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Entre o Crime e o Amor

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Blurb

"Entre o peso do crime e a leveza do amor, eles descobriram que o coração sempre cobra o que a vida tenta esconder."

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Capítulo 1
Laís 🌹 Me chamo Laís, tenho 26 anos, atualmente estou morando na Coreia do Sul com minha melhor amiga e minha afilhada de 2 anos. Deixamos o Brasil quando nós tínhamos 16 anos, sim, duas adolescentes que sempre sonharam em viajar para o outro lado do mundo e realizamos nosso sonho. Não foi fácil no começo, a gente só sabia o inglês e olhe lá. Pra nós nos comunicarmos aqui, nós usávamos o Google Tradutor, era muito engraçado as pessoas tentando entender a gente, mas hoje nós falamos muito bem o idioma. Aqui nós fizemos vários amigos, temos nossos trabalhos dos sonhos. Minha amiga engravidou de um coreano, um CEO muito importante da Coreia, e teve a nossa pequena Min-ji. O relacionamento não deu certo e cada um foi para o seu lado, mas ele é um amor, cuida das duas com amor e carinho, até de mim ele cuida. Diz ele que eu sou a filha mais velha dele e ele é só 2 anos mais velho que eu. Nós viemos pra cá para tentar esquecer as pessoas que nos fizeram sofrer. No começo não aceitamos, a gente só chorava, praticamente duas crianças do outro lado do mundo, sem mãe por perto e ainda sofrendo por homem. Mas esse sofrimento fez a gente crescer e ser o que somos hoje, duas mulheres poderosas e independentes. Hoje faz exatamente 10 anos que estou longe da minha mãe e do meu irmão, 10 anos que a saudade bate e só posso ver eles pela tela de um celular, 10 anos que tomei uma decisão que mudaria minha vida para sempre. Não foi fácil, mas eu consegui. Hoje sou uma advogada bastante famosa, tenho tudo que sempre sonhei: minha casa própria, meus carros dos sonhos, Hyundai Avante, Hyundai Grandeur, Genesis GV80. Hoje posso dizer que consegui realizar tudo que sempre quis. Hoje é minha folga e viemos passear com a Min-ji no parque. Minha vida é assim: trabalho e casa, casa e trabalho. Final de semana é assistir filme e passear no parque. Assim vivemos nossas vidas, como mãe e madrinha. Saio dos meus pensamentos com minha amiga me chamando. Aline: Oh, tô te chamando, Laís — diz me encarando. — Tá viajando, menina? Laís: Só tô lembrando que hoje faz exatamente 10 anos que nós chegamos aqui com duas malas, uma bolsa e um sonho — digo rindo e bebendo meu suco. — Não foi fácil deixar tudo pra trás, né amiga? Aline: 10 anos, que engraçado, né? Nós sempre falamos que íamos conhecer a Coreia e olha nós aqui morando há 10 anos, com uma coreaninha correndo pra lá e pra cá, as duas bem-sucedidas. Como é a vida, né amiga? A gente veio com medo, com mágoa no coração, com um objetivo: ser feliz, e nós conseguimos até mais do que imaginamos — diz com um sorriso no rosto, olhando pra nossa pequena correndo toda feliz. Ela é minha melhor amiga, minha irmã, minha companheira pra todos os momentos. Quem vê ela com esse sorriso no rosto nem imagina o que ela passou. Viemos pra cá com a ajuda da minha mãe. Na época, ela tinha um dinheiro guardado pra ajeitar a casa que morava. Me doeu ver ela usando o dinheiro que guardou por anos só pra tirar nós duas do Brasil e não ver a gente sofrendo. Hoje ela tem uma casa maravilhosa que eu e meu irmão demos pra ela. [...] Já era 10 da noite. Chegamos do parque e fomos logo tomar nosso banho, porque hoje é dia da pizza. Tomei banho, coloquei meu pijama e fui pra sala. As meninas já estavam escolhendo o filme e a pizza já estava pronta, a Aline que fez. A gente sempre tenta fazer comidinha brasileira. Laís: Vamos assistir o quê hoje? — digo descendo as escadas. — Nada de romance, por favor. Aline: Vamos de desenho até uma pessoinha dormir, depois