Prólogo
Coloco a última travessa de bolo sobre a enorme mesa que se estendia por toda a sala de jantar. Pisco, enquanto umideço meus lábios e seco a minha testa um pouco molhada pelo suor.
Eu estava nojenta. Mas, tinha acordado as cinco da manhã para manter tudo pronto para o meu marido, Sebastian West.
— Humpft! — minha sogra, Polly resmunga antes de se sentar na mesa. — você está nojenta.
Abaixo os meus olhos. Meu pijama estava sujo e meus cabelos claramente desgrenhados.
— como meu filho pôde se dar ao trabalho de se casar com uma mulher como você? — Ela dá uma risada debochada. — vá tomar um banho, você fede.
— Desculpa, senhora Polly. — murmuro, envergonhada e, com passos largos, me arrasto para o meu quarto no segundo andar.
Eu estremeço ao abrir a porta e encontrar Sebastian ainda dormindo. Ele é tão bonito. Chega a dar gosto vê-lo de olhos fechados e expressão serena.
Estamos casados a um ano inteiro e sinto que, de alguma maneira, podemos dar certo algum dia… algum dia!
Momentaneamente, meu marido é indiferente a mim e ao nosso relacionamento. Sinto que posso morrer por ele, mas ele nunca faria o mesmo por mim.
Engulo em seco, enquanto ando para o banheiro, pronta para tomar um banho e aparecer renovada. A sua mãe, minha sogra, foi a única que me viu no meu estado deplorável das manhãs.
Ela era a primeira a acordar e ficava na mesa de jantar até que a empregada aparecesse e chamasse os outros.
Eu nunca me importei em montar uma ótima mesa de café da manhã para toda a família. Era o que eu gostava de fazer e era o que a minha família tinha me ensinado, no entanto.
E mesmo que hoje não tenha contato com nenhum deles, sinto falta de como nossa dinâmica era amorosa — diferente dessa casa e dessas pessoas.
Urgh! Penso em todas as coisas que aguento para estar com Sebastian e quase posso chorar. Me lembro de sua mãe, que na semana passada me acertou um tapa por quebrar, sem querer, uma taça de cristal.
— isso é mais do que você vai poder pagar em toda a sua vida. Inútil, imunda. — Suas palavras ainda ecoam na minha cabeça.
Isso, às vezes, me faz querer sumir e nunca mais olhar para trás. Sinto que ele não merece mais a minha dor, mas o amo e não quero deixá-lo, não sem tentar primeiro. Não sem que ele me enxergue.
Me enfio em um vestido bonito e florido — ele me elogiou por usá-lo a dois meses — e por isso, faço questão de colocá-lo novamente.
Penteio meus cabelos. Passo perfume, desodorante, um corretivo nas olheiras e um bocado de manteiga de cacau nos lábios.
Abro a porta e saio do banheiro. Sebastian está sentado na cama, seus olhos piscam lentamente e ele os coça. Seu pijama de seda o deixa ainda mais bonito.
— Bom dia, Sebby. — Paro ao seu lado, dando uma risadinha. — Pronto para começar o dia?
— Você não dorme? — Ele empurra o cobertor para longe, enquanto se levanta e se arrasta até o banheiro.
Eu junto meus dedos nas costas e mordo a minha bochecha. aí está! Seu belo humor matinal. — Fiz o café.
Ele para na porta do banheiro e aperta o batente, enquanto se vira para mim. Seus olhos me estudam e posso ver uma faísca de raiva aparecer em seus olhos.
— Quantas vezes mais terei que repetir, Madge, você não é uma empregada. Pago gente o suficiente para que você não tenha que fazer essas coisas, — ele bufa e esfrega os cabelos. — eu só queria uma esposa normal! Que saco!
Ele bate a porta com toda a sua força, me fazendo pular no lugar que eu estava, de olhos arregalados o suficiente para assustar outra pessoa.
Eu não sei por qual motivo ainda tento. Três anos, três longos anos e ele não consegue me elogiar por nada.
Urgh! Que merda! Eu… eu estou tão quebrada e exausta!
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Me pergunto sobre isso, enquanto me sento na ponta da cama. Espero por ele e ele sai alguns segundos depois. Vestido, com seu terno sob medida e seus cabelos bagunçados.
— Sebastian, eu… — eu murmuro, enquanto me aproximo.
Ele me para. — conversamos depois.
Sebastian sai do quarto, me deixando sozinha novamente. O quarto parece pequeno e sufocante demais. Umedeço meus lábios.
O sigo, mesmo em silêncio. Sei que a minha presença o incomoda. Baixo meus olhos enquanto chegamos à sala de jantar — onde todos já estão — e me sento ao seu lado.
— O que a garota fez dessa vez? — , seu pai, senhor Frank pergunta.
Levo meus olhos a ele. Pisco uma ou duas vezes e volto a encarar Sebastian.
— Não comece, pai. — Sebastian é incisivo.
— Sua cara diz tudo! — Seu pai enfia um pedaço generoso de pão na boca. — Acho que seu mau humor não é culpa de Madge, e sim da sua amargura. — Engole. — Inclusive, Madge, está maravilhoso… como sempre.
Sebastian bate os dedos na mesa e eu pulo no meu lugar, enquanto ele me encara. — eu já disse, você não é uma empregada.
— está no sangue dela, Sebastian. — A mãe me cutuca.
— eu não me importo com o que está no sangue dela, eu… — Sebastian para abruptamente de falar quando Rachel apoia a mão na sua
— Sebby, você está me assustando. — Ela faz bico.
Estremeço. Meus olhos se enchem de lágrimas e eu me encolho na mesa, encarando o meu prato cheio de comida.
— Eu perdi a fome. — Sussurro.
Me levanto, enquanto ando em direção ao meu quarto e me jogo no chão, completamente chorosa. Isso não é justo.
Não é justo. Não é!
Porque ele não pode me amar? Porque Rachel tem que estar no nosso caminho? Porque?
Eu sou tão desprezível assim? Sinto meu mundo desmoronar bem na minha cabeça e esfrego minhas têmporas.
— Ah, Sebastian, porquê me machuca tanto? — Pergunto a mim mesma.
No fundo, eu sabia qual era a resposta.
Ele era apaixonado por Rachel, sempre foi. Eles quem deveriam ser o casal, estou sobrando.