introdução_1

1013 Words
Estava prestes a se desculpar quando sentiu o cheiro novamente. A cada passo, o odor se intensificava, até que, ao alcançarem o fim da ponte, o cheiro cessou e uma sutil neblina começou a se espalhar ao redor de seus pés. Ele pegou o lampião e o levou até a beira da estrada, encontrando uma placa velha. As árvores farfalhavam, e ele sentia olhos sobre si, embora só visse o dossel das árvores deixando passar a luz da lua entre as folhagens densas. _Parece que é um pouco mais à frente. _ Tentou falar alto, mas sua voz falhou. As folhas secas ecoavam no negrume da floresta, e uma brisa gelada fez tremeluzir o fogo no lampião. O cavalo começava a ficar agitado novamente, e algo se desenrolava por trás das cortinas da noite, algo que o homem no cavalo percebeu. O cocheiro depositou novamente a mão na narina do animal. a neblina tornava difícil enxergar um passo à frente. _Está bom até aqui! _ O homem desceu do cavalo, alto e esguio, com ombros largos, se postou a luz do lampião. vestia uma túnica preta que lhe dava um ar elegante, misterioso e assustador, adornado com correntes douradas nos braços onde a manga estava levantada. Seus cabelos longos alcançavam a cintura, negros como a crina do animal. Sua pele morena parecia brilhar à luz da lua. Jogou um saco de moedas para o velho e pegou as rédeas do animal. _Volte imediatamente. O saco de moedas estava pesado, e o velho m*l conseguia segurá-lo com firmeza. _Obrigado, senhor! Mas está escuro. O senhor não parece ser daqui, não conhece bem a região, mas se está indo para o castelo com uma máscara dessas, significa que é nobre. _ O velho se calou, mas sabia que podia ser sincero com aquele homem. _Se algo lhe acontecer, eles virão atrás de mim e de minha família. _Ninguém irá atrás de você, cocheiro. _ Um vulto n***o passou entre as árvores, mas o senhor não o viu, apenas sentiu a brisa bruxuleando a chama no lampião. _Agora vá! _ O lampião? _Vá!!_ seu tom tinha urgência, mas talvez já fosse tarde demais. Sem esperar, o velho ajeitou o saco e o lampião nas mãos e se pôs a correr. Quando já estava longe, o homem de máscara carmesim escutou seu grito ecoando num prenuncio de agonia. Ao se virar na direção do som, o saco de moedas veio voando em sua direção, fazendo espirais na neblina alta. Pegou ainda no ar sem demonstrar dificuldade. _Por que pagou a esse lixo? _ Sua voz carregava desdém, como se falasse de um camundongo rabugento que se esgueirou até a cozinha e cozinheiro dera queijo. a sua repulsa era evidente. _Não precisava matá-lo._ sua voz não demostrava nenhum sinal de compaixão. Eram só palavras ecoando no breu. _Vejo que ainda está apegado a velhas tradições. Mas porque veio por essa estrada, se não reconhecesse teu cheiro teria matado você também _ num piscar de olhos, o homem estava tão próximo que quase dava para sentir sua respiração quente no pescoço. _Agora, retire essa máscara, deixe me vê-lo. Levou as mãos à máscara e a removeu lentamente, revelando pelos por fazer em seu rosto, com um queixo pontudo e maxilar firme. Seu rosto era uma obra de arte esculpida pela própria natureza. Os olhos, profundos e intensos, eram como poços de mistério. As sobrancelhas bem definidas adicionavam um toque de seriedade e mistério ao seu olhar, enquanto os cílios longos e escuros emolduravam os olhos como cortinas para uma janela de mistério. Seu nariz era perfeitamente esculpido, com uma leve curva que lhe conferia um ar de nobreza e elegância. Os lábios, carnudos e macios, formavam um sorriso que podia iluminar até mesmo os dias mais sombrios. Era um rosto que cativava e encantava, um reflexo da beleza interior que possuía. _as mortes já foram liberadas na porta de casa, Aslan? _Pare de fingir que se importa com aquele cocheiro. _ Aslan voltou os olhos para a face do homem alto, tocando-a com os dedos. Estavam tão próximos que podiam sentir o hálito um do outro. Uma mecha caía sobre os olhos verdes, e os dois riram e se abraçaram. _Você ficou mais feio, Aidan. _E você ficou mais baixo irmão. _ Aslan era diferente em tudo de Aidan, uma testa larga e marcante, sobrancelhas espessas sobre olhos azuis penetrantes, ele exalava uma aura de força inabalável. O nariz reto e firme, a barba densa e bem cuidada, barba trançada que caía até seu peito e as cicatrizes e rugas que contavam histórias de vitórias e perdas conferiam-lhe uma aparência de líder nato. Cada expressão era um reflexo de sua natureza indomável, uma mistura de fúria e nobreza que o tornava respeitado e temido por todos à sua volta, um verdadeiro descendente da lendária casa noctis. Estava sem camisa, e seu físico, à luz da lua, parecia ser feito de pedra. Aidan se afastou do abraço do irmão e foi em direção ao cavalo, depositando o dinheiro na bolsa e voltando a atenção para Aslan. _Por que você está aqui... Aslan? _ Seu questionamento carregava uma curiosidade genuína, mas também uma sombra de desconfiança. Ele esperava passar despercebido, embora soubesse que era uma esperança vã. No entanto, encontrar seu irmão ali não poderia ser mera coincidência. Eles começaram a andar pela trilha, os passos deles ressoando suavemente na quietude da noite. _Estava dormindo no..._Aidan notou que seu irmão corava levemente. _Estava dormindo com uma das empregadas, acho que no lamaçal. _Pare com isso! _ Ele deu um soco de brincadeira no ombro do irmão, mas havia um tom de reprovação em sua voz. Aslan era conhecido por seus excessos. _Dormia longe do castelo. Senti um cheiro familiar e vim conferir. Já é o suficiente. Não aguento mais os nobres naquele salão. _Isso explica sua falta de roupa. _ Os dois riram brevemente, mas havia tensão no ar. Quando a leveza desvaneceu, Aslan sentiu-se compelido a perguntar, antes que a conexão se perdesse. _Por que demorou tanto para voltar, irmão?
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