nós escolhemos um filme pra nós. Min-ji: Omma, você já quer que eu durma? — diz olhando pra mãe dela e começo a rir. Aline: Não é isso, filha, mas o tipo de filme que eu e sua tia assistimos não é pra sua idade, entendeu minha princesa? — diz pegando ela no colo e dando beijinhos no rosto dela. Ela só balança a cabeça e começa a rir. Me sento no sofá e escolhemos um desenho. No meio do filme, Min-ji já tinha dormido. Aline levou ela pro quarto, passou um tempinho e ela voltou pra sala. Aline: Vamos escolher qual filme? — diz pegando o controle. Laís: Pode ser ação ou suspense. Ela concorda e ficamos tentando achar um filme. Passamos meia hora e nada de escolher. A gente já tava quase pra brigar. Param os de reclamar quando escuto meu celular vibrar em cima da mesinha. Pego e era meu irmão. Fiquei surpresa porque ele nunca me liga. Quem mais me liga é minha mãe, eu m*l falo com ele. 📱 Ligação X: Oi, minha doutora. Laís: Oi, mano. Tudo bem por aí? X: Bem, bem não tá, Laís — ele diz com a voz pesada. Laís: O que aconteceu? Fala logo, odeio suspense — já fiquei nervosa, ele nunca me liga e quando liga fala que não tá bem. X: A coroa tá doente, ela não queria falar pra você. Já fiquei nervosa. Ela sempre me conta as coisas. Laís: O que ela tem? Por que ela não queria que eu soubesse? X: Ela fez uns exames e deu um problema no coração — deu pra escutar a respiração pesada dele. — Ela vai ter que fazer uma cirurgia daqui 3 semanas. Não sei o que fazer, Laís. Ela não quis que você soubesse pra não te atrapalhar. Laís: Não pode ser, diz que é brincadeira, mano, por favor — falo chorando e Aline senta do meu lado, tentando me acalmar. — Ela vai fazer essa cirurgia onde? X: Vou pagar o melhor hospital daqui. Só avisei porque você tem o direito de saber. Vou cuidar dela, tá bom? Fica calma. Laís: Como vou ficar calma? É minha mãe — respiro fundo. — Vou desligar, não tô me sentindo bem. Depois eu ligo de novo pra você. Cuida dela e qualquer coisa me liga na hora, por favor. X: Já é, mas se cuida também. Vai dar tudo certo com a nossa coroa. 📱 Ligação off. Desligo e começo a chorar. Não acredito nisso. Por que logo minha mãe? Por que ela não quis me falar? Se acontece alguma coisa com ela e eu estou aqui? Aline me dá um copo com água e açúcar. Aline: O que você vai fazer? — diz passando a mão no meu cabelo. Laís: Eu não sei, amiga. Tô com medo. E se acontece alguma coisa com ela? — começo a chorar de novo. Aline: Não vai acontecer nada com a tia. Para de pensar assim. Ela é forte e vai passar por essa. Vamos pensar positivo e ter fé, amiga. Não consegui pensar em mais nada. Só quero ficar ao lado dela, cuidar dela. Esse é o preço de morar longe de quem a gente ama. Laís: Vou voltar pro Brasil, vou ficar com ela — a decisão que eu jurei que nunca ia tomar, voltar pro Brasil. Aline: Tem certeza, amiga? — diz surpresa com minha escolha. Laís: Sim, amiga. Tenho certeza absoluta disso. — Lógico que não queria voltar pra lá tão cedo, mas é minha mãe, não posso deixar ela sozinha nesse momento. Aline: Então vamos arrumar as malas e voltar pra casa. Fiquei surpresa com isso. Assim como eu, ela não queria mais pisar os pés lá. Laís: Tem certeza, amiga? Aline: Claro que tenho certeza, Laís. A tia vai precisar da gente por perto e já tá na hora de respirar o ar brasileiro. Mesmo não sendo o que eu queria, mas vamos lá. Você sabe que minha vida só funciona com você por perto — diz rindo e me abraçando. Laís: Então vamos voltar e cuidar dela — tava chorando mais de alívio, mas ao mesmo tempo medo. Medo de voltar pra onde eu sofri. [...] 