Samantha POV.
Nós estávamos todos sentados ao chão de carpete, do quarto do pai de Cody. Ele se sentou ao lado de Samuel e Janel, eu fiquei os encarando na maior cara dura com uma cara nada boa. Acho que beber tanto não foi uma boa ideia assim. Sofia despejava balas de diversos sabores sobre a cômoda de madeira escura.
- O que está fazendo? -Noah perguntou.
- Calma, querido. - Ela disse se direcionando a nós - Façam uma roda agora. - E com uma garrafa de vodka, serviu-nos deixando os copos à nossa frente. - O jogo vai ser assim... A garrafa vai girar e vai escolher alguém pra ir ao armário. A pessoa que for escolhida, sem dizer pra ninguém, vai escolher um sabor de bala e ir com os olhos vendados para o armário. Depois, a garrafa vai ser girada de novo escolhendo a outra pessoa pra descobrir o sabor da bala da primeira pessoa, dentro do armário. A primeira pessoa não pode saber quem vai beijar, no caso, quem é a segunda pessoa. Okay? Com esse segredo vai ser mais divertido, acreditem.
- Que idiotice. - Eu resmunguei
- Adorei! - Damon disse animado - Quero ir com a Sofia.
- O jogo vai decidir, i****a. - Janel disse.
- Quem vai girar primeiro? - Samuel perguntou.
- Eu giro... - Cody se esticou e girou a garrafa, parando em Janel.
- EU? Mas já?
- Já pro armário, baby. - Sofi disse.
Eu necessitava cair com Cody. Precisava mesmo. Esse jogo... Por favor... Colabora comigo! Karma, Deus, Buda, qualquer coisa... MAS ME AJUDE! Janel havia acabado de escolher a bala e pego sua venda, então se direcionando para o closet.
- Eu giro agora. - Noah disse e se esticou. Notei em quanto a garrafa girava Samuel e Cody beberem os copinhos de vodka, quase ao mesmo tempo. A garrafa parou em Damon.
- Obrigado, pai! - Esticou as mãos para o céu e logo se tocou em olhar assustado para o namorado da menina que ele estava prestes a beijar - Tudo bem, não é cara?
-... É só um jogo... Não é? – Cody respondeu torcendo a boca e Damon se levantou feliz indo para o armário.
- Lembra que ela não pode saber quem é você... Então calado e sem roubar, Damon! - Sofi o repreendeu.
- Pode deixar! - ele respondeu. Em seguida, abriu a porta e a fechou quando passou por ela.
- E agora? - Eu perguntei.
- Esperamos. - Sofi me respondeu, com um tom de indiferença. Eu suspirei e olhei para Cody, que olhava para mim com um sorriso de canto sem mostrar os dentes. Parecia sem graça... Mas eu não sabia ao certo se era pela namorada dele estar beijando outro, ou pelas chances de ele me beijar no mesmo dia em que me deu um fora... Ou se eu estava um pouco bêbada demais pra saber com certeza. Eu olhei para Samuel em seguida e ele estava cabisbaixo, puxando o carpete com os dedos. Parecia incomodado com algo, mas não dava pra perguntar ali. Damon saiu do closet e se sentou, sorrindo.
- Uva. - sorriu - Jogo daora esse seu, hein? - Ele sorriu para Sofi, que revirou os olhos.
- Pode sair, Janel! - gritou.
- Até que em fim... - Ela saiu do closet e se sentou ao lado do namorado.
- Que sabor era o que você escolheu? - Sofi perguntou.
- Era de uva... Não posso mesmo saber quem foi Sofi? Nem se foi... Menina ou menino?
- Não! Noah gira você a garrafa agora.
- Sim senhora.
A garrafa havia sido girada e parada no próprio Noah.
