5 anos depois…
— É mesmo muita delicadeza da sua parte, meu irmão, mas é meio estranho eu chegar na festa ao seu lado. — Franzi o nariz, enquanto encarava Hunter. — não acha que vão achar que…
— Não importa o que digam, querida, nós vamos entrar juntos. É sua grande estreia na família. — Ele me gira, me obrigando a olha-lo. — Veja como a minha garotinha cresceu!
— Não, não! Temos quase a mesma idade. — Rio.
— Ainda sou o irmão mais velho. — Hunter diz, enquanto me sento no banquinho.
Ele se aproxima e toca em meus cabelos. Seus olhos têm uma admiração e um brilho que eu só tinha experimentado quando o meu pai olhava para mim.
Hunter e meu pai não precisaram fazer muito para que eu me arrependesse do meu casamento. Eles apenas foram eles mesmos, me dando todo o amor e dedicação existente.
Sebastian tentou me dar muito dinheiro, mas não aceitei um centavo e sumi do mapa, nunca mais dando espaço para que ele me encontrasse.
Passei os últimos anos estudando e viajando na Europa e agora que estou de volta, meu pai finalmente, vai me apresentar como sua filha para o mundo.
Depois que a minha mãe morreu — enquanto me dava a luz — muitos rumores se levantaram. Muitas pessoas acreditavam que eu tinha morrido junto com ela e meu pai usou disso uma oportunidade para que eu fosse anônima.
Eu vivi uma vida ótima. Com amigos de confiança em casa e uma porção de viagens internacionais. Além dos melhores colégios para meninas.
No final, ninguém sabia quem eu era de verdade. Eu escondia esse segredo a sete chaves, como o último desejo da mamãe.
Hunter e papai contam que ela queria que eu aproveitasse e me apaixonasse, que eu vivesse e eu fiz tudo isso, realizei os sonhos dela e agora, corro atrás de sonhos que não sabia que tinha e agora existem.
O vestido preto que uso tem alças grossas e um decote no seio que os valorizam. É justo, apertado e valoriza as curvas do meu corpo, me deixando bonita, sensual e elegante.
Me sinto todas as minhas versões em uma hoje. Sorrio ao meu ver. Espalho uma camada generosa de gloss em meus lábios e me levanto, olhando para o homem parado ao meu lado.
— Você não precisa se envergonhar e nem pensar demais no que as pessoas vão achar, Madge. Você é minha irmã e eles são uns imundos. — Ele beija a minha testa. — Eu te amo
— Também amo você, Hunter. — Murmuro.
No final, ele era mesmo o melhor irmão do mundo. Eu não consigo deixar de ama-lo. Valorizo cada ato de amor que tem por mim, assim como o meu pai, e principalmente, agradeço imensamente por terem me aceitado mesmo depois da maneira brusca em que fui embora e os deixei.
Rejeitei o nome da minha família. Rejeitei a minha herança por amor a um homem que jamais me amou de volta.
(...)
A entrada das grandes portas do evento se abriram. O salão estava lindo e abarrotado de pessoas, meus olhos passaram por todo o salão.
As pessoas parecem parar para me encarar enquanto meus braços estão grudados aos do meu irmão.
Meus dedos apertam seu cotovelo e eu suspiro, cansada demais.
— Essa não é a ex-esposa de Sebastian Reed?
— Onde ela esteve durante todo esse tempo? —
— Ela é esposa de Hunter Mancini agora? —
Eu conseguia escutar cada um dos comentários enquanto íamos em direção a uma das mesas principais.
— Como uma família como Mancini aceita uma mulher como ela? —
— Ela é divorciada! —
As pessoas conseguiam ser más quando queriam e tinham convicções que deveriam caber apenas as suas vidas medíocres.
— Você está linda hoje. — , Duke Carter, meu melhor amigo disse.
— Obrigada. — Sorrio, enquanto o abraço carinhosamente. — Obrigada por ter vindo hoje, significa muito para mim!
— Eu não podia perder a ascensão da minha melhor amiga e mais, eu não poderia perder a cara da família… — , Duke engole as palavras e olha para os dois lados. — tudo que você sofreu será pago e com juros.
— Não quero cobrar essa conta, — suspiro pesadamente — não vale a pena — . Digo.
— Vale sim! — Duke sorri. — E você verá como vale…
Reviro meus olhos e me afasto dele, segurando a bolsinha minúscula entre os meus dedos e abrindo-a.
— Vou ao banheiro, estou nervosa. — Falo, enquanto dou uma risada alta.
(...)
Quando abro a porta da cabine, meus olhos param nas duas mulheres paradas na frente do espelho. Polly passa os dedos na ponta dos lábios e me encara de cima abaixo com certo desdém.
— Ah, você, — ela suspira. — Vejo que já arranjou um novo homem rico para bancar você.
Dou um sorriso debochado e reviro os olhos.
— Polly Reed, quanto tempo! — Digo, falsamente. — Rachel!
Rachel me analisa, seu olhar é o mesmo que o de minha ex-sogra. Quase reviro os olhos.
— Hunter Mancini! — Polly diz, batucando os dedos no mármore. — Você é mesmo ambiciosa, o meu filho não é o suficiente para você… o nosso dinheiro não foi o suficiente?
Eu a encaro.
— Você é mesmo tão prepotente, Polly. — Reviro meus olhos. — Eu não peguei um centavo da sua família, não levei nada, nem mesmo a minha dignidade que vocês fizeram questão de levar.
— Eu não tenho culpa que você agia como uma maldita empregada, — Polly debocha. — Você nunca esteve à nossa altura… como Rachel, por exemplo, que é a melhor chance do meu filho encontrar uma esposa.
— Espero mesmo que Rachel e Sebastian firmem um casamento, digo, achei que fariam isso imediatamente depois de termos nos divorciado, — a analiso. — Mas, parece que vocês ainda não se resolveram.
— Eu e Sebastian temos uma relação ótima, não precisa se preocupar, — Rachel me encara pelo espelho. — É idêntica a que tive quando ele estava casado com você.
— Ainda continua sendo a outra? Que triste. — , dou de ombros. — Deve ser mesmo muito chato vê-lo arrumando alguém e te colocando em segundo plano.
— Ele não tem… — , Rachel começa a falar, mas eu a interrompo.
— Não tenho tempo, tenho algo muito importante para fazer agora. — Jogo meus cabelos para trás. — Foi ótimo ter conversado com vocês e conhecido em algum época, acho que depois de hoje, vai ser difícil que eu tenha tempo para uma conversa novamente.