1 semana depois Estamos de malas prontas pra ir pro Brasil. A ficha ainda não caiu que realmente estou voltando pra casa depois de 10 anos longe. Essa semana foi corrida, tivemos que ajeitar várias coisas: escola da nenê, o trabalho da Aline, o meu escritório deixei nas mãos do meu sócio. Tô indo, mas deixando um pedaço do meu coração aqui. Assim que minha mãe estiver melhor, nós vamos voltar. Não quero ficar no Brasil por muito tempo. Dou uma última olhada no meu quarto e desço. As meninas já estavam me esperando na sala. Laís: Então vamos? — falo com as meninas. Aline já tava chorando e Min-ji pulando. Aline: Estamos esperando você. Laís: Cuida da nossa casa por mim, por favor. Assim que resolver tudo lá eu volto — digo falando com a senhora que cuida da casa. Ela vai ficar fazendo a faxina e vai cuidar de tudo até nós voltarmos. X: Pode ir tranquila, meninas. Vou cuidar de tudo aqui. Se cuidem e voltem logo, vou ficar com saudade de vocês — diz nos abraçando. Saímos de casa e o carro já estava nos esperando. 30 minutos depois já estávamos no aeroporto. Despachamos nossas malas e fomos fazer o check-in. Nosso voo vai sair em 10 minutos, ficamos esperando. Não demorou muito e avisaram que nosso voo já ia sair. Fomos andando e o medo tomou conta de mim. Aline tava do mesmo jeito. Olhamos uma pra outra e passamos pelo portão. Agora é definitivo, estamos voltando pra casa. [...] Depois de 33 horas de voo, estamos em solo brasileiro. Estou onde, há 10 anos atrás, jurei nunca mais voltar. Saímos do avião e Aline ficou esperando as malas e eu fui ver o carro que aluguei. Ainda bem que é aqui do lado. Aluguei um HB20 prata, ajeitei tudo e fui pegar as meninas. Elas já estavam me esperando. Colocamos as malas no carro, quase que não deu, a gente trouxe quase nossa casa toda nessas malas. Fomos em silêncio, um silêncio que por dentro era grito, era medo. 1 hora depois já estamos chegando onde nós nascemos e fomos criadas. Olhei pra Aline que tava com os olhos cheios de lágrimas, a nossa pequena dormindo tranquilamente e eu estava apenas existindo nesse momento. SIM! Chegamos no morro onde tive vários momentos felizes e onde eu fui magoada e tive meu coração destruído. Laís: Voltei, Rocinha — falei em um sussurro. Olhei pra Aline que tava paralisada olhando tudo. — Amiga, tá bem? Aline: Tô sim — deu um sorriso fraco. — Você vai lá falar com eles? — se referiu aos vapores na barreira, que já estavam todos olhando e com as armas em mãos. Laís: Vou sim, antes que eles atirem na gente — ela deu um sorriso e saí do carro. Fui em direção aos meninos que estavam na barreira. Laís: Boa tarde — falei o mais calma que eu pude, porque eu tava muito nervosa. X: Ih, qual é a tua, patricinha? Laís: Vim ver minha mãe — ele me encarou e olhou pros outros que estavam com ele. X: E a patricinha tem mãe favelada, é? — diz rindo e eu só encarei. Laís: Posso subir pra ver ela? — já tava sem paciência pra esse menino. X: Olha lá, a madame querendo subir do nada — ele chegou mais perto de mim. — Quem é tua mãe? Laís: Dona Júlia da 10 — lembrei da minha mãe falando que é assim que todo mundo aqui conhece ela. X: Nem sabia que a tia tinha filha — ele olhou pra dentro do carro e depois voltou o olhar pra mim. — Quem é? Laís: Minha amiga. X: Vou ter que avisar o patrão, tu não vai poder subir assim do nada. Só concordei e ele se afastou, começou a falar no radinho. Respirei fundo e o movimento no morro tava grande. Que nostalgia ver tudo isso de novo. Quem será o dono disso tudo? Depois que saí daqui, deixei claro pra minha mãe e pro meu irmão que não queria saber de mais nada daqui e assim eles fizeram. X: Patrão mandou tu subir pra falar com ele, o menor ali vai te levar até lá — diz pra um menino que estava em uma moto. Só concordo e entro no carro. Aline: O que aconteceu? Laís: O dono quer falar com a gente, mas vou sozinha e você fica no carro com a nenê — falo ligando o carro e seguindo o menino. O coração estava na mão, tava nervosa, senti um arrepio na espinha.

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