Noite de treino

1266 Words
–O que você acha da gente sair no fim de semana? – Thalia sugere – Eu conheço umas boates incríveis, acho que vai gostar. –Somos menor de idade, Thalia. Não podemos entrar em locais como esse. As duas estão se alongando perto das arquibancadas, antes de iniciarem o treino. Elas fazem parte do time de voleibol feminino da academia e são excelentes no que fazem. –Isso não é um problema pra mim. Tenho identidades falsas – Thalia pisca para Annabeth, a loira lança um olhar de repreensão para a amiga e a morena apenas dá de ombros. –Isso é ilegal, Thalia. Você não pode... –Será que as duas moças podem terminar a conversinha e se dirigirem até aqui? – Clarisse La Rue encontrasse parada no meio no ginásio, com um olhar ameaçador para as duas amigas. Clarisse é a capitã do time e também uma garota extremamente explosiva e violenta. Vivia trocando farpas com Thalia – Venham pra cá. AGORA! As duas trocam olhares do tipo: “isso não vai prestar”, mas seguem para o centro, aonde uma rede está posicionada bem no meio. –Ninguém é s***a aqui, Clarisse. Devia abaixar esse seu tom de voz – Thalia comenta. Clarisse trinca os dentes e se aproxima de Thalia, ficando cara a cara com a rival. Ambas possuíam a mesma altura. –Não brinca comigo, Grace – Clarisse avisa – Acabo com você em dois tempos. –Tô morrendo de medo – Thalia finge estremecer – O que aconteceu, Clarisse? O Chris broxou na noite passada? Algumas garota do time ficam de boca aberta. Chris é o namorado de Clarisse e é também seu ponto fraco, ela não aceita que ninguém fale dele. A morena parte para cima de Thalia, mas é impedida por Annabeth. –O que você pensa que está fazendo? – Ela se posiciona em frente as duas – Acham que aqui é algum tatame pra vocês se enfrentarem? Eu não admito brigas aqui. Nós somos um time, devemos ser unidas. Clarisse se recompõem, endireitando a postura. –Quem você pensa que é, Chase? Aqui não é o seu grupinho de debate, não manda em nada aqui. Eu sou a capitã, me deve respeito, ou você se conforma com isso ou você sai. Não vou aceitar que roube meu cargo. Annabeth estreita os olhos e respira fundo. –Sim, Clarisse, eu sei bem que você é a capitã. Você não deixa ninguém esquecer disso e eu respeito você, mas só quando você se dá ao respeito. Como pode exigir algo que você não exala? Olha aqui, não estou querendo roubar o lugar de ninguém. Mas talvez você devesse se portar melhor com a equipe, mostre que podemos confiar em você e faça nos sentirmos bem, converse com a gente. Tenho certeza que assim a equipe renderia bem mais. Todo o time aplaude o discurso de Annabeth, fazendo a mesma corar com a ação. –A Annabeth tem razão, Clarisse – Bianca Di Ângelo se pronuncia, ela é uma das integrantes do time, a líbero da equipe – Você é sempre carrasca com a gente, poderia tentar dar uma melhorada, pela equipe. –Sei que deve ser difícil pra você fazer isso, mas poderia pelo menos tentar – Thalia brinca – Quem sabe um pouco de s**o ajude. Clarisse lança um olhar mortal em direção a Thalia. –Não liga pra Thalia – Zoe Campbell pede, ela é a defesa central - Ainda não se acostumou com as piadas dela? –E algum dia alguém vai se acostumar? – Reyna Ramirez questiona, conseguindo risadas das amigas. Ela é a defesa esquerda da equipe. –Tudo bem – Clarisse resmunga – Tentarei ser um pouco melhor. Mas sem esses sorrisos, começo a partir da semana que vem. Agora, todas as suas posições! As garotas resmungam, mas cada uma vai pra sua posição. Elas passam a noite treinando e quando finalmente acaba, Annabeth está exausta. Ela foi a última a sair, Thalia disse que poderia esperar por ela. Mas ela decidiu tomar banho no vestiário, não queria brigar pelo banheiro do quarto. Ela está tão concentrada em seus pensamentos, que nem percebe um rapaz escorado nos armários. –Annabeth Chase? – Ele chama, assustando a loira. –Minha nossa... você me assustou, Jackson. – Ela tem uma expressão carrancuda – O que você está fazendo aqui? Percy sorri. –Como você consegue se assustar comigo? Eu sou lindo, praticamente um deus grego. Annabeth faz uma cara de desgosto. –Sua humildade é o que mais me fascina em você – Com isso ela continua seu caminho, sem dar importância para Percy. –Ei, espera! – Ele corre para alcança-la, se posicionando ao lado dela. –O que você quer, Jackson? Não tem mais nada pra fazer? –Preciso da sua ajuda – Ele sussurra, mas Annabeth consegue ouvir e tem um ataque de risos. –O que você disse? Eu ouvi bem? É alguma piada? –Eu preciso da sua ajuda – Percy resmunga – Não é piada. –E por que eu ajudaria você? –Qual é, Annabeth? Eu sei que você é uma garota solidária. –Com aqueles que precisam e merecem minha ajuda. Me dê um bom motivo pra ajudar você – Ela para e cruza os braços. –Porque nossos pais são grandes amigos e sócios, caso você não queira me ajudar, irei contar tudo pra sua mãe – Percy não faz o tipo fofoqueiro ou chantagista; na verdade ele nem gosta dessas coisas, mas sabe que é a única forma de Annabeth ajudar ele. A garota olha incrédula para o rapaz, não acreditando no jogo sujo que ele está fazendo. –Não sabia que você era tão sem escrúpulos assim. –E eu não sabia que você era tão egoísta assim. Custa me ajudar? –Vou gastar meu tempo te ajudando. O que eu ganho com isso? –Minha amizade? – Percy abre os abraços. Annabeth faz uma cara de nojo. –Eu dispenso – E com isso volta a andar. Percy revira os olhos e vai atrás dela de novo, segurando a garota pelos braços. –Annabeth, por favor. Acredite, eu não estaria fazendo isso se não fosse realmente importante e urgente. Acha mesmo que eu estou gostando de implorar ajuda pra você? Sabe que nós nunca nos demos muito bem, mas você é a melhor pessoa pra me ajudar. Annabeth fica surpresa com as palavras do rapaz. Ele encara ela, suplicando com o olhar. Talvez fosse o encanto dos lindos olhos verde água dele, mas ela acredita nas palavras de Percy. Ela assente. –Tudo bem. Eu ajudo você. Do que precisa? – Percy abre um largo sorriso, dando um abraço forte em Annabeth, tirando-a do chão – Já pode me soltar. Ele obedece. – Minhas notas estão na média, mas isso não é o suficiente para mim continuar no time e conseguir uma boa bolsa universitária, então preciso aumentar elas. Annabeth sorri. –Fez bem em me procurar. Vou te transformar no aluno no segundo melhor aluno dessa escola. –Não seria o primeiro? Annabeth solta uma gargalhada. –Meu querido, o primeiro lugar é meu. Ninguém me tira isso. –Depois quer falar de mim em relação a humildade. –Você veio pedir ajudar a mim, então é bom que fique bem claro, vai ser nas minhas regras. –Calma... –Ou você aceita minhas condições ou você procura outra pessoa. Percy grunhi, mas concorda. –Tudo bem. Você manda. Annabeth sorri, vitoriosa. –Obrigada. Até amanhã. Boa noite, Perseu.
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