Capítulo 2

640 Words
Dário Santoro A máfia e suas exigências… Às vezes, isso me incomodava, mas cresci fazendo o que era necessário, e não o que eu queria. Bom, a vida adulta tem muito disso: fazemos o que precisamos, não necessariamente aquilo de que gostamos. Cresci ouvindo meu pai dizer isso, e foi uma das frases que guardei comigo, afinal, um dia eu seria o Dom de Nápoles. Quando eu tinha onze anos, recebi uma proposta de aliança por meio de um casamento, vinda do Dom de Bari, na Puglia. Meu pai não hesitou em momento algum em aceitar. Minha futura esposa acabava de nascer. Era uma aliança que traria grandes benefícios para ambos os lados. Só se esqueceram de me avisar que minha futura esposa teria um gênio um tanto quanto difícil. Desde que completou doze anos, Bianca consegue fazer da minha vida um inferno com sua rebeldia, teimosia e seu espírito de Dora Aventureira. Eu sempre quis colocá-la em um internato para ver se conseguia ter um pouco de paz, mas, na última vez em que toquei no assunto, eu e seu irmão, Luiggi Bellini, quase nos matamos. Naquele dia, trocamos socos e ameaças e terminamos com armas em punho, apontadas um para o rosto do outro. Apesar disso, eu sabia que ele só estava tentando proteger a irmã. Mesmo sabendo que, depois do nosso casamento, não poderia fazer muita coisa. Passei dezessete anos tendo dores de cabeça por causa dessa garota. Ela sempre tentando dar seu primeiro beijo, sempre dando um jeito de aparecer em alguma festa indevida e de procedência duvidosa. Ainda bem que sempre fui esperto o suficiente para deixar um homem de confiança responsável por me contar cada passo da minha garotinha rebelde. Eu a via apenas por fotos e vídeos, porque nunca quis me apresentar a ela. Faria isso somente na noite da oficialização do nosso noivado, que aconteceria uma semana antes do casamento. Estava em Bari naquela noite para resolver algumas questões da máfia. Algumas reuniões aconteciam na área VIP da boate recém-inaugurada, The Vault, quando Rafael Corleone, meu homem de confiança — a quem, inclusive, confiei a segurança da minha querida futura esposa —, avisou que ela estava no mesmo lugar. Passei a observá-la. Bianca bebeu até praticamente não conseguir mais se manter em pé. Quando vi um i****a levando-a para fora, soube imediatamente quem era. Lorenzo Ferraço. Filho de um político bastante conhecido em toda a Itália. Não gostava muito de políticos. Principalmente daquele… Quando finalmente me apresentei, a maldita diaba veio com sarcasmo, falando em bolo e café. Confesso que seu humor me pegou de surpresa. — Não se preocupe, meu amor. Você terá a vida inteira para fazer bolo e café enquanto espera por mim. Ela me olha e revira os olhos. Naquele momento, tenho quase certeza de que consegue enxergar o próprio crânio. Então abre um sorriso perverso. — Oh, querido… Tenho esperanças de que você morra na primeira missão depois que nos casarmos. Serei a viúva mais nova da história da máfia. Tenho jogado esse pedido ao universo e tenho certeza de que ele não irá me desapontar. — Reze bastante, noivinha. Vai que, depois do casamento, eu decida jogar você em algum calabouço para que possamos nos encontrar no inferno mais rápido. Agora, se já terminou de me rogar pragas, saia do carro. Vou levá-la para casa. Quero conhecer melhor minha futura esposa. Ela sai do carro sem hesitar, semicerra os olhos e diz: — Claro, meu amor. Vamos. Ainda quero oferecer aquele bolo e o café. Tenho alguns venenos guardados especialmente para você. Essa garota é pior do que eu imaginava. Quando vem em minha direção, vira-se para o bastardo que ainda nos observa e diz: — Lorenzo, terminaremos esta noite em outro momento. Tenho um rato para matar… Ops! Um noivo para conhecer. Boa noite.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD