Marcos narrando
A praga do Mark decidiu sequestrar minha cunhada para a ilha particular dele, deixando muito mais trabalho para mim. De um lado, é ótimo, já que vou ficar longe da Helena. Já falei com alguns advogados, e eles estão tentando fazer acordos com ela antes de irmos para a justiça.
Chego na empresa já cansado por ter visto a cara da Helena de manhã. Aperto o botão para as portas do elevador se fecharem, mas escuto um grito pedindo para segurar a porta. Aperto o botão e sorrio ao ver a Fernanda entrar.
— Ah, oi, senhor Marcos.
— Fernanda, bom dia. Você está muito linda, se me permite dizer.
— Obrigada. Você sabe se o senhor Mark chegou? Estou atrasada e ele vai querer me matar.
— Ele não veio hoje. Na verdade, vai ficar uns dias fora. Ele viajou e me deixou cuidando do trabalho dele.
— Sério? Normalmente é o senhor Bellini que fica — ela se refere ao meu pai, e está certa. Meu irmão deixou isso para nosso pai, mas eu vou intervir.
— Sim, mas você vai ficar como minha secretária também. Preciso da sua ajuda.
— Mas você já tem uma secretária.
— Sim, mas você vai me ajudar como secretária do Mark, ficando comigo na minha sala — me confundo um pouco, mas com uma voz firme, ela não questiona.
Saímos juntos do elevador e vejo meu pai.
— Me espere na minha sala, Fernanda — falo sério, e ela abaixa a cabeça, seguindo resmungando coisas inaudíveis. Meu pai me olha confuso, e puxo ele para um canto.
— Que merda você tá aprontando? — ele é direto.
— Ela é minha mulher, pai. É ela. Quero tanto tocar nela, abraçá-la, beijá-la. Estou improvisando um plano.
— Por isso pediu para sua mãe se livrar da Helena?
— Sim, o mais rápido possível. Quero logo ficar com a Fernanda. Não quero que ela pense que é apenas uma amante quando é o amor da minha vida.
— Certo, eu vou te ajudar. Vai para sua sala e se vira.
Ele sai, e eu corro feliz para minha sala. Sorrio ao ver a Fernanda sentada de pernas cruzadas na minha mesa.
— O senhor Mark gosta de repassar a agenda dele. Como o senhor gosta? — Meu Deus, vou morrer com ela falando desse jeito. Agora reparo que ela tirou o casaco e está com um decote considerável. Me imagino com a boca em seus s***s e quase babo. Ai, meu Deus, estou virando um tarado. Alguém me dá um tapa na cara, por favor?
— Senhor? — ela pergunta, estalando os dedos para chamar minha atenção.
— Desculpa. O Marcel vai cuidar das reuniões e de todas as coisas que exigem a presença dele, e eu vou cuidar da papelada do Mark. Podemos começar, se você quiser.
— Sim, por favor — ela se senta na cadeira, e eu me sento na grande poltrona. Fico olhando para ela concentrada, lendo, e percebo que encarei demais quando ela me olha confusa. Decido me concentrar no trabalho.
[...]
Foi péssimo trabalhar com ela. Não pelo trabalho dela, que é incrível e muito inteligente, mas porque sou um i****a apaixonado. Quis prestar atenção em cada gesto dela e m*l fiz meu trabalho.
Porra, como ela fica sexy lendo o documento e mordendo a tampa da caneta. É um hábito que odeio, mas tudo o que ela faz é delicado e sexy.
Estou com dor e com certeza com as bolas roxas. Estou duro desde o elevador. Vejo que deu o horário do almoço e fecho as pastas abertas na minha mesa.
— Vamos almoçar?
— Na verdade, prefiro ficar aqui e agilizar. Assim, saio mais cedo — ela fala concentrada.
— Mas você precisa se alimentar.
— Estou bem, senhor Marcos. Vou aguentar.
— Nada disso, vou pedir nosso almoço então. Do que você gosta?
— Não precisa, senhor.
— Por favor, pare de me chamar assim. Me chame de Marcos — *ou amor da sua vida, se você quiser*, e como eu queria poder falar isso.
— Ok, sen... Marcos — eu sorrio e sento na minha mesa, pegando meu celular.
— Então, o que gosta de comer?
— Qualquer coisa está bom.
Peço pizza e me levanto. Me apoio na grande janela da minha sala para evitar olhar para ela. É difícil me segurar. Será que comprar um buquê de rosas para ela ajuda? Acho que mandar agora é muito cedo, mas talvez ela possa me achar gentil.
Escuto barulhos de notificações e olho para trás, vendo ela mexer no celular e rindo. Fecho a cara no mesmo momento. Quem será que é? Um namorado? Amante? Quando eu souber, vou castrar o sujeitinho.
— Quero rir também, Fernanda — falo, me sentando na frente dela.
— Desculpa, senhor — ela diz, guardando o celular.
— Quem é?
— Um vídeo de um gatinho dançando. O senhor quer ver? — Sorrio pela inocência dela. Seguro seu rosto e quase a beijo, mas tomo consciência antes.
— Desculpa — falo, me afastando.
— O senhor ia?...
— Sim, me perdoe. Fui errado, a desrespeitei. Não era assim que eu queria começar.
— Começar? — ela toca o rosto onde toquei, e me seguro ainda mais.
— Me perdoe — peço, e me sento no chão, coloco meu rosto entre meus joelhos. Sinto uma mão em minha perna e levanto o rosto, a olhando.
— Está tudo bem. Eu também me senti atraída fisicamente por você — isso foi um beijo e um tapa na cara. Só fisicamente? Poxa, sou um corpinho bonito, mas também sou mais que isso.
— Ah — só consigo falar isso. Será que ela só vê meus músculos e corpo grande? Poxa, fiquei encantado com a inteligência dela, com os pensamentos, com o corpo também, mas sei que ela é muito mais que isso.
— Agora levanta, vai — assinto com a cabeça e pego sua mão, me levantando. Fico próximo demais dela e a deixo sair de perto por respeito.
O telefone toca, e é a pizza. Mando subir e saio da sala. Pago o rapaz e entro na minha sala novamente.
— O que você comprou?
— Pizza, baby — falo, e vejo os olhinhos dela brilharem. Vejo que temos uma paixão em comum.
— Eu amo pizza — ela fala, e abre um espaço na mesa.
— Aqui — abro a caixa na mesa e pego pratos de papel na minha gaveta e guardanapo.
— Por que você tem isso aqui?
— Um homem nunca revela seus segredos, bella dama.
Ela pega um pedaço de pizza e come feliz. Não vejo a hora de isso acontecer todo dia no trabalho e, no fim do dia, irmos para nossa casa. Oh meu Deus, preciso me livrar da Helena logo.