13. A Divina Mulher em Vermelho (PT.1)

1127 Words
Minhas pernas estavam bambas, o som ao meu redor era mudo, não importava estar naquele cubículo, nada que saia do corpo em minha frente era palpável ou sensível. Como poderia? Como aquilo podia estar acontecendo comigo? Numa das posições em que eu mais me sentia confortável, em que eu mais adorava estar. Vendo a escultura de um corpo nu, de costas para mim, segurando em um de seus s***s, puxando seus cabelos. Eu não sentia nada. Não havia nada que ela pudesse fazer para mim naquele momento. A excitação não saia de mim, pelo contrário, estava tinindo, fervendo dentro de minhas veias. Mas prazer, arroubo, desfrute, nada disso era sentido por mim. As sensações de estar lá dentro, sentir aquela estranha desconhecida ardendo e chorando por dentro, simplesmente não me causava nada. Por que aquilo estava acontecendo comigo? Por que eu não sentia nada? Eu estava quebrado? Quando sai exacerbado daquele apartamento, a vontade de fodë incessantemente latejava dentro de mim. Eu precisava de horas a fio penetrando em alguém que me permitisse isso. E quando encontrei uma louca a altura, ao ponto de transarmos num banheiro público, o destino veio com sua ironia e me mostrou que eu era incapaz de sentir algo. Que diabos estava acontecendo comigo? ••• Amélia Por que eu estava fazendo aquilo? Havia eu esquecido do amor-próprio? Havia minha intuição falhado miseravelmente? Ora, nunca houve intuição em mim. Houve desejo, houve querer, houve luxúria. Mas, estar novamente debaixo daquele homem, me fazia a mulher mais infeliz do mundo. De costas, com a cara no travesseiro, com as lágrimas descendo dos meus olhos, lágrimas de raiva, atuando de vez em quando para parecer convincente. Quantas vezes mais aquilo iria acontecer? Quanto mais seria necessário? Ele me puxava com grosseria, ao ponto de marcar meu braço, me tragava como um brinquedo de rua, como uma velharia a ser usada. Quantas vezes mais? Dantas nunca me fez sentir prazer, tenho quase certeza de que isso era ciente para ele. Se antes eu era amargurada por me sentir dividida entre dois homens, agora eu teria de aguentar um homem que se comparava a irmão morto. Em cima de mim ele sempre perguntava se Rubens era melhor nisso ou naquilo. m*l sabia ele que Rubens estava tão morto quanto minha alma amargurada. Eu sentia que o momento se seu prazer final estava se aproximando, queria que ele se afastasse de mim, que respingasse seu sêmen longe de mim, mas ao me ver hesitar, seu braço forte me segurou, e eu senti o líquido adentrar em mim. — É melhor que não se limpe. — Não seja ridículo! — Ainda é jovem o suficiente para me dar filhos! Virei para encará-lo, sentindo o líquido escorrer por minhas pernas. — Eu já lhe dei um filho, Dantas! Minha voz saiu com raiva, entoando uma autoridade que aquele homem não gostava de ouvir. Ele se levantou abruptamente, vindo com uma de suas mãos na direção do meu rosto, apertando a face com força. — Um filho que eu não registei, não criei e nem tive a chance se de assumir como meu! Sua putä! Me arrependo amargamente do dia que levei meu irmão a aquela boate e disse a ele que tinha metido um filho em ti! — Ele foi homem! Limpou minha honra! Dantas soltou meu rosto, levantou-se o suficiente para agarrar o maço de cigarros em cima da mesa de cabeceira, gargalhou de minha desgraça soltando a fumaça por suas narinas. — Que honra? — zombou de mim, a luz estava apagada, mas eu podia ver o sorriso em seu rosto. — Antes tivesse virado mãe solteira, eu lhe dava dinheiro, colocava o menino num colégio militar, assim ele teria virado homem! — Eduardo é um homem feito, Dantas! — Não! Você e Rubens foram moles demais na criação dele! O menino é uma bicha! Acha mesmo que eu, no auge de minha patente no exército, vou querer um filho assim? — Mas que porrä! Ele é seu filho! Você o fez! — Ele é seu filho, Amélia! Seu e do finado Rúbens. Fraco feito ele. Queria sair daquele assunto, eu ia me levantar da cama, mas Cantar me puxou para si, apalpando por entre minhas pernas, desfiz a cara de desgosto, forcei um sorriso, olhando nos olhos dele, tentando esboçar que sentia prazer. — Espero que isto, seja apenas meu agora. O encarei com serenidade, respirando devagar, passei a mão por seu rosto, beijei seus lábios, deixando que tocasse onde quisesse. — Claro que é! Estamos juntos não é mesmo? — Disse isso da última vez, e foi parar na cama de meu irmão! — Dantas, pare de citar os mortos! Estamos nós dois aqui! Somente nós dois! Não preciso mais fazer o que fazia. — Não respondeu minha pergunta, Amélia. — Falou com calma, mas com um tom tão ameaçador. Deslizei minhas mãos até seu päu, enrijecido, precocemente enrijecido. Julgo dizer que essa era uma das reações que eu causava nele. Sabia o que que queria naquele momento, queria que eu me sentasse ali. Com uma de suas mãos, guiou-me até onde ele queria que eu ficasse. — Faça devagar... E responda minha pergunta. Tragava o cigarro, que estava quase no fim, fiz questão que entregar-lhe o maço. Ao menos por cima eu poderia proporcionar meu próprio prazer. — E de quem mais séria, meu bem? — a mão dele pousou sob meu quadril, empurrando para frente e para trás. — Quero que fale claramente, Amélia! — Sou... Apenas sua. — Disse aquelas palavras, sentindo um resquício de prazer que o movimento de meu corpo podia me causar. Porém, mesmo com os olhos fechados, vislumbrei que diante de mim estava aquela relva de cabelos ruivos. Me controlei incansavelmente para não chamar seu nome, e imaginei que era ele quem estava ali. Tive um orgasmo pensando intencionalmente nele. O corpo de Dantas extreme eu debaixo de mim, julgo a dizer que havia banhado meu útero novamente. Em seguida pôs-se em cima de mim, penetrou mais algumas vezes, para ter certeza de que tudo estaria dentro de mim ou para mostrar que era meu dono de alguma forma. Levantou-se da cama depois, indo em direção a janela, gostava de fumar ali, admirava o rio atrás da casa, o alojamento dos empregados, os jardins que eu fazia questão de cuidar. — Estou falando sério com você, Amélia! — Já disse que não meu corpo pertence a você! — Não estou me referindo a isso. — Virou a cabeça por cima do ombro. — Quero um herdeiro de verdade! Antes do ano novo espero que esteja grávida! E se eu sonhar que tem outro homem metendo em você, o mato! E ponho seu filho na boca dos militares!
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