Capítulo 03

1502 Words
De alguma maneira, eu sentia que todos os olhos estavam em mim — antes mesmo de saberem quem eu sou. — Começaremos em breve, — Hunter fala, parando ao meu lado. — Está pronta? — Mais do que pronta! — , solto um suspiro alto. — Está na hora de mostrar para o mundo a pessoa que eu sou. — Isso aí, é assim que se fala, — ele segura meus dedos, enquanto me busca para o lado do palco. Observo o meu pai subir ao palco, seus passos são curtos, seu rosto é calmo demais para um dia tão importante. Me pergunto como ele sempre consegue manter a calma — mesmo em momentos como esses. Ele pisca em minha direção antes de olhar para a sua frente e sorrir lindamente para todos os seus convidados. — Boa noite a todos! É um prazer estar aqui nessa festa linda e repleta de rostos conhecidos e amigos, — ele ergue a taça em direção a todas aquelas pessoas. — e, é ainda mais prazeroso saber que estarão aqui no dia mais importante para a nossa família, — meu pai enfia as mãos no bolso, Hunter passa o braço pelos meus ombros e sorri abertamente. Olhos queimam a minha bochecha e eu me viro, encontrando Sebastian. — A alguns anos, eu perdi a minha esposa no parto da minha adorável filha. Jamais vou me esquecer dela, de como a amei, mas muito mais do que isso, nunca vou me esquecer de como ela me dizia que queria que a nossa filha tivesse a vida mais brilhante e tranquila possível. Ela sabia que, se nossa menina tivesse contato com o mundo carregando o peso do meu sobrenome, ela acabaria nas mãos de pessoas ambiciosas e poderia ser facilmente usada para colocarem a mão nas coisas que ela tem, — ele faz uma pausa. — Quando ela morreu, eu prometi que faria isso… e fiz! Durante todos os anos que se seguiram, eu fiz o possível para que a minha doce menininha não estivesse em holofotes, que conhecesse os meus amigos de negócios e que fosse feliz da maneira que ela queria ser. — Seus olhos param em mim e ele ergue os dedos em minha direção. — E é por isso que apresento a minha garotinha para vocês hoje e faço uma grande festa. Finalmente, a nossa princesa retornou para casa e dessa vez, não foi chorando! Eu seguro seus dedos e subo no palanque montado e me jogo em seus braços. Suas palavras foram lindas e emocionantes e demonstram todo o amor e carinho que ele tem por mim — e que, certamente, eu tenho por ele. — Eu te amo! — Murmuro. — Eu também te amo, minha princesa. — Ele diz, enquanto beija o topo da minha cabeça. — Fale com as pessoas! Ouço uma risadinha baixa e me aproximo do microfone. Estou nervosa. Nunca falei em público e nunca tive olhares sobre mim, não tantos. — Olá, eu agradeço por terem vindo. Quando papai teve a ideia de fazer uma festa para o meu retorno, eu achei uma loucura e então… ele me disse que queria, finalmente, me apresentar aos amigos dele, — eu sorrio. — É muito bom poder, finalmente, me sentir parte do ciclo de negócios do meu pai - e de amigos, é claro! — Rio, nervosa. — De qualquer maneira, obrigada por terem vindo! Nos veremos mais agora que vou começar a trabalhar com o meu pai, visto que perdi cinco anos da minha vida e depois, tive que investir nos meus estudos para poder, enfim, valorizar o sobrenome que meu pai carrega com tanto orgulho! Eu me abraço a ele e Hunter juntos mais uma vez antes do meu pai falar mais alguma coisa e enfim, sairmos do palco. Eu sou bombardeada pelos flashes dos paparazzis — que tiveram um papel importante para o meu pai nesse evento — e tento sorrir e ser simpática com eles. Depois, enfim, deixo o canto em que eles foram colocados e volto para o centro do salão, onde agora sou assediada pelos amigos do meu e suas famílias. — Tão linda! — O amigo do meu pai, Calvin, diz. — é uma pena que tenha guardado a sua filha para si. Podíamos ser da mesma família agora. — Eu duvido muito que minha princesa fosse da sua família, Calvin. — Meu pai ri, enquanto passa os ombros pelo meu braço. — Ah, mas o meu menino é um ótimo