Ameaçaram ela?

1123 Words
Alguns Dias Depois... Marcos Narrando A praga do meu irmão voltou hoje de viagem, e com a volta dele, Fernanda retoma o trabalho com ele amanhã. Isso vai nos separar. Pensei em matar meu irmão para ficar próximo da Fernanda? Não, porque não sou i****a como ele, que me mataria pela Maya. Chego na empresa, triste por ser meu último dia com ela. — Bom dia — digo tristemente para a senhora da limpeza, e ela me olha. — Bom dia, senhor Marcos. O senhor está bem? — Não muito, mas não se preocupe. É só meu coração que está partido — falo dramaticamente, e ela dá risada. — Quer um abraço, menino? Vem cá. — Dou um abraço nela e sigo para minha sala. Depois de alguns minutos, Fernanda aparece animada. — Bom dia, senhor Marcos. — Está sorridente, Fernanda — digo cruzando os braços e a encarando. — Sim, estou feliz. Hoje temos muitos contratos para revisar. — Por que está feliz? — insisto no assunto, apoiando meus cotovelos na mesa. — Não sei se é profissional essa pergunta. — Então, se eu pedir para sair com você, não profissionalmente, você aceitaria? — pergunto. — O quê? — Ela se surpreende. — É que hoje é o nosso último dia trabalhando juntos, e eu queria te chamar para jantar. Então... você aceitaria? — Sim. — Ótimo. Às 20h eu te busco em sua casa — falo sorrindo. — Aonde vamos? — A um lugar legal — respondo sem muitas explicações para deixá-la ansiosa. Quero que ela fique animada. E aí vocês se perguntam: e a Helena? Aquela cobra está em casa esperando que eu aceite o acordo e******o dela. — Eu preciso de mais informações para me arrumar. — Não se preocupe com isso. Sei que você se sairá bem e estará incrivelmente linda, como já é. — Me seguro para não a elogiar mais. — Vamos trabalhar? — Sim, mas hoje sem pressa. O que sobrar, o vagabundo do Mark faz. — Percebo um leve tremor de medo nela quando cito meu irmão. Ela sorri falsamente para tentar me tranquilizar. — Sim, sim, ele fará. Mas, se eu puder levar para casa, posso fazer durante a noite, depois do jantar, é claro. — Fico com raiva. O Mark já fez algo para ela agir desse jeito. — O que foi, Fernanda? O que meu irmão fez para você? — Tento esconder minha raiva para que ela se sinta confortável e me conte. — O senhor Mark? Nada. Ele não fez nada. — Percebo que ela arruma bastante o cabelo, claramente nervosa. — Eu sei que ele é meu irmão, mas eu não me importo em acabar com ele, Fernanda. Por você, eu faço tudo. Agora, me diga. — Mas não aconteceu nada. — Ela insiste em negar. — Ele abusou de você? — Duvido que meu irmão faria isso, mas só de pensar nisso quero matá-lo com minhas próprias mãos. — Não, ele nunca tentou algo comigo e sempre me respeitou. Ele sempre me tratou como uma ninguém, só mandava ordens e pedia tudo com rapidez e eficácia. Mas isso eu me acostumei, afinal, trabalho para ele há um tempo. — E o que ele fez? — Ele me ameaçou. Eu tentei avisar à Maya que ele era louco, possessivo, obsessivo, mas ele ouviu tudo. Quando me viu no dia seguinte, me levou para sua sala e disse que faria de tudo pela Maya, inclusive matar. Ele disse que a calmaria dele era ela e eu queria tirá-la dele. Ele acabaria comigo se fosse preciso. — Meu Deus, o meu irmão? — Fico assustado com o comportamento dele, e depois com raiva... muita raiva. Ele ameaçou a minha mulher. Vejo que ela chora e me levanto para abraçá-la. — Desculpa — ela diz, olhando para mim. Meu coração se parte ao ver seus olhos assim. — Você não tem que se desculpar, está bem? Eu também não gostaria que ficassem entre minha mulher e eu, mas ele não pode fazer isso, ok? Ele não vai te ameaçar novamente. Eu vou te defender de tudo, ok? Ele não vai mais encostar em você. Pode enfrentá-lo. Não tenha medo dele. Eu não vou deixar ele fazer nada, ok? — Tudo bem — ela diz, mais tranquila. Limpo as lágrimas dela e beijo sua testa. — Acho que hoje não dá para trabalharmos. Que tal se nós sairmos? — Sair? — Sim, podemos ir ao parque ou ao cinema. — Eu tenho que trabalhar. — Esqueceu que eu sou o chefe? — Ela dá risada, e eu pego suas coisas. — Vamos. Eu quero tomar sorvete. Saímos e entramos no meu carro. Paro em uma sorveteria perto do parque e desço correndo. Abro a porta para ela e a ajudo a sair com cuidado. — Você parece um sonho — ela diz para mim, e eu sorrio. — Mas sou sua realidade, querida. — Levanto a mão e um garçom vem. — Oi, Fernanda — ele fala sorrindo para ela. Ela não é dentista para querer ver todos os dentes da boca dele. De onde ela conhece esse cara? — Oi, Davi? — Ela não se lembra dele. — Gabriel, você não se lembra de mim? — Ele parece ofendido. Quase dou risada, mas fico com raiva pensando de onde ele a conhece e com quantos caras ela já saiu. São tantas perguntas. — Desculpa, eu me esqueci. Sofro de perda de memória. — Claramente, ela mentiu, mas parece que ele acredita. — Da boate, de música latina. Você estava incrível com aquele vestido, e nós dançamos juntos. Depois saímos. — Eu vou matá-lo. — Ah, eu sei qual é o lugar. Bem, queremos dois sorvetes, por favor. — Dois de chocolate — falo qualquer coisa para ele sair. Funciona. Olho para ela de braços cruzados e sobrancelha arqueada. Ela me encara séria, mas acaba rindo e eu também. — O que foi? — Com quantos caras você saiu? — Com quantas mulheres você já ficou? — Três — respondo sincero. — Só três? Você é um Bellini. Eu ouvi falar da fama de vocês quando comecei a trabalhar na empresa. — Fama dos meus irmãos, na verdade. Eu tive duas namoradas e uma ex-esposa. — Ex-esposa? — ela pergunta. É claro que a Helena não assinou o papel, mas ou é agora ou nunca. Graças a Deus, os sorvetes chegam antes e o cara sai rapidamente. Começo a comer o meu, e quando vejo, ela já terminou o dela. — Quer mais? — pergunto, e ela assente. Sorrio e entrego o meu. Eu amo com todas as minhas forças essa mulher, inclusive o estômago dela, que parece ser um buraco sem fundo.
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