- Que sorte, hã? – Janel disse. No mesmo instante, ele se levantou e foi até a cômoda, escolher sua bala. Assim que ele entrou no armário, já amarrando a venda, Samuel girou a garrafa parando em Sofi. Ela olhou para ele, com os olhos arregalados... No mínimo, esperava cair com Samuel no armário e não com Noah.
- O jogo escolheu você, “querida”. – Ironizei, imitando-a com esse “querida”. Ela me fuzilou com os olhos e se levantou. Antes de pegar na maçaneta, eu quis lhe provocar mais um pouco: - Ei, Sofi! – Ela me olhou com uma cara nada boa – Sem roubar. – Eu estalei os dedos em seguida fiz um gesto de uma arma com as duas mãos. Ela revirou os olhos e entrou.
Provavelmente, está me odiando até agora. Olhei para Samuel, e ele riu abafado com minhas provocações e eu sorri de volta. Não sei o porquê dela não ter gostado de sair com Noah. Pode ser feio de pensar isso, mas eu preferiria sair com ele, a Damon, tanto por ser mais meu tipo também... Certo? Noah é uma graça, muito inteligente e romântico. Alto demais pra mim, mas com certeza ele não se importaria em dar uma abaixadinha. Mas, até agora... Espero que a partir de hoje, seja diferente pra mim. Mesmo se não for com Cody, mas assim quero que aconteça coisas surpreendentes no meu futuro. Então, Sofia saiu do armário e se sentou arrumando seu gloss:
- Era menta. Tão previsível.
- Pode sair Noah! – Samuel gritou e Noah saiu tímido.
- Janel, gire. – Sofia deu ordem. Janel se esticou e girou a garrafa. E então a minha barriga revirou de tão gélida que ficou quando...
- Samantha... Pode ir. - Sofi disse.
- Obrigada, Janel. - eu virei o copo de vodka, me levantando.
- Desculpe... Eu acho - Janel me respondeu sorrindo forçado. Eu fui até a cômoda, lentamente... Tanto por estar um pouco bebada e por não acreditar que eu estava realmente fazendo isso. Vi as diversas balas esparramadas pela cômoda e olhei para trás vendo que eles me esperavam ir para o armário... Virei-me de volta e escolhendo discretamente o sabor de morango. Fui até o armário e enquanto eu andava, pude ver Sofi, Cody e Samuel me olharem. Os meninos viraram os copinhos de vodka e foi a ultima coisa que vi. Fechei a porta do armário escuro colocando venda e descasquei o papel de bala, sentindo o doce-azedo do sabor. Fiquei pelo menos 30 segundos lá, demorou mais do que o esperado... Já que das outras vezes não foi tudo isso. O silencio era perturbador, sendo possível apenas ouvir minha respiração e meu coração saindo do peito... Achei que iria ser mais fácil que isso.
Ouço o barulho da porta abrir e o vento correr pelas minhas pernas. Meu estomago gelava o tempo todo. Aí, a porta é fechada. Eu engoli seco, nervosa. Minhas mãos estavam geladas e minhas pernas trêmulas... Qual é Samantha? Coragem p***a! É só um beijo... É só um jogo... Senti a respiração invadir minha bochecha e então, gentilmente, retirou meu cabelo comprido de cima do meu ombro esquerdo, depositando um beijo suave em minha bochecha. Tentei pegar qualquer pista de quem seria... Poderia ser Noah, Samuel não teria coragem, ou então só poderia ser Cody... Ou Damon é mais sortudo do que pensávamos... Ou seria uma das meninas, mas acho que não. Cerrei o punho com timidez ao sentir as mãos segurarem minha cintura. Não era uma das meninas, só por sentir o formato das mãos. O perfume inundou o closet. Aquele perfume... Era-me muito familiar... Mas, droga... Não me lembro da onde... Funciona cérebro i****a e alcoolizado! Merda, merda, merda! Sua boca deslizou suavemente