17 Dean

1435 Words
Espera. Demora. Tempo em câmera lenta. Três longos dias, ou três longos anos, qual a diferença? Desde que voltei para a escola, ela nunca faltou um único dia e agora simplesmente fazem três dias que não ouço sequer o nome dela. O que aconteceu? Passei literalmente maioria do tempo olhando para essa porta na esperança de que ela passe por ela, eu realmente estou esperando por ela? Não queria admitir, mas a súplica por querer vê-la é tanta que ja admiti para mim, mas jamais admitiria em voz alta. — Você não vem? — Killer questiona aparecendo na porta depois de ter saído primeiro e eu não ter aparecido em seguida onde ele estava. — Não. — Respondi um pouco seco e meu tom de voz saiu baixo. Killer balançou os ombros e então saiu dalí. Eu fiquei alí. Continuando com o que estava fazendo, olhando para a porta feito um i****a, um cachorro que caiu da mudança. — O que aconteceu, Dean? Está tão sofrido esses dias. — Uma das meninas brincou com ironia na voz. — Estou com sono. — Forcei um riso. — Virou a noite jogando, não é? — Não, só tive insônia mesmo. Ela riu e saiu da sala. Olho em volta e estou fazendo companhia a algumas meninas tímidas que não gostam de sair pelo colégio, mas não é a que eu queria estar fazendo companhia. Então ouço uma risada. Parece a risada dela, tipo... Parece muito com a risada dela, e está conversando alto como ela costuma conversar. É a Ruby, sei que é. Ergui a cabeça para cima encarando a porta como se fosse morrer se não a encarasse, estou esperando ansiosamente para que quem está falando alto desse jeito apareça alí. Até que aparece, e meu rosto trava. Também estava esperando para me ver, Ruby? Por que seu olhar veio diretamente para o meu como se já estivesse me procurando? Isso, não desvie. Me olhe desse jeito, não desvie em nenhum momento, firme os olhos nos meus. Não consigo evitar um sorriso de canto, e quando ela me olha sinto seu corpo estremecer, não preciso estar próximo dela para perceber. A vejo caminhar até o seu lugar em câmera lenta, devagarinho como se realmente o mundo estivesse em câmera lenta. Ela não vai fugir de mim, sei que não vai. Ruby não pode fugir de mim, e eu não deixaria, porque é divertido tê-la por perto e eu gosto de vê-la tentar me afastar. — Quem? O Killer? — Abby questiona olhando para Ruby, mas ela está me encarando e não a ouve. Olho para Abby e em seguida para Ruby e ela desperta encarando a amiga em seguida. — Hum? — Era sobre o Killer que você falou? — Abby questiona. Killer Killer Killer Killer Killer Killer, sempre Killer. É meu amigo também, mas já estou perdendo a paciência. Por que sempre ele? Por que ela não pode ter um outro amigo homem? — Era. — Ruby responde abaixando a cabeça e sentando na carteira ficando de costas para mim agora. Ela está de volta, ela voltou. De repente, tudo parece melhorar. Passei os último dias sentindo como se tudo estivesse indo de m*l a pior, como se tudo estivesse contra mim e estivesse muito r**m, mas agora tudo parece ter melhorado. — Boa tarde, turma! — Vera entra já nos cumprimentando, mas se assusta quando vê tão pouca gente na sala. — Onde estão os outros? — Devem estar passeando por aí. — Respondi. — Não me viram passar, será possível? — Pousou a mão na cintura indignada. — Alguém pode ir buscar o datashow lá na biblioteca? Não consegui trazer sozinha, vim cheia de coisas hoje. Levantei devagar caminhando na direção dela que ficou me esperando enquanto eu me aproximava, é claro que ela me chamaria. Sou o único homem que está na sala e o mais extrovertido. Os professores tem essas manias para ajudar eles, chamam o aluno mais "para frente". — Eu vou precisar que mais um vá, para trazer os livros. — Vera pediu. Nenhuma das meninas se pronunciou, Ruby apenas me olhou e virou novamente para trás. — Vá lá, Abby. — Vai, Ruby. — Abby deu um tapinha no braço de