–Ela vai mesmo te ajudar? – Grover pergunta.
–Ela disse que sim – Percy penteia os cabelos com a mão, de frente para o espelho – Ela é legal, apesar de ser muito convencida.
Grover sorri.
–Espero que com a ajuda dela, você consiga se manter no time até o final do ano letivo.
–É, cara. Eu também espero.
Os dois são melhores amigos e dividem o mesmo quarto, Grover Underwood é um dos poucos alunos bolsistas da escola. A academia tem uma seleção rigorosa para aceitar alunos de baixa renda, Grover vive estudando para manter suas médias altas e assim continuar com sua vaga garantida.
–Por que não pediu minha ajuda? Te ajudaria sem problema nenhum.
–É que antes eu não pensava nessas coisas e o próprio Brunner indicou a Annabeth, ela deve ser a mais inteligente da academia.
–É, nisso eu concordo. Frequento algumas aulas com ela, a garota é uma máquina de tão inteligente, nada passa por ela.
Percy arqueia as sobrancelhas.
–Pelo visto terei aulas com a melhor de todas.
–Você tem sorte. Tenho certeza que vai aprender muito.
–A única coisa que eu quero aprender agora é o menu do cardápio de hoje. Vamos tomar café.
Percy avista Annabeth conversando animadamente com Thalia Grace e Piper McLean – Uma garota do segundo ano e namorada de um dos amigos de Percy– em uma das mesas do refeitório.
A loira percebe o olhar de Percy sobre ela e dá um pequeno sorriso, ele retribui o gesto com um aceno de cabeça e vai se servir.
–Pra quem você acenou? – Rachel pergunta, se posicionando ao lado dele.
–Bom dia pra você também – Ele resmunga, levantando sua bandeja para a moça da cantina servir ele – Desaprendeu como ser educada?
–Não vem com essa, eu vi você acenando pra caxias da Chase. Desde quando vocês são amigos?
–Se você viu eu acenando pra ela, por que perguntou? – Ele continua dando mais atenção para a comida na sua frente do que para Rachel.
–Me responde, desde quando vocês trocam acenos?
–Rachel, não amola. Conheço a Annabeth desdo primeiro ano, assim como você. Nossos pais trabalham juntos, ela não é nenhuma estranha. Para com as suas loucuras.
–Acontece que eu nunca vi vocês trocando acenos. Isso foi estranho – ela encolhe os ombros.
Percy chega ao final da fila e se vira para encarar Rachel.
–Estranho é esse seu comportamento possessivo. Nós não somos namorados, você não tem o direito de agir dessa forma comigo. Annabeth só vai me ajudar com os estudos, então não se atreve a atacar a garota, ela não precisa ser vítima dos seus ataques.
Rachel abre a boca, mas nenhum som sai, então ela fecha de novo. Percy revira os olhos e se afasta, indo sentar com seus amigos.
–Vai precisar tomar cuidado com a Rachel, Annie – Piper avisa – Ela é obcecada pelo Percy.
Annabeth revira os olhos, ela acha ridícula as atitudes de Rachel em relação a Percy. Não entende como uma mulher consegue se portar daquela forma, tão submissa a um homem, ainda mais um homem que não a merece. Annabeth sabe bem que Percy não fica apenas com Rachel e ela tem certeza que a ruiva sabe bem disso e aceita mesmo assim.
–Eu quis ser legal com o Percy, dando essa ajuda. Mas se for pra ter dor de cabeça com a patricinha da Rachel, eu prefiro nem me meter. Não quero ser motivo de briguinha de casal. Longe de mim isso.
–A Rachel é doida, aposto que deve ter ciúmes até da mãe dele – Thalia comenta.
Piper dá uma gargalhada.
–Eu que não duvido – Annabeth responde – Mais tarde eu pergunto pra ele sobre isso.
–Cadê o Jason, Piper? – Thalia questiona. Jason é o irmão mais novo de Thalia e está no segundo ano, assim como a namorada.
–Não sei, deve tá dormindo ainda, sei lá – Ela responde – Você sabe como ele é bem desligado em relação a horários.
–E como sei – Thalia solta uma risada seca.
O celular de Annabeth vibra e ela leva para ver o que era. Uma mensagem de um dos integrantes do Grêmio, pedindo para ela ir urgente para a sala deles.
–Eu preciso ir – Ela se levanta – Tenho que fazer algumas coisas no Grêmio antes de ir para a aula, até na hora do almoço.
–Até – As duas respondem.