sobre a minha, depositando selinhos doces em meu lábio inferior. Que gentil... Isso até que é bom... Então, colocou os dedos entre meus cabelos na nuca e me deu um selinho demorado fazendo uma corrente elétrica passar sobre mim. Logo, o beijo se estendeu pedindo passagem com a língua e o objetivo do jogo começou. Nessa altura, ele já sabia qual o gosto, mas o beijo estava bom. Uma de suas mãos estava em minha nuca e a outra em minha cintura intercalando com minhas costas, sempre me puxando. Parecia que... A pessoa estava muito afim mesmo, o beijo em si já dizia isso. O gosto de morango e vodka misturados era maravilhoso... Vodka? Cody bebeu quando Janel estava aqui e antes de eu entrar. Era ele, eu sabia! Se bem que... Samuel também. Esse perfume... Parece com o que eu dei para Samuel de presente... Mas também me lembrava o de Cody... Argh esquece! Não vou conseguir pensar nada estando nesse estado tão maluco... "Não pensar" Samantha, "Não pensar". Eu tentei colocar minhas mãos em seu pescoço e ele pegou meus pulsos antes de encostarem-se a ele. Ele os levou para minhas costas, me deixando "presa", para que não conseguisse senti-lo. Nossas linguas dançavam em perfeitas sincronias e nossos corpos se encaixaram maravilhosamente, parecendo que deveríamos ter feito isso a muito mais tempo... Depois, ele me soltou e acariciou meu rosto com as duas mãos, parando o beijo. Pude sentir que ele ficou me encarando pela sua respiração em meu rosto, então ele soltou as mãos de meu rosto e abriu a porta logo a fechando.
Não pensei duas vezes e tirei a venda, ofegante e surpresa. Que beijo incrível... A v***a da Sofi até tinha razão sobre o jogo, não saber quem te beijou, era instigante. Até que depois de cinco segundos ouvi meu nome ser chamado e o frio na barriga voltou, agora, era pra encarar um dos quatro meninos no quarto e decifrar qual deles teria sido. Então eu saí do quarto e todos estavam de pé, o que houve?
- Precisamos ir. – Samuel disse.
- O que? Por quê? – Eu perguntei confusa.
- Meus pais tiveram um imprevisto na viajem e estão voltando mais cedo, não posso trazer pessoas aqui sem saberem... – Cody disse colocando seu celular no bolso.
- Ah... – Senti-me um pouco decepcionada com isso, mas acontece.
- Vamos? Eu te levo pra casa. – Samuel me perguntou e na mesma hora, Sofi saiu do quarto com os braços cruzados. ... Eu estava no banco da frente do carro e Samuel ficou quieto o caminho todo. Parecia incomodado com algo... Mais do que antes até.
- O que foi, hã? – Eu perguntei.
- Nada, por quê?
- Está com uma cara de b***a. – Eu disse dando ênfase no “b***a” e ele riu do meu jeito – Mas eu já sei o que é, Samuel.
- Sabe? – ele me encarou com os olhos arregalados.
- Sei. Eu te conheço mais do que ninguém nessa terra, Samuel.
- Samantha...
- Não, é sério. Eu sei e entendo.
- Eu posso explicar...
- Você está chateado de não ter beijado ninguém na festa. Eu sei. – Balancei os ombros. Ele me entre-olhou algumas vezes e começou a rir.
- Tem razão... Você me conhece como ninguém, Sam. – Sorriu parando o carro na frente da minha casa.
- Desculpe por isso, Samuel. – tirei o cinto – Você é uma boa pessoa.
- Eu faria qualquer coisa por você, Sam.
- E eu por você. – Nós nos encaramos sorrindo e por um momento eu gostei. Hein?! – Há... Que coisa estranha. Desculpe-me, eu bebi mais do que devia. – Eu sorri sem graça desviando o olhar.
- Tudo bem, Sam. Se eu soubesse que você era tão fraca pra bebidas, eu teria cuidado melhor de você. – ele riu.
