09. Inacabado

1199 Words
Os meses foram se seguindo desta forma. Íamos continuamente ao estúdio, passávamos horas a fio gravando as músicas que levaríamos para o estúdio. E nesse meio tempo nos provocávamos discretamente. Com palavras soltas, situações em que um provocava excitação no outro, e colocávamos nossas provocações para fora fodendo em lugares inusitados. Para ela era uma aventura, se colocar em situações de risco por um prazer que seria genuinamente épico. Para mim o risco era demasiadamente proveitoso. Um certo dia, quando terminamos de gravar o primeiro disco, Vivian levou a fita com uma das faixas para um amigo seu tocar na rádio, a fita que tinha uma das minhas composições. Amelia e eu ficamos no estúdio, ainda pensando em outras composições que já estavam prontas, ajeitando que melodia a banda usaria e quando começaríamos a gravar as músicas dela. Era bonito ver ela nos coordenando, dava para ver em sua feição o quanto gostava daquilo. Nosso estúdio ficava no decimo andar de um dos prédios mais caros da cidade, apenas artistas com uma carreira já existente gravavam ali. Eu era um bastardo privilegiado. A banda era composta por mais 3 pessoas, além de mim, tínhamos outro guitarrista, uma insistência de Vivian, contra o gosto de Amelia, seu nome era Thomas, um cara muito calado, mas entendia muito de música e melodia, era ele quem compunha boa parte de nossas melodias. Tínhamos a Jessie, nossa baterista, a mulher com os braços mais musculosos que vi na vida, ela tinha vindo de outro país, era de ascendência+ russa, e tinha um sotaque muito forte na fala. Tínhamos também Magie, nossa baixista, dentre todas a que mais me chamava atenção. Porém, quando Amelia estava ali, não havia mulher que pudesse disputar minha admiração. Eu já estava começando a ficar preocupado, sentindo meu coração disparar no peito, cada vez que ela se aproximava de mim, seja lendo a mesma partitura que eu, ou com seus leves toques para chamar minha atenção, eu sentia como se um choque passasse por todo o meu corpo, e desejava estar completamente sozinho, dentro daquela mulher. Ela me chamou para almoçarmos juntos naquele dia, apena nós dois. Na verdade, eu era o único tratado com mais i********e por ela, se colocava distante do resto da banda. — O que vai querer comer? —Perguntou para mim enquanto eu terminava de afinar as cordas de meu violão. Olhei para ela com um sorriso malicioso nos lábios, enquanto dedilhava pelas cordas do violão. — Você. — Disse levando a palheta até a boca, e anotando o trecho de uma canção que começava a surgir em minha mente. Ela gargalhou, admirei seu corpo dentro de mais um dos seus incontáveis vestidos vermelhos. Ela parecia saber o quanto aquela cor me provocava. Ou talvez fosse o fato de eu já conhecer seu corpo despido, e de me sentir completamente atraído por ele. — Tem um restaurante aqui perto, Rubens sempre me levava lá. Por que ela fez aquilo? Me convidar para comer no mesmo lugar em que seu marido a levava? Aquilo era i********e demais? Me deixou confuso, sem entender o que de fato eu senti ao ouvir o convite. Mas não o recusei. Guardei meu instrumento, as palhetas e meu caderno de músicas, ajeitei minha roupa, vendo o olhar de reprovação dela observar melhor o que eu vestia. Short jeans na altura das coxas, tênis, meias brancas até a canela, uma blusa de botões com pequenos tijolinhos estampados e um casaco de tecido fino por cima, sempre tinha muitos bolsos em tudo o que eu usava, já que eu carregava tabaco e papeis para fechar meus próprios cigarros, uma leve mentira que me custou um fingimento prolongado. — Preciso passar na loja de discos depois do almoço, tenho que comprar um presente para Isabella. — Ela tem certeza de que não quer uma festa? Eu pago por... — Você tem que parar de querer pagar tudo para nós! — Disse com firmeza, sem rispidez, mas concreto o suficiente para passar minha insatisfação. — Além do mais, ela não gosta de festa. Acredita que ela me pediu apenas que eu levasse algumas pizzas e algumas bebidas para ela e mais duas amigas? — Uma garota de 18 anos que não gosta de festas? Parece minha irmã. — Disse enquanto caminhávamos para fora do estúdio, o assunto se percorreu enquanto passávamos pelos corredores em direção aos elevadores. — Às vezes eu esqueço que você criou Vivian. — Eu não a criei, ajudei a criar. Eu seria um monstro se não fizesse isso. Mas foi satisfatório ver papai aos prantos me implorando para ajudar eles dois. Mesmo assim não sei dizer se a criei bem, as vezes sinto que uma parte dela me odeia, em outros momentos tenho certeza. — Eu me sinto assim também. Era estranho ve-la se abrindo daquela forma, mais estranho ainda termos tanto em comum. Ela era uma mulher de 38 anos, com a vida já feita, e eu era só um cara de 24 anos, irresponsável, sem pensamentos para o futuro. Como podia me identificar tanto com ela? Olhei para seu rosto, o elevador estava se aproximando de nosso andar, uma lagrima reservada estava prestes a descer por sua face, ela escorria por seu olho verde. Estendi a mão, com um dos dedos a sequei, antes que caísse por aquele belo rosto. A tristeza não deveria habitar ali. Nossos olhares se encontraram quando a sineta de sinalização do elevador apitou. Poderia beija-la naquele momento. Mas por que essa vontade de tocar em seus lábios me surgiu assim tão de repente? Levei uma de minhas mãos até seu pulso, puxando-a para fora da multidão. — Venha comigo. — O que? Vamos perder o elevador! — Confie em mim. Caminhamos até a saída de emergência, onde ficavam as escadas, que eram bem iluminadas por janelas que tinham vista para o mar, descemos alguns degraus em direção as janelas, elas ficavam numa altura acima de meu peitoral, para Amelia, na altura de seu rosto. — Me fez perder o elevador para ficarmos olhando o mar por essas janelinhas? O sorriso voltou aos meus lábios. — Melhor. — Disse puxando-a para mim, encontrando seus lábios em meio ao emaranhado de cabelos. A sensação boa voltou a mim. o que era aquilo que despertava em mim? que sentimento doloso era esse que surgia em meu peito? Aquilo era apena sum beijo. Por que um beijo me fazia sentir uma coisa tão estranha? Ela gostou de receber meu beijo, abraçou-me pela nuca, passou os dedos por meus cabelos, que a esse ponto estavam crescidos demais. A carreguei, pondo-a na altura do parapeito da janela, ao vê-la de baixo, percebi que havia uma vista mais bela do que acosta litorânea. Ela precisou se curvar um pouco para voltarmos a nos beijar, pela posição em que estávamos, minhas mãos iam diretamente para sua coxa, os olhos dela se arregalaram ao sentir meu toque, mas sua boca sorria descaradamente. — Não podemos fazer isso aqui! E se nos pegarem? — Amelia, estamos no decimo andar! Ninguém usa as escadas, a menos que esteja acontecendo um incêndio. E o único fogo que vejo aqui está no meio das suas pernas!
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