Aluga-se Uma Vontade

2465 Words
Jeongguk havia levado Yoongi em uma lanchonete, o tipo de lugar que o Min não costumava frequentar, por julgar não haver nada saudável e nem de boa qualidade em um lugar como aqueles. A ideia de alguém se alimentando com comida processada o tempo todo parecia apavorante, por mais saborosa que aquele tipo de coisa fosse. — E aí, Yoongi, você gostando tanto de mim quanto gostava do Mr. Rabbit? Para ser mais sincero, Jeongguk esperava que Yoongi já tivesse desistido, que o encanto houvesse acabado no primeiro momento em que ele abriu a boca, de fato, ter Yoongi ali ainda por perto era sim uma grande surpresa e algo completamente inesperado para ele, o que o deixava em alguns momentos sem ter muita reação, e confuso quanto ao que fazer a seguir. Ser ele mesmo e ainda ser aceito pelo Min era algo que em outro momento não conseguiria imaginar. — Eu me apaixonei pelo seu sorriso e pela forma que me deixa feliz quando estou ao seu lado. — essa foi a resposta do mais velho, que insistentemente tentava tirar o restante da gordura que ficara presa em seus dedos com o guardanapo — E isso ainda é você. Os olhos do mais novo se desviaram para a esquerda. — Não sou aquele personagem perfeito. — ele soltou, sua voz estava baixa e um pouco vacilante, quase como se dizer aquilo fosse um incômodo. — Você está sendo real, e isso é o que torna isso perfeito. — Você é tão brega. Yoongi sempre acabava rindo quando Jeongguk se referia a ele como brega, ou como velho. Ele conseguia ver que isso lhe servia como um limite, um recurso que o mais novo utilizava para lembrar-se o tempo todo da condição de ambos, e de alguma forma o manter longe. Nisso, o Jeon mostrava suas fraquezas e reais inseguranças, como se de alguma forma confessasse que estava temeroso quanto a algumas coisas. Bem diferente de quem o Mr. Rabbit era. — Está na hora de irmos, deixa que dessa vez eu pago a conta. — disse o mais novo, abrindo sua carteira e chamando o garçom. O Min ficou quieto enquanto o moreno pagava a conta diretamente com o garçom, lhe dando uma boa gorjeta e ainda sorrindo para ele, gostava de ver o quão simpático e gentil o Jeon era com as pessoas, lhe passando uma imagem de uma boa pessoa que ia além do personagem. — Não precisava pagar tudo sozinho. — O cavalheiro paga a conta de sua dama, não é? — o mais novo brincou, estendendo sua mão para que o Min a segurasse. Era um capricho que o Jeon deixou passar, Yoongi gostava de estar de mãos dadas, e aparentemente por continuarem com uma espécie de “namoro”, Jeongguk não via problemas em estar com ele. Talvez Yoongi não entendesse muito bem o que estava acontecendo, por mais que no fundo gostasse de ser tratado como um namorado pelo mais novo, o Min ainda não entendia o motivo dele o tratar assim. Quando o Jeon disse que os dois precisavam se conhecer de uma maneira mais real, ele esperava que tudo começasse do zero, e ambos fingissem que nem sequer se conheciam, apagando tudo o que havia acontecido antes. Mas não, Jeongguk sempre fazia menção ao passado, como se ao invés de estarem começando de novo, estivessem apenas em um capítulo dois de uma mesma história. E ele não sabia se isso seria bom ou não. — Eu posso dirigir o seu carro? Não era como se Yoongi fosse capaz de dizer não. Eles ficaram em silêncio a maior parte do caminho, quer dizer, Yoongi ficou em silêncio, porque Jeongguk estava tagarelando o tempo todo sobre um carro que havia feito um teste drive e queria muito compra-lo, mas se gastasse o seu dinheiro com algo do tipo, acabaria se dando no fim do mês. O Min queria ter dito que poderia comprar para ele, mas no fundo ele sabia que oferecer algo tão caro poderia gerar um certo constrangimento entre eles. Isso, ou Yoongi tinha medo de que o Jeon aceitasse, e se mostrasse ser o tipo de pessoa que não se importa em ganhar coisas caras desse tipo, afinal, o mais ainda queria manter a imagem de que Jeongguk era um rapaz de boa índole, e incapaz de se aproveitar da paixão alheia. — Chegamos. — o mais novo anunciou de uma forma um tanto animada demais. — Você disse que me iriamos nos divertir essa noite. — Yoongi reclamou em vista de onde estavam — Esse é o seu prédio. O Jeon revirou os olhos, abrindo a porta do carro e saindo do mesmo, enquanto Yoongi fazia a mesma coisa, mesmo que não estivesse entendendo muito bem de terem voltado para ali. Ainda não estava tão tarde da noite, eles poderiam muito bem fazer qualquer outra coisa. E o Min queria saber o motivo do mais novo estar o levando para o seu apartamento. Talvez