- Você bebeu até mais que eu e está BEM melhor que eu. Vou entrar sem que minha mãe note.
- Vai ser um pouco impossível, mas tudo bem. Manda mensagem depois? - Ok! – eu me estendi para abraçá-lo. Ele me abraçou e novamente um choque passou por mim, não como antes, mais fraco. Deve ser seu perfume... Espera... O que? Eu me soltei dele e o encarei a poucos centímetros de seu rosto, deixando-o um pouco assustado até.
- Você tem certeza de que não beijou ninguém nessa festa?
- O que? Claro que não! Eu estava com você o tempo todo.
- Tá, mas... Nem no... – Notei o quão estranha e louca eu parecia aquele momento – Quer saber? Esquece. – eu ri sem graça me soltando dele – É loucura... Preciso dormir. – Eu disse e ele riu abafado – Boa noite, Samuel.
- Boa noite, Samantha. – Ele disse sorrindo e eu desci do carro, fechando sem olhar para ele novamente... Pois o ar parecia que estava de um jeito estranho.
Entrei com minhas botas na mão, andando nas pontas dos pés, tentando fazer o mínimo de barulho possível. Até que a luz da cozinha, que estava do meu lado, acende e eu fico parada no mesmo lugar sem desviar o olhar da escada, torcendo para que fosse meu irmão que estava ali em pé me olhando.
- Samantha Collins-Dallas. – minha mãe disse em pausas.
- Boa noite, mãe! – Eu sorri.
- Boa noite? Viu que horas são?
-...Vi. – Eu franzi a sobrancelhas e pisquei os olhos mentindo. Meu celular havia acabado a bateria pelo menos há três horas.
- Mentira.
- Não estou mentindo!
- Sam, você tem um tique de piscar duas vezes seguidas quando mente!
- Eu não! – disse piscando e depois notando isso... Mas que p***a!
- É quase quatro da manhã, Samantha.
- Me desculpe mãe eu perdi a noção da hora... Não vai se repetir, eu prometo. Ela suspirou
– Eu fiquei preocupada com você... Achei que havia acontecido algo... – Ela se aproximou e me abraçou – Que bom que está bem... E que bom que se divertiu – Ela se afastou e acariciou meus cabelos. Eu sorri com isso e ela franziu as sobrancelhas – Andou... Bebendo? Arregalei os olhos e comecei a piscar loucamente
– Não! – Eu saí a disparada subindo as escadas.
Assim que me troquei e depois de beber quase dois litros de água, mandei mensagem para Samuel, já pronta pra dormir.
- Está acordado? – Perguntei e depois de alguns segundos ele me respondeu.
- Estou. Como está?
- Melhor... Minha mãe me deu um sermão, mas vou sobreviver.
- Haha, sua mãe é a melhor.
- É sim kkk. Te vejo amanhã?
- Acho que não vou para a escola amanhã...
- Vai sim! Eu preciso de você lá. Preciso fazer pelo menos duas aulas extras se quiser entrar pra alguma faculdade de artes mediana. Vou voltar com as aulas de dança.
- Que máximo! Mas, sabe que Sofi está na turma, não é?
- Infelizmente. Mas é o preço...
- E a outra aula? - Está ai... Pensei em entrar para o teatro... Sei lá.
- Porque não entra na aula de musica? Poderíamos fazer juntos, você sabe violão e teclado, não é?
- Pode ser uma boa idéia...
- Mas tem que apresentar algo... E todos têm que aprovar.
- O que? Mas que p*****a. Se eu desmaiar e morrer, pode ser criativo?
- Talvez kkkk
- Samuel, esqueci de falar hoje... Eu terminei a sua musica.
- O que? Mas você pegou pra tentar começar no mesmo dia!
- kkk depois que cheguei, fiquei o resto da tarde nela... Amanhã eu te mostro como ficou... Vou dormir boa noite!
- Até amanhã <3 ...