Capítulo 01

1105 Words
Rachel era a melhor amiga de Sebastian. Pelo menos, era isso que ele dizia para mim, mas a relação dos dois era muito mais complexa. Sebastian e ela tinha sido namorados na adolescência e noivos nos primeiros anos da fase adulta. E então, Rachel sumiu do mapa e nunca mais apareceu. Ela retornou no dia do meu casamento com Sebby e nunca mais foi embora, inclusive, roubando o apelido que eu dei a ele carinhosamente — e que ele parece não se lembrar. Não sei o que ela tem, mas disse que retornou doente e desde então, a vida dele gira em torno dela e de suas necessidades. Considero injusto, me sinto jogada de escanteio, mas no final, não tem nada que eu possa fazer para mudar a situação. Eu e Sebastian estamos completamente de mãos atadas. Eu me encolho na cama e me jogo para trás, batendo as minhas costas contra o colchão. Meus olhos seu prendem no teto e eu suspiro. Por mais que eu tente ser uma inútil nessa casa, não consigo. Sebastian não gosto do meu jeito, da minha comida, resmunga sobre as roupas que usa e diz que eu deveria ser mais como Rachel. O que ele não entende é que faço de tudo para não ser como Rachel. A acho vazia e sem conteúdo. Sei que não sou grande coisa também, mas certamente, posso ter uma conversa sem envolver futilidades. No final, não sei se Rachel também. Nunca vou saber. A odeio e por isso a ataco. Penso em como ela é mesquinha, i****a, burra e uma ladra de maridos, mas tudo isso… porque eu sinto uma dor intensa e por culpa do homem que amo. Será que ele se importaria se eu dissesse que ele está me magoando? É claro que não. Você é mesmo uma i****a, madge.> A porta do quarto abre e Sebastian entra. Ele não me encara, mas observo pegar as suas coisas sobre a mesinha de cabeceira. — onde vai?—, pergunto. — Tomar sorvete com Rachel, — ele responde, a contragosto. — Posso ir também? — me sento, esperançosa. — Não, Rachel prefere que você fique. — Sebastian resmunga, meio a contragosto. — Ah! — Abaixo meus olhos para os meus dedos. — Eu sou mesmo patética. — O que está falando ?—, Sebastian para e me encara, falando. — Acharia normal se eu ficasse andando por aí com algum amigo? Se o levasse como se fosse meu marido e rejeitasse você? — Digo, entredentes. Lágrimas escorrem pelo meu rosto, pingando em meu vestido. — Ah, Madge, pelo amor de Deus… —, Sebastian diz, enquanto esfrega os cabelos. — Não comece com esse seu escândalo! Não, não é justo comigo. Não quando eu deixei tudo muito claro desde o começo sobre a nossa relação… — O-o que está querendo dizer?—, engulo em seco, com medo da sua resposta. — Não me obrigue… — Ele começa a dizer, mas o interrompo. — Diga! Eu preciso ouvir. — Eu me levanto, parando na sua frente. — Eu preciso ouvir que não me ama, que me abomina. Diga! Ele para, fecha os olhos por alguns segundos e suspira. — Não te abomino, não te odeio, mas também não te amo. — Ele abre os olhos, me encarando. Seus olhos são duros em minha direção. — Acho que é hora de nós nos divorciarmos. Sinto meus joelhos cederem e caio na sua frente, enquanto as lágrimas grossas molham todo o meu rosto. O mundo parece sumir dos meus pés. — Sebby…— murmuro. — Não, não me chame assim!— Sebastian é duro com as suas palavras. — Eu vou entrar em contato com o meu advogado. fique tranquila, você não irá sair sem nada, eu prometo. E ele sai, sem me deixar dizer. O soluço sai pela minha garganta e tampo a minha boca para não gritar. Acabou! Acabou e tudo que eu fiz durante esses anos que ficamos casados foi em vão. Não me serviu de nada. Me levanto do chão depois de um tempo e ando, com passos um pouco tontos e tortos até o closet, pego as malas — as mesmas que trouxe e que nunca foram desfeitas —, me limitando a levar apenas aquilo que eu trouxe. As arrasto para fora do carro e agradeço por, a cada passo que dou, não encontrar ninguém da família. Ignoro o motorista e os seguranças enquanto deixo a casa para trás. Não vou mais permitir que eu passe por esse tipo de situação. Nunca mais. Eu não posso ser, para sempre, uma escrava do amor que sinto por Sebastian e se eu tiver que matá-lo a faca, o farei! Não posso ficar nem mais um minuto nessa casa, não posso mais. Não aguento mais. Estou a ponto de surtar! Aceno para o primeiro táxi que encontro e entro, entregando o endereço. Minutos longos se passam quando o carro para na frente da enorme mansão. Empurro para ele algumas notas de cinquenta dólares e volto a puxar as minhas malas. Os portões são imediatamente abertos assim que sou vista. A porta da frente já está aberta e o nome. Impotente me encara, com os braços cruzados e o olhar sério. — Eu sabia que você voltaria. — Ele diz, enquanto abre os braços para me receber. Pulo em seu abraço, chorando amargamente pelo amor que não deu certo. Pelo amor que me deixou um amargo na boca. Pela dor que eu estou sentindo. — Papai, me perdoe! — Imploro, enquanto o aque paperto. — Prometo nunca mais duvidar de você. — Não, não fique assim, querida. — Ele sussurra em meu ouvido. — Não se preocupe, seu pai está aqui agora! E estar nos braços do meu pai, do homem que me colocou no mundo e me deu todo o amor do mundo é, sem dúvidas, uma das melhores sensações do mundo. — Ele nunca mais vai fazer você chorar, Madge. — A voz do meu pai é grave e ameaçadora. — Eu não vou permitir! Nunca! E eu aceno com a cabeça, aceitando o seu amor e a sua proteção. No final, se eu tivesse o escutado, eu não passaria por nada disso. Eu não estaria tendo que conviver com a culpa que me corrói por dentro. Não era nada disso que eu esperava quando deixei meu pai, meus irmãos e meu sobrenome para conviver com Sebastian. Eu jurei que ele se apaixonaria por mim por quem eu era e no final, eu fui descartada como um pedaço de lixo. Eu devo mesmo ser uma tonta. Uma burra.
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