, deixando as mechas caírem entre os s***s. — Não dormi bem. Fiquei pensando em tudo. — Não houve ameaça. Você está segura. — Porque você me protegeu. — Fiz o que precisava ser feito. — Sinto muito pelo Oliver e pelo meu pai. — Não precisa se desculpar por eles. Ela suspirou. — Oliver anda em casa o tempo todo. — Isso te incomoda? — Não sei. — Tocou meu braço. — Te incomodaria? — Ele estaria louco se não quisesse isso. — Puxei-a para perto. — E você? — Não sou e******o. Sou frio. Calculista. — Isso é sexy. Segurei seu rosto. — Você veio aqui por quê? — Para agradecer. — Já agradeceu. E eu disse que não queria te ver aqui. — Não gosto que me digam o que fazer. — Você é perigosa. — Então me quebre. — Você não sabe o que está pedindo, princesa. Beijei sua mandíbula, o pescoço. — Marco… me beija. Perdi o controle. Quando percebi, minha excitação virou raiva. — Sabe o que eu odeio? — apertei sua mão. — Você tentando me provocar com um i****a como o Oliver. — Não foi por isso que vim. — Não tenho tempo para jogos. — Você está errado. Eu não sou sua inimiga. Soltei-a bruscamente. — Não há nada aqui para você. Vá embora. — Você é louco. — E você não faz ideia do quanto. — Meu pai tinha razão. Você é um bandido burro. — Saia daqui! Ela jogou a caixa em mim. Os biscoitos caíram no chão. — Aproveite seus biscoitos —, ela gritou do outro lado da porta. — Seu desgraçado.
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