garoto, — disse, Cindy. — eu aposto que ela cairia de amores por ele. Madge o conhece, costumávamos ir até a casa do ex marido dela para chás da tarde. E eu me lembrava disso. Me lembrava de cada detalhe desses jantares. Me lembro de como ela e a melhor amiga dela — mãe de Sebastian — gostavam de dizer que eu tinha sido um erro e que ele deveria estar com Rachel. Que eu não tinha renome, que não tinha educação e que, provavelmente, queria dar um grande golpe na família Reed. Onde eles estavam com a cabeça quando pensaram aquelas coisas? Tudo bem, eles não sabiam de onde eu era e quem era a minha família, mas caramba… porque eu não podia ama-lo sem nenhuma chance de querer dar um enorme golpe nele? Isso parece impossível para aquelas pessoas. Que saco! — Sim, me recordo! — Dou a ela um sorriso sarcástico. — Mas, nunca participei, se lembra? — Ah, sim! Estava sempre recolhida, — ela sorri nervosa. — É difícil estar em uma mesa quando todos tentam lembrar o quão interesseira você é e o quão você é uma vagabunda. — A espeto. Ela limpa a garganta e dá uma risada nervosa, escondendo-se atrás do marido. Meu pai lança um olhar cortante a ela. — É, a gente não seria mesmo da mesma família, Calvin. E nunca seremos. — meu pai murmura. — com licença. Ele me tira dali. O filho de Calvin, Rômulo, ainda estava solteiro e à procura de alguma mulher que o quisesse. Não era o meu tipo de homem e menos ainda, o tipo de família que eu gostaria de estar. Ser anônima por tanto tempo me fez passar por inúmeras situações ridículas e muito, muito vexatórias. — Papai, não precisa olhar para todos assim, — o paro, apoiando a mão em seu peito. — Nem todos são como nós, nem todos são gentis. — Eu sei, meu amor! Mas… — Sorrio e toco o seu rosto levemente. — Papai! — O repreendo. — Certo, certo! Vou me segurar para não socar o seu ex-marido. — Ele sorri. Aliás… — Eu me viro, os vendo a alguns poucos metrôs de nós. Ele está lá, e Rachel também está. Estremeço, voltando meu olhar para o meu pai. — Não quero. — Encolho meus ombros. — Estou cansada, posso ir embora? — E mesmo que ainda tivesse qualquer dignidade, ve-los ainda doía muito. — Não precisa se esconder dele… — ele começa a dizer — você é… — o interrompo. — Eu sei, eu só quero ir embora. — dou de ombros. — Vou mandar o nosso motorista deixá-la em casa. — Ele apoia os dedos nas minhas costas. Apenas aceno com a minha cabeça enquanto andamos em direção à onde ele estava sentado com a sua família. — Não vai falar comigo, Maggie? — A voz de Frank soa e eu travo. Meus olhos varrem a mesa até encontrá-lo. O pai de Sebastian. Me sinto na obrigação de responder. — Frank, oi! — Cumprimento. — Filha de Arnold Mancini, ham? — Ele pisca para mim. — Quem diria que a bela jóia seria valiosa. — É muita gentileza da sua parte, como está? — Pergunto. Frank, o único Reed gentil comigo. Foi ele quem me arranjou alguns livros durante duas viagens de negócios — antes de entregar tudo para o seu filho e tirar férias vitalícias. — Ótimo, ficou muito mais bonita depois que largou o meu filho, — ele brinca. Eu dou uma risada sem humor. — Você acha? — , encaro o meu pai. — Bem, Frank, adoraria ficar para conversar, mas estou indo embora. — É uma pena mesmo. — Ele enfia um pequeno croquete na boca. — Leve-a, Sebastian, seja gentil. — Ah, não! Não é necessário! — Eu murmuro. — Eu faço questão. — Sebastian se levanta. — Vamos! Eu o encaro em pânico e meu pai parece pronto para soca-lo se ele se aproximar mais. — Certo! Eu sou mais rápida que os punhos do meu pai. A última coisa que precisamos é, com certeza, uma briga com esse homem e com essa família. Temos um nome a zelar. — Ligo quando chegar. — Beijo sua bochecha e saio, enquanto observo Sebastian sair sem dar atenção a Rachel. Não pergunto, sinto que não é da minha conta, mas sinto seus olhos queimando as minhas costas. Dou uma última olhada para ela antes de sair de vez do salão.
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