fosse inocência sua, ou simplesmente fosse algo tão sem lógica, que quando o Jeon trancou a porta atrás de si ele não conseguiu desconfiar de nada. Na cabeça de Yoongi, o motivo de Jeongguk estar tirando a camisa, era porque o rapaz precisava se trocar para irem sabe-se lá onde. — Vem cá, Yoongi. Tinha que confessar que foi tomado por um nervosismo inesperado no momento em que o Jeon bateu em sua coxa esquerda, obviamente esperando que ele se sentasse ali. E segurando as súbitas borboletas no estômago, o menor foi até ele, ficando de costas e se sentando sobre as coxas macias do mais novo. Não foi preciso nenhuma cerimonia ou enrolação para que Jeongguk enfiasse uma de suas mãos dentro da camisa do Min, espalmando-a sobre sua barriga e massageando sua carne com os dedos. Não demorou muito para que sentisse os beijos molhados do mais novo sobre a pele de seu pescoço, arrepiando os pelos de sua nuca e amolecendo ainda mais as suas pernas. — Sabe o eu mais gosto em você, Yoongi? — ele o questionou, diretamente em seu ouvido, não esperando por uma resposta — Você é tão pequeno, tão leve e fácil de ser maleado, e a sua pele é tão clarinha, perfeita para ser marcada em todos os cantos. Era impossível não sentir todo o seu corpo esquentando, especialmente com Jeongguk deslizando o nariz por sua nuca enquanto o abraçava pela cintura. E se não estivesse tão sem fala, Yoongi teria dito que sua parte favorita em Jeongguk era como ele conseguia aquecer seu corpo e seu coração ao mesmo tempo. Certamente o Jeon diria que ele era brega. — Jeongguk... — o Min queria dizer alguma coisa, mas a sensação que tomou conta de seu corpo no momento em que o mais novo esfregou a ponta de um dos dedos sobre seu mamilo esquerdo. Merda! Ele estava tão sensível — Eu quero... — Xiii. — o som veio diretamente em seus ouvidos, junto com o hálito quente — Sou eu quem dita as regras agora. Yoongi sentiu o ar ficar rarefeito, não imaginava que ouvir isso vindo do Jeon fosse o deixar tão... e******o. Talvez fosse pelo seu costume de estar sempre mandando em todo mundo, que simplesmente o mandarem se calar o deixava assim um pouco sem saber como reagir, e ao mesmo tempo ansioso pelas coisas que viriam depois. Ansioso, talvez essa fosse a palavra certa. Quando sentiu as mãos do Jeon abrindo o zíper de sua calça, seu reflexo foi colocar as mãos sobre as dele, como se quisesse o impedir, ou apenas estivesse surpreso demais. Mas o Jeon afastou as mãos de Yoongi e puxou seu peito para trás, para que o menor depositasse seu peso sobre ele. Conseguiu abrir o zíper da calça, e mesmo tenso, Yoongi não relutou mais. Seu corpo estava formigando, e quando o Jeon começou a massagear seu m****o ainda semiereto, o menor sentiu como se estivesse sendo tocado por brasas vivas. Aquelas mãos estavam quentes, quase tão quentes quanto o hálito sussurrado em seu ouvido com frases sujas e de apenas um sentido. O errado. — Fala pra mim que sentiu falta dos meus toques. Ele sabia que aquilo não era um pedido, e quanto mais demorava para responder, mais lentos e torturantes os movimentos das mãos do Jeon ficavam. — E-eu senti. — O quanto você sentiu? — M-muito. O corpo do mais velho estava cada vez mais mole e mais entregue, sua boca se entreabria buscando por ar enquanto ele sentia o quarto ficar menor e cada vez mais abafado. Se esforçava para conseguir tirar seus sapatos, pois seus dedos se apertavam enquanto se contorciam presos ali. Soltou um gemido baixo quando o moreno mordeu o lóbulo de sua orelha com certa força, seus dedos se prendiam cada vez mais nos lençóis azuis da cama enquanto o Jeon fazia movimentos cada vez mais rápidos — e tão precisos —, para cima e para baixo, de uma forma a fazer o menor sentir seu peito explodir e sua cabeça girar, se sentir todo, quente e perdido naquele visto de sensações, que iam de fisgadas à choques fortes que transpassavam todo o seu pequeno corpo.   