Você sabe a resposta para isso.
_Ele já o perdoou, Aidan. _ A mão de Aslan repousou no ombro do irmão por um momento, tentando transmitir uma mensagem de reconciliação. Mas Aidan apenas afastou-se, ajustando a bolsa do estribo do cavalo.
_Então veio por causa da lua de sangue? _ falou sem rodeios, só havia um motivo para o seu retorno. Ambos ficaram sérios. Tudo os levava para esse confronto.
_ Sim...
Uma trombeta ecoou pela floresta, agitando as folhas das árvores. O cavalo relinchou e empinou, agoniado, mas Aidan segurou firmemente as rédeas, tentando acalmá-lo.
_Calma, garoto...
Quando o som da trombeta finalmente cessou, Aslan virou seu olhar na direção do castelo.
_Vamos, o Conclave Vermelho está prestes a começar.
***
Subiram a colina com pressa, Aslan demonstrava uma agilidade que o cavalo não podia igualar, embora o animal avançasse em um ritmo mais lento, Aidan confiava que ele encontraria o caminho. Havia entre os dois uma conexão especial, uma ligação que transcendia a simples relação entre cavaleiro e montaria. Enquanto subiam, Aidan sentia o peso de seu próprio ser mais sobre o cavalo do que sobre o cocheiro; ansiava por experimentar algo além da mera compaixão, mas ao avistarem o imponente castelo à frente, todas as suas inseguranças desvaneceram. Ali, diante da majestade ancestral, até mesmo um renegado como ele encontrava um senso de pertencimento, um respeito inato pelas tradições de sua linhagem.
Ao chegarem aos portões do castelo, a visão não correspondia às lembranças de Aidan. Um portão imenso, adornado com correntes prateadas, se erguia diante deles, cercado por um muro de pedra coberto de musgo. Homens mascarados, guardiões silenciosos da antiga linhagem, inspecionavam as carruagens que chegavam, cada uma representando uma família poderosa, seus cavalos negros e imponentes contrastando com a paisagem sombria.
Uma sensação de inquietação se instalou na mente de Aidan ao testemunhar a grandiosidade da procissão. A chegada de uma carruagem vermelha, com alegorias prateadas reluzindo nas rodas, despertou um presságio sombrio em seu coração. Enquanto observava as famílias reunidas, uma pergunta escapou de seus lábios: _quantas famílias vieram?
O toque reconfortante de Aslan em seu ombro foi acompanhado por uma resposta carregada de gravidade. _Todas elas.
Em um instante de silêncio compartilhado, os olhos de Aidan encontraram os de Aslan, uma comunicação silenciosa entre irmãos que transcendeu as palavras. "Então está realmente acontecendo", murmurou Aidan, o brilho de determinação em seus olhos refletindo uma fúria contida. _Ele está aqui?
_Ele está! _ respondeu Aslan, sua voz carregada de advertência. "Mas não busque conflitos, irmão. Tudo mudou desde que partiu. _ Vamos.
Juntos, avançaram em direção aos portões do castelo, embora tomassem um caminho alternativo. Aidan seguia cauteloso, confiante em Aslan, mas consciente de que a reunião das famílias, mesmo em circunstâncias tão incomuns, sinalizava uma ameaça iminente. Ao adentrarem uma porta n***a e seguirem por um corredor iluminado por tochas.
O som sutil de um apito, ressoou em seus ouvidos.
_ coloque a máscara. _Ao ser instruído a colocar a máscara, Aidan aceitou as palavras de Aslan com resignação, compreendendo que cada passo dentro daquele lugar sagrado era uma dança delicada entre lealdade e sobrevivência. embora seu irmão parecesse tenso ou prestes a dar outro aviso, limitou-se a um abraço desajeitado. _ Siga pelo corredor até encontrar uma porta. Fique lá
_ aconteceu alguma coisa?
_não. _ Aslan de um passou em direção oposta e parou_ Aidan é bom te ter de volta.
Aidan sorriu e ajustou o passo pelo caminho os corredores escuros do castelo o envolveram, iluminados apenas pelas luminárias que pareciam lançar sombras dançantes nas paredes de pedra. Ao chegar a uma porta n***a, uma onda de dúvidas perpassou a mente de Aidan, mas ele optou por não questionar, confiando na orientação de Aslan.
Adentrando a sala, foi recebido por uma luminosidade deslumbrante, cristais cintilantes flutuando no ar como estrelas cadentes. Olhando em volta, viu uma multidão de pessoas sentadas em cadeiras de madeira lapidadas em lianth vermelhos, Aidan ocupou uma sala no andar de cima, avistando outras espalhadas pelo salão, cada uma representando as principais famílias: Clanis, Domus, lúpus. Preferindo não perder tempo com eles, concentrou-se no salão, uma criança corria entre as fileiras de cadeiras, enquanto uma criada o seguia de perto. Os cabelos da criada, cabelos vermelhos ainda mantinham o perfume da lareira de sua casa, ainda conseguia sentir. Famílias de baixo nome eram incumbidas desse dever, e a garota não era exceção, com seu rosto redondo adornado pelos cachos vermelhos que emolduravam perfeitamente sua expressão. Com um gesto firme, ela agarrou o garoto pelo braço e o arrastou através do salão.
seus olhos encontraram o estrado elevado, onde uma figura imponente, repousava no trono esculpido a partir das raízes entrelaçadas de uma árvore ancestral, cujos braços esticados clamavam por redenção aos céus. Aquele era seu pai. À sua volta, vários seguidores de Gaia, devotos servos do Conclave da Tempestade Vermelha, inclinavam-se em reverência, suas túnicas de folhas tecidas em harmonia com a brisa sussurrante da floresta. Ornamentadas com padrões de folhas e flores em tons terrosos e verdes, estas vestes eram enriquecidas com acessórios naturais, como cintos e pulseiras de fibras entrelaçadas com pedras preciosas que simbolizavam os elementos da Terra. Seus pés, protegidos por sandálias de couro curtido, firmavam-se com determinação sobre a terra sagrada que juraram proteger.
_Você envelheceu bastante.
O seu pai estava adornado com uma máscara dourada e uma coroa, com cabelos de seda que caiam sobre escalpos grisalhos. sombrio e imponente como as sombras que dançavam no salão, revelava uma conversa em sussurros com Aslan, vestido com um gibão de couro cosido. Ao redor, outros seguidores, silenciosos e reverentes, aguardavam em respeitoso silêncio, enquanto os deuses e servos reunidos no salão do Conclave observavam com olhares atentos.
Lembrou-se das últimas palavras dele: _um cachorro que corre atrás do próprio r**o, nunca será um Alfa. Foi isso que disse, pai?
uma voz conhecida o interrompeu. _Falando sozinho, Aidan?
O perfume barato, a presença insidiosa, despertou um turbilhão de emoções dentro de Aidan.
_O que está fazendo aqui, Gabriel? _ ele perguntou, tentando conter a raiva que ameaçava transbordar. Não gostava daquele homem, era uma víbora.
_Você achou mesmo que passaria despercebido? _ provocou Gabriel, sua voz carregada de sarcasmo.