Percy gosta de pensar dentro da água, é onde ele se sente bem e totalmente em paz. O rapaz consegue ficar minutos dentro da piscina e por esse motivo ninguém consegue bater o recorde dele. O treino tinha acabado a quase uma hora, mas ele sempre fica até depois, gosta de nadar sem a presença de ninguém. Ele se encontra sentado dentro da piscina, quando percebe uma silhueta borrada na superfície, ele dá um impulso e nada até lá.
–Você esqueceu da nossa aula? – Annabeth está com os braços cruzados e o maxilar duro.
Percy bate na cabeça, os cabelos bagunçados para cima.
–Caramba, eu esqueci totalmente. Desculpa, Annabeth. Não vai mais se repetir – Ele se senta na beira da piscina.
–Pode apostar que não vai mesmo – Ela responde – Eu não estou ganhando nada para te ajudar, pelo contrário, meu tempo está sendo gasto com você, quando eu poderia utilizar ele pra algo mais útil. Então se você não quiser levar isso a sério, eu lavo minhas mãos. Quem precisa disso é você e não eu.
–Calma aí, Annabeth - Percy se levanta – Eu preciso de você. Prometo que essa foi a primeira e última vez. Vou levar isso a sério, eu preciso levar. Por favor, não me deixa na mão – Ele segura as mãos dela, fazendo a mesma se arrepiar, as mãos de Percy estão frias.
Annabeth encara Percy e quase perde o fôlego com a visão dos Deuses. Percy é todo lindo. Seus olhos verdes águas estão ainda mais claros por causa do cloro, seu cabelo desgrenhado o deixa ainda sexy, suas bochechas estão coradas e sua boca ainda mais vermelha. Isso para não comentar o corpo dele.
Percy não é cheio de músculos, ele é alto, tem 1,90 de altura e ombros e costas largas por causa da natação. Seus braços são fortes e definidos, seu abdômen é dividido, mas nada exagerado. Ela tenta não pensar no fato de que ele está só de short e se segura para não morder os lábios. Não tem como negar, Percy é o rapaz mais bonito da academia, mas ela nunca vai admitir isso em voz alta.
–Não vou te deixar na mão, mas pra isso você precisa merecer – Ela desvencilha suas mãos.
–E eu vou. Podemos ir pra aula agora?
Annabeth balança a cabeça.
–Não vou te dar aula hoje, tenho outras coisas para fazer agora. Mas vou deixar com você seu cronograma.
–Cronograma? – Percy pergunta, confuso.
–Sim, eu fiz um cronograma de estudos pra você, vai te ajudar bastante – Ela segura uma bolsa média no ombro esquerdo e tira de lá uma agenda – Nós vamos estudar três vezes na semana, como você desperdiçou o dia de hoje, só temos mais dois encontros está semana.
Percy assente, tentando entender tudo.
–É bem simples, tá tudo detalhado aqui. Seria bom se você desse uma lida ou você só lê por gravuras?
Percy mostra a língua para Annabeth, que rir.
–Muito engraçadinha. Eu vou ler sim. Pode deixar – Ele pega a agenda e vai guardar na sua bolsa preta de treino, que está em um dos bancos próximos a piscina.
–Bom, então é isso – Annabeth coloca as mãos nos bolsos de trás do short jeans – Meu número está na agenda, caso você resolva faltar a aula ou precise de alguma coisa, é só me avisar.
Percy se aproxima dela de novo.
–Tá legal. Obrigada Annabeth – Ele a abraça e solta a bolsa dela no chão.
–Me solta, Percy. Você tá molhado – Ela dá um gritinho e tenta se afastar, mas ele não deixa.
–Só um abraço, Annabeth. Vai me negar isso? – Ele finge estar triste.
–Vai me deixar ensopada, me solta agora! – Ela ordena.
Percy a encara, sério. Ela para de fazer seu escândalo.
–Sabia que você é muito mandona? Não sou um dos seus capachos do Grêmio.
Ela se sente m*l pela forma que falou com ele.
–Desculpa, Percy. Eu não quis...
–Tudo bem, eu tô brincando – Ele sorri.
–Seu i****a – Ela tenta socar ele, mas não consegue muita coisa.
–Ah, é? Agora vou te dar um motivo pra me bater.
–O que?
Percy agarra ela e se joga na piscina. Somente quando estão lá dentro, que ele solta a garota.
–PERCY! – Annabeth joga água no rosto dele – Qual é o seu problema?
–Você estava muito esquentadinha. Precisava de um bom pra relaxar – Ele brinca.