Seu corpo sensível se perdia naquela sensação tão boa, suas pernas estavam tremendo, e não demorou muito até que se desfizesse nas mãos grandes do Jeon. A sensação indescritível de prazer veio junto do gemido alto e sem condição nenhuma de ser evitado. — Tão rápido. A respiração do Min estava ofegante demais, ele não conseguia responder nada, apenas ficar com seu rosto ainda mais vermelho. — Você já sabe o que tem que fazer. Yoongi seguiu para o banheiro, ele já sabia o que fazer. Mas isso não significava que seria algo rápido, pra falar a verdade ele demorou muito, e boa parte do tempo se resumiu em ficar parado diante do espelho se perguntando se estava fazendo a coisa certa ou não. Porque Yoongi sabia que seu coração estava pior, que Jeongguk o deixar entrar em sua vida pessoal só o fazia querer ainda mais estar com ele. O fato era que Yoongi foi baleado no momento em que Jeongguk o deixou, e agora estava vivendo aos tropeços, segurando-se nas paredes para não cair, aquele sentimento impuro errado pesada tanto em seu peito que ficar de pé se tornava cada vez mais difícil. E se envolver mais com o Jeon só o fazia receber novos golpes, e se sentir mais frágil por dentro e por fora. Mas pior do que dormir com o mais novo naquela noite, era não dormir e perder o que provavelmente poderia ser sua única chance de prova-lo de novo. Quando saiu do banheiro, já sem roupas e completamente vermelho por estar assim, Yoongi encontrou Jeongguk deitado sobre a cama, também sem roupas e com um olhar impaciente. Era ainda mais constrangedor olhar o mais novo daquela maneira, e o pior de tudo era que o Jeon parecia não ter vergonha nenhuma de ficar assim, como se para ele ficar nu diante dos olhos de outra pessoa fosse simples e comum. Mas era mesmo. — Já estava cogitando a ideia de que você tivesse fugido pela escada de incêndio. — E por que eu fugiria? O Jeon bateu no espaço ao seu lado, esperando até que bem devagar o menor fosse até ele, engatinhando pela cama até parar bem ali onde ele havia apontado. Yoongi estava pronto para sentar-se sobre o abdômen do mesmo, mas foi impedido, tudo foi tão rápido, quando percebeu o moreno já estava sobre seu corpo, com uma das pernas entre as suas e o rosto muito perto. Os braços do rapaz o prendiam ali, o mantendo abaixo dele, dando espaço para que olhasse apenas para ele. — Você não tem motivos pra fugir, não é? — uma das mãos grandes do Jeon acariciou a bochecha esquerda do menor — Afinal, você me ama, não ama, Yoongi? Os olhos do Min estavam congelados, seu coração estava ardendo, doendo de uma forma que nunca havia sentido doer tanto antes, se sentia sufocado. Queria chorar.    — Diga que me ama, Yoongi. — Por que está fazendo isso comigo? — o menor perguntou com uma voz presa, seus olhos estavam marejados e tremiam como se estivesse assustado. Jeongguk estava o assustando. — Você sempre gostou quando eu dizia que o amava. — o respondeu, limpou a primeira lágrima do Min com um dos dedos. Seu coração doeu de uma forma estranha quando o viu chorar — É que eu também gosto quando você diz que ama. Aquilo deixou Yoongi ainda mais assustado, surpreso até demais, Jeongguk dizer aquilo era um passo que ele não esperava que fosse dado tão cedo, era o mais perto que ele já havia chegado de relevar o que sentia. Jeongguk fazia tanto segredo de seus sentimentos, que ouvi-lo dizer que gostava de ouvir ser amado era dar um pouco de esperanças para Yoongi. Que tanto queria saber o que se passava com ele. — Sinto que se eu disser que te amo e não ter uma resposta, meu coração vai explodir. Jeongguk não podia tortura-lo mais, isso seria desumano. E ele não gostava de ferir Yoongi, ele não era tão forte assim com Yoongi, aquela pose de quem não se importava não durava muito tempo. Yoongi conseguiu abraçar o mais novo pelo pescoço, puxando-o para baixo para que finalmente pudesse o beijar como tanto queria fazer. Ele não queria mais ter nenhuma conversa, sentia que nenhum assunto seria bom para o seu coração naquele momento. Não demorou nem dois segundos para o Jeon corresponder ao seu beijo. E até o beijo de Jeongguk era diferente do beijo do Mr. Rabbit, eram mesmo seres distintos, e talvez esse fosse o ponto chave para Yoongi atravessar a linha fina que existia entre o personagem e a pessoa real. Jeon Jeongguk não era o Mr. Rabbit. Jeon Jeongguk era uma pessoa completamente diferente, era uma pessoa com sentimentos, com vontades, com sonhos e esperanças. Jeon Jeongguk não era perfeito como o Mr. Rabbit era, Jeon Jeongguk não era um brinquedo, não era... um personagem. — Para! — subitamente o menor o empurrou com toda a força que ainda tinha em seus braços. Jeongguk o encarou sem entender por alguns segundos, enquanto Yoongi respirava com dificuldade e o encarava como se ambos fossem monstros dos pesadelos um do outro. Foi somente naquele momento que o Min se sentiu realmente o vilão da história, finalmente se dera conta de que não estava pensando em Jeongguk, estava pensando apenas em si, pensando apenas no que ele sentia, sem se perguntar o que o mais novo realmente queria, realmente sentia. — Jeongguk, o que você realmente quer?
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