capítulo 3

967 Words
eu vou logo pra acaba com isso de uma vez por todas- ambos se olharam mas não falaram nada, apenas concordaram com a cabeça, confesso que o fato de nenhum dos dois se oferece pra me acompanhar me deixou um pouco chateada mas não vou falar sobre. sigo até o carro do policial e assim que coloco os pés pra fora me deparo com milhares de jornalistas querendo saber o que aconteceu, como voltei etc, mas o policial e os seguranças da casa impedem que eles chegam em mim e sigo pro carro, o caminho todo vai em um completo silêncio, o que agradeci muito. uns minutos depois estamos na delegacia e tem mais jornalista os policiais ajudam apartar os jornalistas e os curiosos e assim que entro já vou direto pra sala do delegado e o advogado da minha família já está ali e o delegado já vem fala comigo- fico feliz em ve que está bem - ele diz levantando a mão pra eu apertar e eu não aperto e digo - não graças a vocês - ele fica sem graça e aponta pra cadeira pedindo que sente e assim eu faço - entendo que e complicado, mas tentamos de tudo - ele se ajeitar na cadeira na tentativa de ficar mais confortável e continuar- mas eu preciso saber aonde estava, o que aconteceu e como chegou naquele hospital - ele pergunta - não me lembro - digo apenas e ele me olha incrédulo - impossível você não lembrar. sei que e um assunto delicado mas precisamos saber quem fez isso com você pra prendermos eles e isso não acontecer com mais ninguém - só consigo ri da cara dele - eu realmente não me lembro, a última coisa que eu me lembro e de acordar naquele hospital - o advogado finalmente faz o trabalho dele e interromper - como o senhor bem viu, minha cliente não lembra de nada, e muito comum nesses casos. peço que o senhor espere um pouco pra colher o depoimento dela, ela com certeza passou por muita coisa dê um tempo a ela, os pais dela já estão procurando ajuda terapêutica pra ajudar ela a lembrar e assim solucionar esse caso. e ficar precisando ela não vai ajudar - o delegado bateu na mesa frustrado passando a mão no rosto - tudo bem, mas assim que lembra de algo entre em contato, por favor - não respondo, apenas levanto e vou embora - ....... dias se passaram e as coisas estão cada vez pior, tenho tido pesadelos constantes, toda vez que eu fecho meus olhos parece que eu tô la de novo, vivendo tudo aquilo de novo! não consigo dormir com a luz apagada! todo mundo fica me perguntando as mesmas coisas de sempre " aonde eu estiver todos esses anos " o que aconteceu " " como eu cheguei naquele hospital " etc.... não respondo ninguém, me faço de doida e simplesmente mudo de assunto, a terapeuta me disse pra tentar retomar minha vida. fala com alguns amigos de infância, procurar algo pra me ocupar e tentar retomar aos poucos a vida que me foi tirada há anos , tenta me descobrir e encontrar meu lugar no mundo, descobrir o que gosto o que não gosto mais, eu tentei fazer isso. juro que tentei falar com pessoas do meu passado, mas sempre ficar estranho, algo desconfortável. o clima com meus pais também está péssimo, não consigo olhar pra eles e vê a família que me agarrei todo esse tempo com esperança de encontrar, eu não os conheço e eles também não me conhece então eu simplesmente desisti de tentar, desisti de tentar lutar por uma vida que não e mais minha, uma família que não e mais minha, e hoje após muita coragem e pesquisa decido finalmente comunicar meus pais de um decisão que venho pensando tem dias. -eu vou me mudar pro Brasil - digo e todos me olham - como assim se mudar pro Brasil? - minha mãe pergunta eu respiro fundo e digo - eu vou morar no Brasil, vou ir pra um lugar novo, começar de novo, sem ninguém fica o tempo todo fazendo perguntas e insinuando coisas - meu pai que até o momento estava quieto diz - achei que não soubesse - ele diz - eu sei, eu já ouvi as pessoas comentando que eu menti, que na verdade eu estava grávida e fugi pra não acabar com a boa imagem da família, e por incrível que pareça essa foi uma das coisas mais tranquilas que eu ouvi. a Patrícia, minha terapeuta falou que eu deveria tentar retomar minha vida, e eu tentei, juro que tentei muito voltar a ser quem eu era antes do sequestro, retomar as atividades, as amizades mas não sou mais a mesma pessoa, e pra mim não faz mais sentido ficar em um lugar aonde não me encaixo, aonde não vejo um futuro - fica um silêncio ensurdecedor na mesa até que a minha mãe fala - você tem a gente - ela diz com lágrimas no olhos e confesso que vê ela assim me dói um pouco - eu sempre vou ter vocês, e vocês sempre vão me ter, mas todos sabemos que nunca mais será a mesma coisa, mas agora vocês tem a Mariana, sei que quando cheguei não lidei bem com isso, mas entendo vocês, também tive uma pessoa que me apoiou durante todo esse tempo - eles se olharam intrigados mas não fizeram perguntas, pois já sabem que não vou responder e então apenas continuei - um país novo, com pessoas novas vai me fazer bem, um país aonde ninguém me conhece, ninguém vai me perguntar nada sobre esse maldito sequestro, lá vou poder fazer novas amizades, tentar me encontrar de novo -
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD