Marcos narrando
Saio de casa e vou para a do meu irmão. O ciumento não deixou eu sair sozinho com a mulher dele, como se eu fosse olhar para minha cunhada com segundas intenções. Sei que o Mark iria me matar e também sei respeitar as mulheres.
Chego na casa dele e vejo minha cunhada descendo as escadas. Ela é realmente incrível, meu irmão tem muita sorte.
— Oi, eles já vão descer. Estão se arrumando — ela fala, e eu assinto com a cabeça.
— Desculpa, na confusão nem falei meu nome. Marcos — que erro imperdoável. Minha mãe me mataria se visse que não me apresentei.
— Sua mãe gosta do M, né? — ela fala rindo.
— Muito — falo, e nos sentamos no sofá.
— Então, quer conversar? — Maya pergunta.
— Sim, estou triste e vou ser direto. Não gosto da minha vida. Sempre cresci acreditando que um dia encontraria minha mulher, e até hoje não achei — prefiro ser direto.
— E a Helena? — quase reviro os olhos ao lembrar dela.
— Pedi o divórcio hoje. Ela surtou, mas se não assinar vamos para a justiça.
— Uau, que rápido — ela fala, e dou risada pela surpresa dela.
— Sabe, essa foi a primeira risada sincera que dei em muito tempo. Bem, nem sei o que dizer. Eu queria tanto encontrar minha mulher que acabei escolhendo qualquer uma e tentando amá-la. Me esforcei de verdade, mas não amo Helena. Agora só falta dar tempo ao tempo. E, se eu der dinheiro, ela vai embora — falo, e Maya me olha com pena.
— Você está certo, vai acontecer. Só precisa esperar.
— Oi, irmão, se quiser continuar vivo, ande com sua b***a para longe da minha mulher. Estão muito perto — Mark fala descendo as escadas. Seria ameaçador se ele não estivesse com um bebê lindo e sorridente nos braços.
— Oi, irmão, eu também estava com saudade de você — falo irônico, me afastando.
— Nos vimos hoje — ele diz, e reparo que Pietro tenta chegar até Maya.
— Errado. Nós brigamos hoje. O que vamos comer? — ele falou a verdade, mas nunca vou admitir.
— Algo que a empregada fez — romântico como sempre.
Maya é incrível. Coitada, logo meu irmão virou o encosto dela. Pelo menos sei que ele tem um forte concorrente: meu sobrinho. O pequeno Pietro derrete o coração de todas, inclusive da Maya.
A empregada aparece e avisa de uma tal de Fernanda. Não ligo muito e continuo sentado.
Quando ela chega, eles conversam, mas eu não consigo ouvir uma palavra. Essa mulher é... perfeita, incrível. O corpo dela, seu rosto, cabelos... é como se o mundo tivesse parado e só houvesse ela. Que perfeição. A fúria no olhar dela só aumenta sua perfeição.
Sinto uma facada no peito quando ela me olha estranho e conversa algo com Maya em segredo. As duas me olham.
Fernanda é perfeita. Sinto um ciúme enorme ao ver um chupão em seu pescoço, e com esse sentimento percebo que ela é a mulher. É ela, a mulher da minha vida.
Puta que pariu, aonde eu estava com a cabeça ao casar antes? E por que a Helena veio na minha cabeça? Se não fosse por ela, eu agarraria essa mulher agora e a levaria para a ilha particular do meu irmão.
Qual é, somos ricos. Por que gastar meu dinheiro com uma ilha quando meu irmão tem uma que eu posso usar? Com o dinheiro disso, pude comprar muitas outras coisas.
— Marcos? — Maya me chama e eu saio do meu mundinho que agora se chama Fernanda.
— Eu vou embora, amiga, se você está bem — ela fala, e fecho a cara. Ela não pode ir embora. Percebo que olha para o Mark com medo e ele olha com raiva para ela. Vou quebrar a cara dele.
— Não, por favor, fique e jante conosco. Venha, eu tiro o seu casaco — falo tentando convencê-la, mas ela n**a com a cabeça.
— Marcos, vem aqui, por favor — minha cunhada me chama para um canto com cara de brava. Não quero parecer m*l-educado perto da Fernanda, então obedeço. Ela é tão perfeita.
— Oi, cunhada, sua amiga é... ela, a minha mulher. Eu tenho certeza. Nunca senti algo assim — falo animado.
— Que bom, legal para você, mas não chegue nela ainda sendo casado. Você não pode investir nem um pouco — ela fala, e minhas esperanças morrem. É verdade, não posso começar algo errado com ela.
— Mas eu já pedi o divórcio — tento me justificar.
— Mas a Helena não assinou e nem pretende assinar. Você tem que resolver isso primeiro. Não vou deixar minha amiga se machucar. Se tentar algo, eu acabo com você. Saiba que tenho uma arma e sei atirar muito bem — como se essas ameaças me dessem medo, mas ela está certa, afinal.
— Ok, vou marcar uma audiência para o divórcio — falo cansado.
— Ótimo. Até lá, a Fernanda entra na zona proibida para você — zona proibida é o c****e. Vou fazer a Helena assinar o divórcio hoje mesmo.
— Vamos jantar — a empregada aparece.
[...]
O jantar foi horrível. Eu abria a boca para falar e me cortavam, mas prestei muita atenção na Fernanda.
Quando saímos, Maya brigou comigo e fez aquele sermão básico de não seguir ela, não sequestrar e tudo mais.
Mas ignorei. Segui Fernanda o caminho todo. Ela entrou em seu prédio e eu liguei para meu detetive. Quero saber tudo sobre ela. E mandei um segurança da família segui-la.
Segui-la não, é uma palavra muito forte. Prefiro dizer que estou supervisionando e protegendo ela de longe.
Dirijo até minha casa e minha felicidade se vai quando vejo Helena deitada no sofá.
— Tomei minha decisão — ela fala.
— E qual foi?
— Quero metade de todos os seus bens.
— Nunca — falo. Ela se levanta e vem até mim.
— Então, vou fazer da sua vida um inferno todos os dias. Você vai me odiar cada vez mais.
— Vou para a justiça.
— Vou contestar tudo e fazer isso durar uma eternidade — ela fala e sai rindo.
Pego meu celular e ligo para minha mãe.
Ligação:
— Oi, mãe.
— Fala, criatura que eu coloquei no mundo e me perturba essa hora da noite.
— Preciso de ajuda.
— Para quê?
— Me divorciar da Helena.
— Vou acabar com essa v***a insuportável. Nossa, esperei anos por isso — ela fala feliz e desliga.
Fim da ligação.
Não sei se fico feliz ou assustado com a reação da minha mãe.