Ele é diferente

1118 Words
Fernanda narrando Depois de quase falir o Marcos na sorveteria, ele me deixou em casa e prometeu que estaria aqui às 20h em ponto. Sinto tanta saudade da Maya, minha melhor amiga e agora cunhada do Marcos. Desde que aquele tribufo do Mark entrou na vida dela, ela sumiu. Queria tanto falar para ela que finalmente encontrei alguém legal. Marcos parece incrível: solteiro, livre, super fofo e respeitoso, embora um pouco ciumento. Ele nem mencionou eu ter saído com aquele cara. Sobre a família Bellini ser louca, eu estou certa. Todos os homens são ciumentos e possessivos, mas acho que Marcos é diferente. Escolho minha roupa para a noite e a deixo na cama, animada. Olho que saio com muitos caras, mas Marcos parece diferente. Decido comer algo para não passar vergonha no jantar. Maya diz que sou magra de r**m, e ela tem razão, mas não tenho verme, só um metabolismo rápido e um grande apetite. Preparo um sanduíche bem grande e como vendo TV. Coloco em uma série e fico assistindo até perceber que estou atrasada. Tomo um banho rápido, seco meu cabelo, me hidrato e visto uma calcinha sexy preta, sem sutiã pelo estilo do vestido. Calço um salto preto e alto, coloco um brinco grande, pego meu celular e vejo que já são 20h10. Ele não me ligou, mas lembro que ele nem tem meu número, então talvez esteja lá embaixo. Pego uma bolsinha e guardo celular e dinheiro. Saio rapidamente e, quando chego na portaria, vejo Marcos apoiado em um carro bem chique: — Desculpe o atraso, eu fiquei... — falo me aproximando, mas ele chega mais perto e coloca seu dedo em frente aos meus lábios. — Você está incrível, maravilhosa se me permite dizer, e está tudo bem pelo atraso. Valeu a pena. Vamos? — Sim — digo, e ele abre a porta para mim. Entro e o vejo dar a volta correndo. Ele dirige em silêncio e o observo. No farol vermelho, ele se vira para mim: — Você está me encarando. — Sim. — Por quê? — Só estou olhando. Não gosta? — pergunto, sorrindo provocativa. — Pelo contrário — ele fala e dá uma risadinha, voltando a dirigir. Observo suas mãos nervosas e seguro uma risada. — Eu sei que você quer rir. Desculpe, estou nervoso — ele diz, e solto minha risada, fazendo ele rir também. — Chegamos? — vejo ele parar o carro. — Sim, espera eu abrir. Ele sai correndo e abre para mim. Aceito sua ajuda e vejo seu olhar pousar em meus s***s. Seu queixo até cai. — A chave, senhor — o manobrista fala, e ele sai do transe, olha feio para o cara, joga a chave e pega minha cintura gentilmente, me encaminhando para dentro. Ele dá seu nome e o garçom nos leva para uma mesa reservada na varanda. Sinto um frio e me arrepio inteira. Marcos percebe e me dá seu casaco. — Vou deixar o cardápio — o garçom fala, saindo. — Não precisa. Quero dois risotos de camarão e peço que o chefe indique um vinho que combina com o prato, a escolha dele. De sobremesa, dois pudins de leite — o garçom assente e sai, levando os cardápios. — E se eu for alérgica a camarão? — pergunto, cruzando as pernas. — Você teria me impedido de fazer tal ato, e eu queria ficar sozinho com você logo — o encaro, tentando analisá-lo. — O que você quer, Marcos? — Sincero, sem esconder nada? — Sim. — Ter você, casar com você, fazer de você a mulher mais feliz do mundo. Quero que você fique do meu lado — me assusto um pouco. — Então você é igual à sua família? — Um pouco. Sou ciumento, sim, mas não quero te sequestrar ou coisa do tipo. — De verdade? — pergunto com dúvida. — Sim, Fernanda. Eu nunca fiz isso, quero fazer da maneira certa. O garçom pede licença e nos serve, indo embora. Sorrio para a comida e experimento, gemendo de satisfação. Está perfeito. Bebo um pouco do vinho e percebo que ele fica parado, me encarando. — Você não vai responder nada? — ele pergunta. — Ué, responder o quê? Você falou que gosta de mim e quer todo um futuro, mas também disse que não vai me sequestrar. Se você não ficar louco, vamos continuar. — O que seria louco para você? — Todo esse ciúme absurdo, querer que eu pare de trabalhar, bater em pessoas, me dar medo, sequestrar... — Aí você me deixaria? — ele fala. — Ou te mataria. Eu não tenho muita paciência como minha amiga ou as mulheres da sua família. Mas sim, se você fizer isso, eu deixaria, então se controle. Continuo comendo e ele ainda me encara, mas agora sorrindo. — Para de me encarar — falo, brava. — Não consigo, você é perfeita. Ignoro e como. Termino meu prato e ele não está nem na metade do dele. Bebo um gole de vinho e o observo. — Agora é você que está me encarando. — Estou me questionando, agora sabendo suas intenções, como você irá agir. — Não posso te sequestrar e, bem, meus exemplos familiares são ruins para relacionamentos. Então vamos namorar, noivar e casar. — Agora estamos nos conhecendo, com calma — eu falo, e ele me olha sério. Ele levanta a mão e o garçom retira os pratos. — A sobremesa será para viagem, a conta, por favor — ué, surtou? Fico p**a da vida. Só falei uma coisa e ele fica assim. Viro o restante do meu vinho e ele me olha. O garçom chega novamente e Marcos paga rapidamente. Levanto e retiro o casaco. O garçom me olha babando, e eu jogo o casaco no Marcos e saio na frente. Percebo que muitos homens me olham enquanto passo pelo salão de mesas desfilando. Marcos me chama: — Fernanda, espera — ando até o lado de fora, e o manobrista, quando nos vê, vai correndo buscar o carro. — Vamos, eu quero ir para casa. — Desculpa, você entendeu errado. Eu queria ir para minha casa para a gente comer o pudim e conversar mais à vontade. — Você ficou bravinho quando eu falei sobre ter calma. — Me perdoa — ele me abraça e faz carinho no meu rosto. Eu o olho e ele se aproxima de meu rosto. Mas o carro chega. Ele dá gorjeta para o rapaz e entramos no carro. — Vamos para a sua casa? — pergunta. — Não íamos para a sua? — pergunto, ele tinha falado que íamos para a casa dele antes. — Sim, sim, podemos. Claro — ele fala um pouco nervoso.
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