Jantar

1116 Words
Marcos narrando Saio de casa e vou para a do meu irmão. O ciumento não deixou eu sair sozinho com a mulher dele, como se eu fosse olhar para minha cunhada com segundas intenções. Sei que o Mark iria me matar e também sei respeitar as mulheres. Chego na casa dele e vejo minha cunhada descendo as escadas. Ela é realmente incrível, meu irmão tem muita sorte. — Oi, eles já vão descer. Estão se arrumando — ela fala, e eu assinto com a cabeça. — Desculpa, na confusão nem falei meu nome. Marcos — que erro imperdoável. Minha mãe me mataria se visse que não me apresentei. — Sua mãe gosta do M, né? — ela fala rindo. — Muito — falo, e nos sentamos no sofá. — Então, quer conversar? — Maya pergunta. — Sim, estou triste e vou ser direto. Não gosto da minha vida. Sempre cresci acreditando que um dia encontraria minha mulher, e até hoje não achei — prefiro ser direto. — E a Helena? — quase reviro os olhos ao lembrar dela. — Pedi o divórcio hoje. Ela surtou, mas se não assinar vamos para a justiça. — Uau, que rápido — ela fala, e dou risada pela surpresa dela. — Sabe, essa foi a primeira risada sincera que dei em muito tempo. Bem, nem sei o que dizer. Eu queria tanto encontrar minha mulher que acabei escolhendo qualquer uma e tentando amá-la. Me esforcei de verdade, mas não amo Helena. Agora só falta dar tempo ao tempo. E, se eu der dinheiro, ela vai embora — falo, e Maya me olha com pena. — Você está certo, vai acontecer. Só precisa esperar. — Oi, irmão, se quiser continuar vivo, ande com sua b***a para longe da minha mulher. Estão muito perto — Mark fala descendo as escadas. Seria ameaçador se ele não estivesse com um bebê lindo e sorridente nos braços. — Oi, irmão, eu também estava com saudade de você — falo irônico, me afastando. — Nos vimos hoje — ele diz, e reparo que Pietro tenta chegar até Maya. — Errado. Nós brigamos hoje. O que vamos comer? — ele falou a verdade, mas nunca vou admitir. — Algo que a empregada fez — romântico como sempre. Maya é incrível. Coitada, logo meu irmão virou o encosto dela. Pelo menos sei que ele tem um forte concorrente: meu sobrinho. O pequeno Pietro derrete o coração de todas, inclusive da Maya. A empregada aparece e avisa de uma tal de Fernanda. Não ligo muito e continuo sentado. Quando ela chega, eles conversam, mas eu não consigo ouvir uma palavra. Essa mulher é... perfeita, incrível. O corpo dela, seu rosto, cabelos... é como se o mundo tivesse parado e só houvesse ela. Que perfeição. A fúria no olhar dela só aumenta sua perfeição. Sinto uma facada no peito quando ela me olha estranho e conversa algo com Maya em segredo. As duas me olham. Fernanda é perfeita. Sinto um ciúme enorme ao ver um chupão em seu pescoço, e com esse sentimento percebo que ela é a mulher. É ela, a mulher da minha vida. Puta que pariu, aonde eu estava com a cabeça ao casar antes? E por que a Helena veio na minha cabeça? Se não fosse por ela, eu agarraria essa mulher agora e a levaria para a ilha particular do meu irmão. Qual é, somos ricos. Por que gastar meu dinheiro com uma ilha quando meu irmão tem uma que eu posso usar? Com o dinheiro disso, pude comprar muitas outras coisas. — Marcos? — Maya me chama e eu saio do meu mundinho que agora se chama Fernanda. — Eu vou embora, amiga, se você está bem — ela fala, e fecho a cara. Ela não pode ir embora. Percebo que olha para o Mark com medo e ele olha com raiva para ela. Vou quebrar a cara dele. — Não, por favor, fique e jante conosco. Venha, eu tiro o seu casaco — falo tentando convencê-la, mas ela n**a com a cabeça. — Marcos, vem aqui, por favor — minha cunhada me chama para um canto com cara de brava. Não quero parecer m*l-educado perto da Fernanda, então obedeço. Ela é tão perfeita. — Oi, cunhada, sua amiga é... ela, a minha mulher. Eu tenho certeza. Nunca senti algo assim — falo animado. — Que bom, legal para você, mas não chegue nela ainda sendo casado. Você não pode investir nem um pouco — ela fala, e minhas esperanças morrem. É verdade, não posso começar algo errado com ela. — Mas eu já pedi o divórcio — tento me justificar. — Mas a Helena não assinou e nem pretende assinar. Você tem que resolver isso primeiro. Não vou deixar minha amiga se machucar. Se tentar algo, eu acabo com você. Saiba que tenho uma arma e sei atirar muito bem — como se essas ameaças me dessem medo, mas ela está certa, afinal. — Ok, vou marcar uma audiência para o divórcio — falo cansado. — Ótimo. Até lá, a Fernanda entra na zona proibida para você — zona proibida é o c****e. Vou fazer a Helena assinar o divórcio hoje mesmo. — Vamos jantar — a empregada aparece. [...] O jantar foi horrível. Eu abria a boca para falar e me cortavam, mas prestei muita atenção na Fernanda. Quando saímos, Maya brigou comigo e fez aquele sermão básico de não seguir ela, não sequestrar e tudo mais. Mas ignorei. Segui Fernanda o caminho todo. Ela entrou em seu prédio e eu liguei para meu detetive. Quero saber tudo sobre ela. E mandei um segurança da família segui-la. Segui-la não, é uma palavra muito forte. Prefiro dizer que estou supervisionando e protegendo ela de longe. Dirijo até minha casa e minha felicidade se vai quando vejo Helena deitada no sofá. — Tomei minha decisão — ela fala. — E qual foi? — Quero metade de todos os seus bens. — Nunca — falo. Ela se levanta e vem até mim. — Então, vou fazer da sua vida um inferno todos os dias. Você vai me odiar cada vez mais. — Vou para a justiça. — Vou contestar tudo e fazer isso durar uma eternidade — ela fala e sai rindo. Pego meu celular e ligo para minha mãe. Ligação: — Oi, mãe. — Fala, criatura que eu coloquei no mundo e me perturba essa hora da noite. — Preciso de ajuda. — Para quê? — Me divorciar da Helena. — Vou acabar com essa v***a insuportável. Nossa, esperei anos por isso — ela fala feliz e desliga. Fim da ligação. Não sei se fico feliz ou assustado com a reação da minha mãe.
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