Fernanda narrando
Depois de quase falir o Marcos na sorveteria, ele me deixou em casa e prometeu que estaria aqui às 20h em ponto. Sinto tanta saudade da Maya, minha melhor amiga e agora cunhada do Marcos. Desde que aquele tribufo do Mark entrou na vida dela, ela sumiu.
Queria tanto falar para ela que finalmente encontrei alguém legal. Marcos parece incrível: solteiro, livre, super fofo e respeitoso, embora um pouco ciumento. Ele nem mencionou eu ter saído com aquele cara.
Sobre a família Bellini ser louca, eu estou certa. Todos os homens são ciumentos e possessivos, mas acho que Marcos é diferente. Escolho minha roupa para a noite e a deixo na cama, animada. Olho que saio com muitos caras, mas Marcos parece diferente.
Decido comer algo para não passar vergonha no jantar. Maya diz que sou magra de r**m, e ela tem razão, mas não tenho verme, só um metabolismo rápido e um grande apetite. Preparo um sanduíche bem grande e como vendo TV. Coloco em uma série e fico assistindo até perceber que estou atrasada.
Tomo um banho rápido, seco meu cabelo, me hidrato e visto uma calcinha sexy preta, sem sutiã pelo estilo do vestido. Calço um salto preto e alto, coloco um brinco grande, pego meu celular e vejo que já são 20h10. Ele não me ligou, mas lembro que ele nem tem meu número, então talvez esteja lá embaixo.
Pego uma bolsinha e guardo celular e dinheiro. Saio rapidamente e, quando chego na portaria, vejo Marcos apoiado em um carro bem chique:
— Desculpe o atraso, eu fiquei... — falo me aproximando, mas ele chega mais perto e coloca seu dedo em frente aos meus lábios.
— Você está incrível, maravilhosa se me permite dizer, e está tudo bem pelo atraso. Valeu a pena. Vamos?
— Sim — digo, e ele abre a porta para mim. Entro e o vejo dar a volta correndo.
Ele dirige em silêncio e o observo. No farol vermelho, ele se vira para mim:
— Você está me encarando.
— Sim.
— Por quê?
— Só estou olhando. Não gosta? — pergunto, sorrindo provocativa.
— Pelo contrário — ele fala e dá uma risadinha, voltando a dirigir. Observo suas mãos nervosas e seguro uma risada.
— Eu sei que você quer rir. Desculpe, estou nervoso — ele diz, e solto minha risada, fazendo ele rir também.
— Chegamos? — vejo ele parar o carro.
— Sim, espera eu abrir.
Ele sai correndo e abre para mim. Aceito sua ajuda e vejo seu olhar pousar em meus s***s. Seu queixo até cai.
— A chave, senhor — o manobrista fala, e ele sai do transe, olha feio para o cara, joga a chave e pega minha cintura gentilmente, me encaminhando para dentro.
Ele dá seu nome e o garçom nos leva para uma mesa reservada na varanda. Sinto um frio e me arrepio inteira. Marcos percebe e me dá seu casaco.
— Vou deixar o cardápio — o garçom fala, saindo.
— Não precisa. Quero dois risotos de camarão e peço que o chefe indique um vinho que combina com o prato, a escolha dele. De sobremesa, dois pudins de leite — o garçom assente e sai, levando os cardápios.
— E se eu for alérgica a camarão? — pergunto, cruzando as pernas.
— Você teria me impedido de fazer tal ato, e eu queria ficar sozinho com você logo — o encaro, tentando analisá-lo.
— O que você quer, Marcos?
— Sincero, sem esconder nada?
— Sim.
— Ter você, casar com você, fazer de você a mulher mais feliz do mundo. Quero que você fique do meu lado — me assusto um pouco.
— Então você é igual à sua família?
— Um pouco. Sou ciumento, sim, mas não quero te sequestrar ou coisa do tipo.
— De verdade? — pergunto com dúvida.
— Sim, Fernanda. Eu nunca fiz isso, quero fazer da maneira certa.
O garçom pede licença e nos serve, indo embora. Sorrio para a comida e experimento, gemendo de satisfação. Está perfeito. Bebo um pouco do vinho e percebo que ele fica parado, me encarando.
— Você não vai responder nada? — ele pergunta.
— Ué, responder o quê? Você falou que gosta de mim e quer todo um futuro, mas também disse que não vai me sequestrar. Se você não ficar louco, vamos continuar.
— O que seria louco para você?
— Todo esse ciúme absurdo, querer que eu pare de trabalhar, bater em pessoas, me dar medo, sequestrar...
— Aí você me deixaria? — ele fala.
— Ou te mataria. Eu não tenho muita paciência como minha amiga ou as mulheres da sua família. Mas sim, se você fizer isso, eu deixaria, então se controle.
Continuo comendo e ele ainda me encara, mas agora sorrindo.
— Para de me encarar — falo, brava.
— Não consigo, você é perfeita.
Ignoro e como. Termino meu prato e ele não está nem na metade do dele. Bebo um gole de vinho e o observo.
— Agora é você que está me encarando.
— Estou me questionando, agora sabendo suas intenções, como você irá agir.
— Não posso te sequestrar e, bem, meus exemplos familiares são ruins para relacionamentos. Então vamos namorar, noivar e casar.
— Agora estamos nos conhecendo, com calma — eu falo, e ele me olha sério.
Ele levanta a mão e o garçom retira os pratos.
— A sobremesa será para viagem, a conta, por favor — ué, surtou?
Fico p**a da vida. Só falei uma coisa e ele fica assim. Viro o restante do meu vinho e ele me olha. O garçom chega novamente e Marcos paga rapidamente. Levanto e retiro o casaco.
O garçom me olha babando, e eu jogo o casaco no Marcos e saio na frente. Percebo que muitos homens me olham enquanto passo pelo salão de mesas desfilando. Marcos me chama:
— Fernanda, espera — ando até o lado de fora, e o manobrista, quando nos vê, vai correndo buscar o carro.
— Vamos, eu quero ir para casa.
— Desculpa, você entendeu errado. Eu queria ir para minha casa para a gente comer o pudim e conversar mais à vontade.
— Você ficou bravinho quando eu falei sobre ter calma.
— Me perdoa — ele me abraça e faz carinho no meu rosto. Eu o olho e ele se aproxima de meu rosto.
Mas o carro chega. Ele dá gorjeta para o rapaz e entramos no carro.
— Vamos para a sua casa? — pergunta.
— Não íamos para a sua? — pergunto, ele tinha falado que íamos para a casa dele antes.
— Sim, sim, podemos. Claro — ele fala um pouco nervoso.