Após eu ter levado todo mundo na entrada e terem ido embora, fui subindo a rua de novo.
- c*****o, César - vejo o meu pai correndo atrás dele.
- Segura o furacão - grito, fazendo César me notar.
- Clalinha - ele dá um berro fofo e vem correndo até a mim.
- Cuidado pra não cair - me agacho e pego ele no colo - Oi, coisa linda - o encho de beijinhos - Pra onde está indo cheiroso assim?
- Tô indo ver a vovó.
- E a sua titia?
- Também - me abraça, me fazendo sorrir.
- Leva pra você, pelo amor de Deus - Cauã reclama assim que chego perto dele - César é ligado no 220.
- Ele é bonzinho, tadinho - o defendo.
- Bonzinho, mas não deixa de ser agitado. Só faz arte.
- Nickelodeon tem inveja então - zoou.
- Otária - estala a língua - Tudo bem? - beija a minha cabeça.
- Tá sim - respondo - Como está a Poli? - pergunto.
- Tá bem - responde meio receoso.
- Vocês estão bem? - pergunto.
- Brigamos semana passada e nos resolvemos hoje - dá de ombros - Foi luta, mas passou.
- Pelo menos só foi uma semana dessa vez, não mais de um mês como de costume - ressalto.
- Real - concorda - Minha mãe, tá em casa?
- Tá sim - confirmo - Vai ir ver ela?
- Levar essa cria um pouco pra ela - fala rindo.
- Ela vai te bater - rimos.
- Clara - o meu pai vem até a mim - Vai esse final de semana lá pra casa, não vai?
Mesmo com a gente crescidos, podendo ir visitar eles a qualquer momento, vendo a cara deles quase todos os dias, nossos pais insistem em passarmos todo final de semana na casa deles.
- Tá, pai - concordo - Mas vai me deixar sair de casa - aponto o dedo na sua direção.
- Eu sempre deixo - cruza os braços.
- Mas sempre vêm atrás de mim.
- Eu quero curtir junto da minha filha, agora se vê - estala a língua - Agora vai ficar sozinha nos rolê, sua desalmada - finge jogar o cabelo e sai andando.
- Não aguento com ele - Cauã rir - Vamos pra vovó, moleque.
[...]
Abri a porta de casa, deixando o César no chão, que foi correndo até a cozinha, atrás da minha mãe.
- Vovóoooooo - grita.
- Que susto, menino! - ela grita.
Fomos até ela, a qual estava com a mão no peito.
- Não tenha um ataque cardíaco agora, velha - a zoou.
- Vai fazer as tuas plásticas, Clara. Tô novinha, toda natural - joga aquele cabelo maravilhoso dela, que ódio.
- Ala, o cabelo nem mexe de tão duro que é - zoou com a cara dela, a fazendo arremessar uma colher em mim - Que isso, mãe - exclamo - Agressividade - vou até a geladeira e me sirvo com um copo de água.
- Descobriu que tem mãe, Cauã Henrique - minha mãe debocha pro lado dele.
- Só foi essa semana que não deu, para de drama, dona Alice - a abraça forte.
- Me solta também - bate nas costas dele, mas ele não solta - É muito bebê de mamãe - abraça ele com força e fica beijando a bochecha dele.
- Acho que vou vomitar de tanto grude - faço cara de nojo.
- Sem ciúmes, Clara - minha mãe solta ele e vêm em minha direção.
- Nada de agarração, tá calor - saio correndo para o meu quarto, escutando a minha mãe e meu irmão rir de mim. Filhos de cobra mesmo.
Entrei no banheiro da minha suíte, tomei um banho, me sequei, passei meus cremes e óleos. Se tem uma coisa que eu sou, é muito vaidosa. Cuido de cada pedacinho meu como se fosse um tcc. Vesti um top e um shortinho de pano mole por conta do calor. Liguei o ar no mínimo e fui me enrolar nas cobertas.
Fiquei mexendo no celular um pouco, conversei com alguns contatinhos, amigos, pessoal do trabalho.
- Titia - escutei umas batidinhas na minha porta - Titiaaa - César me grita com a voz aguda que só.
Levanto da minha cama e abri a porta pra ele - O que foi, César ?
- Quelo fica com voxê - diz extremamente fofo.
- Vem com a tia - pego ele no colo e fecho a porta - Mas é pra ficar quietinho - deito com ele na cama, o ajeitando do meu lado.
Liguei a tv e coloquei no desenho que ele gosta.
- Quelo danone, titia - pede enquanto coloca o pé na cabeça.
Que flexibilidade.
- Vou pedir - beijo a cabeça dele.
Mando mensagem para o Cauã pedindo pra ele trazer aqui em cima.
- Tá aí, seu sem vergonha - Cauã entra implicando com o filho.
- Seu sem velgonha - imita o pai e dá risada.
- Me entregue e caia fora do meu quarto - pego as coisas da mão do Cauã.
- Só me maltrata, Clarinha - estala a língua.
- Xô, mosquito da dengue - abano minha mão no ar indicando pra ele ir embora.
- Moquito da dengue - César também chama o pai assim, nos fazendo dar risada.
- Muito safado - enche o filho de beijos e sai do meu quarto em seguida.
Dei o danone com biscoito para o César com cuidado pra não cair na minha cama e sujar. Ele ficou um tempo assistindo desenho comigo, mas logo dormiu no meu colo, então também fui dar um cochilo com ele.
[...]