Aluga-se Uma Realidade

2457 Words
O seu celular ainda dava a localização de Jeongguk, piscando de forma frenética em um único local durante aquela manhã inteira, logo abaixo o nome de uma rua e o número de um prédio. Suspirou pesado. Ainda se perguntava se deveria ter saído de casa, se deveria estar parado diante daquele prédio simples, se aquilo realmente daria algum resultado. E é claro, o mais importante, o que iria dizer? Ele já estava ali, mas além disso, não havia nada. Se perguntava o motivo de ter se arrumado tanto, de ter usado o seu melhor perfume. O perfume que ele mais gostava, pelo menos, era o que ele dizia. E fora difícil convencer o porteiro a deixa-lo entrar sem avisar, mas não era como se um homem de negócios não soubesse mentir muito bem e criar um bom motivo para que o homem de gravata borboleta não o impedisse de subir. Parou diante da porta em tom cinza, olhou mais uma vez para a tela de seu celular, afirmando que Jeongguk estava ali. Suspirou. Com os nós dos dedos, ele bateu na porta três vezes. Nenhuma resposta. Bateu mais uma vez e esperou um pouco, até que a porta se abrisse lentamente, apenas uma pequena fresta, mostrando partes do rosto de Jeongguk, que o olhava com uma expressão séria, porém ainda dava para ver que ele estava confuso em vê-lo ali. — Nós podemos conversar? Viu que o Jeon fecharia a porta em sua cara, mas empurrou-se para dentro da casa antes que ele pudesse fazer isso. A porta se fechou mesmo assim, mas com Yoongi dentro, com as costas grudadas na porta que acabara de ser fechada, e com os olhos alargados e fixos nele. Jeongguk estava frustrado, aparentemente só queria o expulsar dali e seguir o rumo de sua vida em paz. Enquanto Yoongi continuava a insistir naquilo. — O que você quer? — perguntou expressando toda a sua falta de paciência em ver o Min ali, teclando naquela mesma telha — Não percebe que só está fazendo papel de ridículo?! O menor acabou se assustando com aquele tom, ouvir Jeongguk gritar com ele não era algo que esperava que um dia fosse acontecer. Engoliu em seco. — Eu não me importo em parecer ridículo ou não, eu só quero você de volta! — Yoongi também gritou com ele, talvez para disfarçar seu susto ou sua imensa vontade de chorar — Por que não para de agir como se não se importasse e escuta o que eu tenho a dizer? Jeongguk soltou o ar dos pulmões, revirando seus olhos de forma inquieta. Ele queria demonstrar que não estava se importando, talvez se Yoongi pensasse que ele não se importava, fosse embora. Mas o pior de tudo era que ele se importava sim, se importava e muito, aquela insistência toda do Min estava o amolecendo, o fazendo querer ouvi-lo, fazendo com que cedesse cada vez mais. Mas o problema estava justamente aí, Yoongi poderia facilmente se livrar de tudo em um passe de mágicas, enquanto ele, Jeongguk, arriscava tudo em se envolver com o Min mais do que profissionalmente. Garotos de programa não tem esse direito todo. — Jeongguk, eu estou completamente apaixonado por você. — o mais velho segurou em seu pulso, o sacudindo tentando chamar atenção — Por que está me tratando assim? Era golpe baixo, Yoongi o olhar com os olhos marejados e com o rosto triste, aquele tom de voz suplicante fazia com que o coração do Jeon fosse esmagado. E até quando manter aquele muro de pé? A verdade era que o Jeon estava sofrendo tanto quanto o Min, tentando a todo custo manter a sua pose de pé, fazendo o possível para fingir que não se importava com ele, fazer com que Yoongi acreditasse que ele era apenas mais um cliente que ficaria no passado. Não era. Yoongi não era só mais um cliente, não era. Não tinha como ser, ele era a criatura mais singular que já havia conhecido, cheio de enigmas que precisavam ser decifrados. Mas aquilo estava tão errado, um se alimentando de mentiras, enquanto o outro só o alimentava mais. Que de relação dá certo quando tudo o que se tem são personagens? Yoongi não estava apaixonado por ele, estava apaixonado pelo personagem que ele criou. Por que no fundo, Jeon Jeongguk não era o Mr. Rabbit, e era do Mr. Rabbit que Yoongi gostava. — Yoongi. — disse seu nome daquela vez, sem o Sr. Min que Yoongi tanto detestava — Você precisa entender que eu, Jeon Jeongguk, não sou o personagem que você me fez criar, vá embora, no momento em que me conhecer você vai se decepcionar. — Então me deixa conhecer você, você de verdade. — o menor o segurou pela barra da camisa, aquele mesmo olhar que implorava estava ali, o quebrando cada vez mais por dentro — Por favor, Jeongguk. Ah, como odiava aquilo! Se sentia m*l por vê-lo daquele jeito, vê-lo tão quebrado e destruído, tão diferente do Yoongi dos primeiros dias, que apenas ditava e se mantinha frio. Sabia que era culpado, culpado por tê-lo aquecido e amolecido, feito com que ele se abrisse e mostrasse o quão frágil era de verdade. Era o culpado. E precisava assumir sua culpa. — Tudo bem. — acabou soltando — Mas dessa vez vai ser do meu jeito, no meu tempo. E não me culpe caso se arrependa depois.         [...]         — Que lugar é esse? Eles saíram juntos à noite, Jeongguk havia levado Yoongi para uma pista de skate, o mais velho parecia muito perdido no meio de todos aqueles garotos jovens, que conversavam em um linguajar que ele não conhecia, com roupas estranhas e cabelos coloridos. Se sentia como um peixe fora da água estando ali, era obvio que ele não combinava com aquele ambiente, sua figura mais velha e vestida de forma social se destacava no meio dos outros, e alguns até o olhavam com indagações nítidas nos rostos. — Você não queria me conhecer? Eu venho aqui quando não estou me prostituindo. — Jeongguk sussurrou o final da frase, rindo como se estivesse contando um segredinho entre eles. Puxou o Min pelo braço, ele parecia empacado ao lado das grades — E se a gente comprasse um skate pra você? — Eu prefiro ficar só olhando. — Mas eu quero que você tente! Jeongguk estava estranho, sendo mandão e birrento, como um adolescente inconsequente e rebelde. E talvez se parasse por um minuto, poderia lembrar-se que o Jeon tinha apenas 20 anos, que ainda era jovem e gostava de fazer coisas de jovem. Ou apenas estava sendo chato para enxota-lo, mas não era como se Yoongi fosse desistir dele na primeira surpresa que tivesse. Havia uma espécie de lojinha por ali, onde se fazia a manutenção dos skates e onde eram vendidos também. Se animou mais com a animação que Jeongguk tinha em lhe mostrar os skates, dizendo para que ele escolhesse um, lhe mostrando modelos diferentes, com cores e desenhos. — Olha esse aqui, é a sua cara. — dizia enquanto mostrava o desenho simples e sério que havia em um deles — Bem de tiozão. O mais velho revirou os olhos, o Jeon havia começado com essa história de tiozão apenas para o deixar irritado, escancarando a diferença de idade que havia entre eles. — Eu vou ficar com o colorido. — foi o que o mais velho disse, puxando um skate de aparência mais jovial e cheio de cores — E eu não sou um tiozão. — Vestido desse jeito parece um velho. — o provocou — Deixa eu dar um jeito nisso. O mais novo pegou sua camisa xadrez, que estava presa em sua cintura, a amarrando na cintura do Min. Abriu um ou dois botões de sua camisa preta social e também abriu os botões do pulso, o que acabou deixando Yoongi nervoso, ele havia se aproximado demais. As mãos grandes do Jeon bagunçaram seu cabelo, e o rapaz sorriu como se aprovasse o que ele mesmo havia feito. — Assim não parece que tem mais de 30. — ele não perdia a oportunidade de o irritar — Mas com essa carinha fofa engana qualquer um. — apertou as bochechas do menor, amassando seu rosto e se divertindo com a careta que ele fazia. Yoongi possuía uma aparência infantil, independente de que idade tivesse, aquela pele branca e o sorriso que mostrava a gengiva lhe deixava fofo, ao ponto de qualquer um querer aperta-lo, e estando naquele momento tão livre, onde fazia o que quisesse, Jeongguk estava se aproveitando. Mesmo que Yoongi acabasse irritado, o importante era que ele soubesse quem ele era de verdade. Se encaminharam para o caixa, onde um homem gordo e cheio de tatuagens estava, olhou estranho para Yoongi, mas sorriu e cumprimentou Jeongguk com um soco fraco, o que era o suficiente para Yoongi não entender e alargar os olhos vendo os dois conhecidos se cumprimentarem com uma espécie de briga ensaiada. — E quem é esse aí? — apontou com o queixo para Yoongi, que ainda os olhava de olhos saltados — Nunca o vi por aqui antes. — Ah, esse? — o Jeon passou um de seus braços ao redor do pescoço do Min, sorrindo de lado — É o meu namorado, uma gracinha, né? — e não perdeu a oportunidade de apertar suas bochechas novamente. O homem arqueou uma de suas sobrancelhas, não estava muito crente no que o Jeon havia dito, mas também não fez nenhuma pergunta, nem mesmo quando viu o cartão de crédito do Min, dourado e de um desses bancos que só atendiam pessoas ricas demais, e nem questionou se era mesmo dele. Os dois saíram da lojinha, com Jeongguk ainda pendurado em seu pescoço, mas Yoongi andava longe de achar isso r**m, qualquer aproximação vinda do mais novo já significava um grande avanço. Justamente vindo de alguém que nem queria olha-lo hoje mais cedo. — Por que disse que eu era seu namorado?   — Ué, e você não é? Não conseguiu conter o pequeno sorriso que surgiu no cantinho de sua boca ao ouvir aquilo, não entendia exatamente o que ele realmente queria dizer com aquilo, mas não era como se fosse ficar questionando. Talvez aquele fosse o outro lado da moeda, o lado B da história, onde Jeongguk ditava o ritmo das coisas e mostrava o seu jeito de estar com alguém. Sem viagens caras, sem passagens de avião, sem apartamento luxuoso. Yoongi ficou sentado em um cantinho, com seu novo skate, ao qual não sabia se seria usado um dia ou não, enquanto observava Jeongguk ir de um lado para o outro, fazendo manobras as quais nunca saberia sequer dizer o nome. Por mais que não estivesse fazendo nada, só o fato de estar vendo o Jeon já o fazia se senti bem, saber que estava ali com ele já fazia a sua noite valer. Observava o jeito do rapaz, e as vezes que cumprimentava um rapaz ou outro, e também algumas garotas que estavam por ali. Uma moça sentou ao seu lado, fazendo com que Yoongi afastasse um pouco no banco, para dar mais espaço para ela. A moça inflou as bochechas e em seguida deixou a cabeça cair para o lado junto com seus cabelos, longos e ruivos. — Queria andar também, mas meu namorado nunca me ensina. — ela choramingou — Isso é tão injusto. — a garoto empurrou seu ombro, apontando para os garotos na pista — Qual deles é o seu? Talvez Yoongi estivesse sentado justamente no banco dos namorados que só estavam ali para olhar mesmo. — O com a camisa do Bob Esponja. — O Jeon? — ela pareceu surpresa — Você tem sorte, ele é um cara legal. Yoongi sorriu para si mesmo, era bom ouvir isso de alguém que não estivesse apaixonado por ele, como uma espécie de confirmação. Jeongguk apareceu minutos depois, o puxando com uma determinação palpável, tentando a todo custo convence-lo a tentar também, e o pior era que até a garota estava o incentivando a ir, dizendo que se seu namorado fosse paciente para ensina-la, ela também tentaria. Mas o que fez o Min criar coragem, foi aquela frase: — Está com medinho, Yoon? Depois dessa, o menor o empurrou para o lado, colocando o skate no chão, e com determinação nos olhos, subiu encima do dito cujo, se sentindo confiante por três segundos, até a realidade o atingir em cheio, e ele se desequilibrar caindo de b***a no chão. A careta de dor foi imediata, juntamente com a risada do mais novo, que nem se esforçou para não rir. — Não ria, meu bumbum está doendo! O rapaz se agachou ao seu lado, segurando seu rosto enquanto mordia o lábio inferior. Era proposital para f***r com seu psicológico já afetado, e era nessas horas que Yoongi se perguntava quais eram as reais intenções do Jeon com ele. — Não é como se você não aguentasse uma dorzinha na b***a. — o provocou só para vê-lo ficar vermelho. Seu rosto estava todo corado, ao ponto de se encolher quando Jeongguk passou o braço ao redor de seu pescoço novamente. A garota achava aquela cena muito fofa, teria fotografado se estivesse com seu celular em mãos. — Vamos embora, você precisa acordar cedo amanhã, não é? Praticamente sendo arrastado pelo mais alto, Yoongi foi com ele até onde haviam deixando o carro. O mais novo se jogou no banco do passageiro, enquanto Yoongi dava partida para sair dali. Não conversaram muito durante o caminho até o prédio onde o Jeon morava, dentro daquele carro ouvia-se apenas a música tocada na rádio que Jeongguk havia sintonizado. Os jovens rebeldes gostavam de Rap. Parou o carro diante daquele prédio simples, destravando as portas para que o rapaz pudesse descer. — Você gostou? — o Jeon perguntou antes de sair. — Eu me diverti muito, mesmo que eu tenha ficado só sentado e tenha caído na primeira tentativa, só o fato de ter estado com você já valeu à pena, e tornou essa noite uma noite única. — Você é tão brega. — o mais novo deu por resposta, rindo baixo. — Amanhã vou te levar num lugar bem maneiro, tenta não se vestir como um tiozão, pra ninguém achar que você é o meu pai. Até mais, Yoongi. Jeongguk saiu do carro, deixando um Yoongi que estava ainda mais confuso do que antes, com um monte de indagações na cabeça e se perguntando no que aquilo os levaria. E não, não importava o que viesse a ocorrer, ele não iria desistir de Jeongguk, estava disposto a conhecer quem o Jeon era de verdade. Apenas um garoto de 20 anos.
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