2|Clara

960 Words
Após eu ter levado todo mundo na entrada e terem ido embora, fui subindo a rua de novo. - c*****o, César - vejo o meu pai correndo atrás dele. - Segura o furacão - grito, fazendo César me notar. - Clalinha - ele dá um berro fofo e vem correndo até a mim. - Cuidado pra não cair - me agacho e pego ele no colo - Oi, coisa linda - o encho de beijinhos - Pra onde está indo cheiroso assim? - Tô indo ver a vovó. - E a sua titia? - Também - me abraça, me fazendo sorrir. - Leva pra você, pelo amor de Deus - Cauã reclama assim que chego perto dele - César é ligado no 220. - Ele é bonzinho, tadinho - o defendo. - Bonzinho, mas não deixa de ser agitado. Só faz arte. - Nickelodeon tem inveja então - zoou. - Otária - estala a língua - Tudo bem? - beija a minha cabeça. - Tá sim - respondo - Como está a Poli? - pergunto. - Tá bem - responde meio receoso. - Vocês estão bem? - pergunto. - Brigamos semana passada e nos resolvemos hoje - dá de ombros - Foi luta, mas passou. - Pelo menos só foi uma semana dessa vez, não mais de um mês como de costume - ressalto. - Real - concorda - Minha mãe, tá em casa? - Tá sim - confirmo - Vai ir ver ela? - Levar essa cria um pouco pra ela - fala rindo. - Ela vai te bater - rimos. - Clara - o meu pai vem até a mim - Vai esse final de semana lá pra casa, não vai? Mesmo com a gente crescidos, podendo ir visitar eles a qualquer momento, vendo a cara deles quase todos os dias, nossos pais insistem em passarmos todo final de semana na casa deles. - Tá, pai - concordo - Mas vai me deixar sair de casa - aponto o dedo na sua direção. - Eu sempre deixo - cruza os braços. - Mas sempre vêm atrás de mim. - Eu quero curtir junto da minha filha, agora se vê - estala a língua - Agora vai ficar sozinha nos rolê, sua desalmada - finge jogar o cabelo e sai andando. - Não aguento com ele - Cauã rir - Vamos pra vovó, moleque. [...] Abri a porta de casa, deixando o César no chão, que foi correndo até a cozinha, atrás da minha mãe. - Vovóoooooo - grita. - Que susto, menino! - ela grita. Fomos até ela, a qual estava com a mão no peito. - Não tenha um ataque cardíaco agora, velha - a zoou. - Vai fazer as tuas plásticas, Clara. Tô novinha, toda natural - joga aquele cabelo maravilhoso dela, que ódio. - Ala, o cabelo nem mexe de tão duro que é - zoou com a cara dela, a fazendo arremessar uma colher em mim - Que isso, mãe - exclamo - Agressividade - vou até a geladeira e me sirvo com um copo de água. - Descobriu que tem mãe, Cauã Henrique - minha mãe debocha pro lado dele. - Só foi essa semana que não deu, para de drama, dona Alice - a abraça forte. - Me solta também - bate nas costas dele, mas ele não solta - É muito bebê de mamãe - abraça ele com força e fica beijando a bochecha dele. - Acho que vou vomitar de tanto grude - faço cara de nojo. - Sem ciúmes, Clara - minha mãe solta ele e vêm em minha direção. - Nada de agarração, tá calor - saio correndo para o meu quarto, escutando a minha mãe e meu irmão rir de mim. Filhos de cobra mesmo. Entrei no banheiro da minha suíte, tomei um banho, me sequei, passei meus cremes e óleos. Se tem uma coisa que eu sou, é muito vaidosa. Cuido de cada pedacinho meu como se fosse um tcc. Vesti um top e um shortinho de pano mole por conta do calor. Liguei o ar no mínimo e fui me enrolar nas cobertas. Fiquei mexendo no celular um pouco, conversei com alguns contatinhos, amigos, pessoal do trabalho. - Titia - escutei umas batidinhas na minha porta - Titiaaa - César me grita com a voz aguda que só. Levanto da minha cama e abri a porta pra ele - O que foi, César ? - Quelo fica com voxê - diz extremamente fofo. - Vem com a tia - pego ele no colo e fecho a porta - Mas é pra ficar quietinho - deito com ele na cama, o ajeitando do meu lado. Liguei a tv e coloquei no desenho que ele gosta. - Quelo danone, titia - pede enquanto coloca o pé na cabeça. Que flexibilidade. - Vou pedir - beijo a cabeça dele. Mando mensagem para o Cauã pedindo pra ele trazer aqui em cima. - Tá aí, seu sem vergonha - Cauã entra implicando com o filho. - Seu sem velgonha - imita o pai e dá risada. - Me entregue e caia fora do meu quarto - pego as coisas da mão do Cauã. - Só me maltrata, Clarinha - estala a língua. - Xô, mosquito da dengue - abano minha mão no ar indicando pra ele ir embora. - Moquito da dengue - César também chama o pai assim, nos fazendo dar risada. - Muito safado - enche o filho de beijos e sai do meu quarto em seguida. Dei o danone com biscoito para o César com cuidado pra não cair na minha cama e sujar. Ele ficou um tempo assistindo desenho comigo, mas logo dormiu no meu colo, então também fui dar um cochilo com ele. [...]
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