Ruby. — Ela mandou você. — Ruby sussurrou mas ainda era possível ouvir. — Mas eu não quero passar pelo corredor, está cheio de pessoas lá. — Abby sussurrou de volta. Então Ruby levantou e caminhou em direção à porta. Sorri minimamente a encarando enquanto ela passava por mim, ela me olhou com seu olhar neutro que não me deixa saber o que pensa. — Quais são os livros? — Ruby perguntou escorada na porta. — São uns que vocês não tem em casa, pergunte lá que ela vai saber. — Vera respondeu. — Vão lá e chamem os outros para a sala! — Ela gritou quando já estávamos quase virando o corredor. Colégio grande, nunca fiquei tão feliz com isso. Mas Ruby está praticamente correndo de mim, está andando em passos fundos e ligeiros. — Está com medo de mim, Ruby? — Repeti a frase de antes fazendo com que ela pare e fique alí diante de mim a alguns passos de distância. — O que você quer de mim, seu i****a? — Então ela correu em minha direção agora, ficando de frente para mim me encarando como se pudesse me intimidar. — O que eu quero de você? — Questionei deixando meus olhos passearem por ela dos pés a cabeça. Ela levanta a mão já pronta para tentar me dar um tapa, mas não permito segurando sua mão antes que ela pudesse me acertar. — "Não me toque", também vale para seus tapas. — Ironizei. — Também vale para segurar meu braço. — Ela retruca. Encaro os traços do seu rosto, todos delicados e bem marcados. Pele limpa, toques suaves e macios, lábios que brilham. — Qual batom você usa? — Questiono quase em um murmuro. — Não uso batom, i*****l. — Não? — Encaro seus olhos castanhos dando passos para frente e a sinto recuar, mas não paro de caminhar e nem ela de me encarar, gosto disso. — Se chama gloss. — Sussurra com a voz calma enquanto olha para a minha boca. A encurralo contra a parede no meio do corredor vazio, e o mundo inteiro em nossa volta some em um passe de mágica. — Tem sabor? — Por que? Quer comprar um para você? — Ironiza em um sussurro. — Não. — Balanço a cabeça negando com um sorriso pequeno. Toco a lateral da sua bochecha, deslizando o indicador até o seu queixo fazendo com que ela olhe para cima onde meus olhos estão. — Porque quero saber qual o sabor da sua boca. — Que cantada r**m. — Ironiza rindo sem humor roçando a ponta do seu nariz no meu, meus olhos fecham de imediato. — Estranhamente parece que funciona com você. — Você já sabe, não descobriu a força outro dia? — Ruby pergunta me fazendo encarar seus olhos. — "A força"? Não me pareceu a força, me puxou contra você como se eu fosse fugir e retribuiu. Não sente vergonha por mentir? — Eu pedi para não me tocar, e você tocou. — E estou tocando novamente. — Falei como se fosse um desafio deslizando a mão pela lombar dela, com a ponta dos dedos um pouco para dentro da sua calça jeans. — Está tentando levar outro tapa? — Estou tentando conseguir outro beijo. — Roço seus lábios nos meus mas ela vira o rosto me fazendo afastar um pouco e encará-la. — É isso o que quer de mim? — É. — Murmuro tão baixo que ela só consegue ouvir por causa da proximidade. Seguro seu rosto com uma mão e a encurralo contra a parede com meu próprio corpo, para que ela não consiga fugir de mim. Quando encosto nossos lábios sujando os meus com o líquido brilhoso dos dela escuto passos e conversas vindo do corredor. Ruby me empurra com brutalidade fazendo com que eu quase bata na parede do outro lado. Encaro a direção de onde as vozes surgiram e então logo aparecem algumas pessoas que estudam na nossa turma. — A Vera já entrou na sala? — Uma das meninas questiona para Ruby. — Sim, já faz um tempo. — Ruby responde com o tom um pouco nervoso. — p**a merda! — A menina praguejou e então saíram correndo. Ruby e eu ficamos sozinhos novamente nos encarando, mas não durou muito já que ela voltou a andar na direção da biblioteca.
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