Annabeth trinca os dentes.
–Eu vou te m***r – Ela avança nele, com os braços para cima, mas Percy segura os dois e os mantém imóveis.
–Nossa, Annabeth, não conhecia esse seu lado agressivo – Ele solta uma gargalhada. Ela tenta morder ele, mas ele desvia – Opa, os dentes não. Nada de mordidas sem a minha conscientização.
Annabeth olha incrédula para ele.
–Você é nojento – Ela tenta se afastar, mas ele a mantém presa.
–Sabia que você é a única garota que não caiu nos meus chames? Tirando a Thalia, mas acho que a Thalia nem gosta desse tipo de fruta.
–A Thalia não é gay – Annabeth revira os olhos.
–Enfim, você nunca me deu muita bola. – Ele da de ombros – Às vezes me pergunto o porquê.
–Desculpa se eu abalo o seu ego e sua masculinidade frágil não dando a mínima pra você. Acontece que você não faz meu tipo – Annabeth responde calmamente.
–Eu não acredito nisso, sou o tipo de todo mundo – Percy parece um pouco chateado.
–Eu não sou todo mundo, cabeça de alga – Ela sente vontade de rir da atitude infantil dele, mas se segura e mantém a educação.
–Vamos fazer uma aposta então – Ele se anima de novo.
–Eu não aposto.
–Você vai gostar dessa – Annabeth suspira, mas presta atenção na fala dele – Eu aposto que consigo te conquistar até a formatura.
Uma crise de risos aparece e veio com força, ela ri tanto que até sente dor na barriga. Percy tem vontade de cobrir a boca dela, mas apenas fica observando ela rir, ela tem uma risada gostosa e contagiante. Ele quase sorrir junto com ela.
–Já acabou?
–Já sim – Ela limpa uma lágrima da bochecha – Essa foi uma das coisas mais engraçadas que eu já escutei.
–Eu estava falando sério.
Annabeth arqueia a sobrancelha.
–Você não vai conseguir.
–Se eu conseguir, o que eu vou...
–Não vai.
–Vou.
–Não.
–Quer apostar?
–Quero – Ela responde por impulso e se arrepende logo depois. Percy sorri, vitorioso – O que eu ganho se você perder? O que eu sei que você vai.
–O que mais você iria querer, além de ver meu ego totalmente destruído e minha masculinidade no fundo do poço? – Annabeth sorri com a ideia, mas balança a cabeça, quer mais – Peça o que você quiser, eu te dou.
–Promete?
–Prometo.
–Tudo bem, vou pensar e te digo depois.
–Pode pensar a vontade, mas você vai perder.
–Vai querer o quê? Mesmo eu sabendo que não vai ganhar nada.
–Não quero nada – Ele dá de ombros.
–Nada? Mas...
–Só o fato de conquistar Annabeth Chase me dá créditos por toda vida.
Annabeth cora com o comentário.
–É melhor eu ir andando, tá ficando tarde. Alguém pode entrar aqui e vamos nos encrencar – Ela se afasta até a beira e Percy a segue.
–Você ficou envergonhada com o meu comentário – Ele sorri.
–Não fiquei – Ela mantém os olhos longe dos dele.
–Ficou sim. Para de descordar de tudo o que eu digo – Ele começa a fazer cócegas nela e a mesma se contorce toda.
Eles acabam ficando de frente um para o outro, Annabeth imprensada por causa do fim da piscina. Percy para o que está fazendo para apreciar os olhos de Annabeth, eles são incríveis, de um tom cinza que ele nunca viu. Ele coloca os braços entre dela, a prendendo e fixa seu olhar na boca entreaberta dela – ela respira com dificuldade –, se aproximando devagar.
Annabeth entra em desespero, seus olhos se arregalam. Ela nunca beijou ninguém e não esperava e nem queria que seu primeiro beijo fosse com Percy. Mas por alguma razão que ela desconhece, Annabeth não consegue se mexer, é como se estivesse enfeitiçada.
Percy se aproxima ainda mais, suas respirações interagem uma com a outra, ele consegue sentir o hálito quente e doce dela e isso o motiva ainda mais a beija-la. Quando ele está quase encostando sua boca na dela, Annabeth consegue virar o rosto e ele só toca o canto da sua boca.
Ele percebe o que quase aconteceu e se afasta, indo para o meio da piscina. Annabeth ainda se encontra desnorteada.
–É melhor eu ir embora – Ela se levanta e sobe.
–Tá legal. Tchau então.
–Tchau – Ela quase sai correndo do local.