Samuel POV.
Nós subimos até o andar do meu prédio e entramos. Fomos até meu quarto, onde guardei o violão preto envernizado pendurado na parede.
- Wow! – ela disse boquiaberta olhando para ele.
- É bonito, não é? – Eu fui indo até ele, para pegá-lo. Mas antes que isso acontecesse ouvi sons de papeis e soube na hora do que se tratava – Sam não! – Eu virei e fui em cima dela que segurava vários deles naquelas pequenas mãos – Larga, sabe que isso é pessoal.
- Nossa, foi você mesmo quem as escreveu? Porque nunca me mostrou nenhuma delas? - Disse tentando ler.
- Porque você vai rir.- Ela ficou séria e desistindo de lê-las
– Acha que eu faria isso com você? Se acha que eu sou esse tipo de pessoa, então não me conhece como diz. – Ela disse aparentemente chateada – Toma. – Estendeu as folhas com as minhas músicas. Bateu remorso. Droga.
-… Você quer mesmo vê-las? – Eu perguntei e ela sorriu de orelha a orelha.
- Mas é claro!
- Certo… Vou confiar em você, ok? – Eu fui até o violão, o tirando da parede. Sentamo-nos em minha cama espalhando as folhas por ela – Qual você quer ver?
- Hm… - Ela soou torcendo o lábio – Essa aqui.
- Essa? Não está terminada.
- Nenhuma delas estão.
- Tem razão… - Eu disse sério e logo após rimos juntos.
- Quer ajuda para termina-las? – Ela disse e eu a olhei – M-mas não precisa aceitar, se não quiser… Porque, as musicas são suas não é? E eu poderia estraga-las…
- Eu quero. – sorri. Ela corou com meu jeito de encará-la, ela nunca gostou que eu faço isso. Mas eu gosto de vê-la vermelha.
- Eu gosto dessa estrofe. – Disse pegando uma das folhas, a que estava mais mau acabada.
- Ah… Essa não… Eu iria até jogar fora. – tentei tomar de sua mão, que acabou amaçando um pouco quando ela puxou de volta, me assustando.
- Não, vamos fazer dar certo. – Ela estava quase deitada, apoiada por um dos cotovelos e então se esticou para pegar o porta-lápis do lado da cama. Ela usava uma calça de cetim preta e uma blusa que algumas partes ficavam mais curtas e outras mais longas que iam até acima dos cotovelos, estampada e clara. Assim que ela se esticou, seu abdômen ficou um pouco amostra. Eu bati o olho como num reflexo, meu estomago gelou ao vê-la assim… De um jeito até sexy se analisar. O que? Pare com isso Samuel. Eu abaixei o olhar para tentar desfocar dali, mas o instinto fez-me entreolhar novamente. Ela havia tatuado uma nota musical bem minuscula na região da pelve em direção à seu quadril, bem discreta , mostrando o lado delicado dela. Eu sorri de lado analisando-a e acordei do transe com minhas bochechas queimando, notando o quão errado aquilo estava. Ela sentou novamente na cama, agora estando voltada pra mim, com um par de lápis e uma borracha nas mãos.
- Sua mãe sabe dessa tatuagem? - perguntei sorrindo, disfarçando minha surpresa ao ver.
- O que? – Ela perguntou assustada se virando pra mim.
- Essa tatuagem... Você nunca me disse.
- Porque você é um boca aberta, Samuel.
- Não sou.
- Não é?
- Tá, talvez eu não sei guardar alguns segredos, mas você podia ter me falado... Fariamos uma juntas... Sei lá.
- Mas esse você irá ter de guardar, ou ela me arranca o couro e fico de castigo até a faculdade... Na proxima faremos, eu prometo. - Ela estendeu o dedo mindinho e eu entrelaçei-o com o meu, fazendo nosso toque. Ela voltou a fazer o que estava fazendo e eu ainda a analisava, com a sobrancelha franzida procurando os papeis sentada na cama. Então ela me olhou, ainda de cara séria. -... O que foi?
- “O que foi" onde? - eu tentei disfarçar. - Você desse jeito. – Ela riu nasalado
– O que foi? – Ela começou a rabiscar algo na folha.
Eu ri para disfarçar e mudei de assunto, um tanto curioso.
– O que está fazendo?
- Acho que é melhor por essa única estrofe de refrão…
- Refrão? Era pra ser o começo… E está r**m até pra começar, imagina como refrão.
- Vamos mudar algo, que tal… Você escreve a primeira estrofe e eu a segunda depois do refrão? Se não gostar da minha, podemos fazer outra juntos.
- Eu gosto, mas… Eu não estou totalmente inspirado. – Disse segurando o lápis com a boca enquanto afinava o violão.
- O que te inspira? – Ela perguntou fazendo um coque alto e bagunçado e eu ri abafado com sua pergunta – Vendo pelo o que é agora esse refrão, deixa quieto.- Começamos a escrever e foi surgindo-se ideias cada vez mais rápido, eu olhava para ela o tempo todo.
Estava muito concentrada no que fazia…
- Pronto! – Eu disse.
- Sério? Posso ver? – Ela pegou o a folha de minhas mãos lendo – Ei, eu gostei dessa parte, acho que poderíamos colocar na minha também, espera ai… - Disse escrevendo – Acho que agora foi! – Ela riu me entregando – O que achou?
- Ficou muito bom! No que pensou para escrever? Cody?
- Não. Em você. – Ela sorriu inocentemente e eu sorri de volta.
- Eu adorei. Mas está incompleta ainda, do mesmo jeito.
- Posso fazer a parte que falta? – Ela perguntou.
- Mas é claro! Assim que estiver pronta me avise. – Eu sorri. Ela levantou e guardou a folha em sua bolsa. Pegou o celular e começou a mexer nele quando começou a chorar. - Ei, ei… O que foi? – Eu perguntei levantando rápido e ela só entregou o celular pra mim. Cody havia mandado uma mensagem, agradecendo pelo tempo em que ficaram juntos, mas ele e Janel haviam reatado. - Puxa, Sam… - Eu m*l disse e ela avançou em um abraço, que implorava por consolo.
**
Já eram quase seis horas da tarde e ficamos na sala, assistindo alguns filmes. Ela já havia parado de chorar, mas ainda assim, estava muito triste.
- Minha mãe está vindo me buscar… - Ela mexia no celular.
- Tudo bem, tem certeza de que não quer ficar mais? - Ela riu abafado
– Eu levei um fora, Samuel. Não estou morrendo, fique tranquilo.
- Ele não merece você, Sam. Você é… - Eu comecei e ela me olhou – Você é… - As palavras estavam na ponta da língua, mas não sei o porquê não consegui dize-las -… Muito legal. – Não era isso, mas acho que valeu. Eu espero. Ela riu pelo nariz
– Como é bom ter um Samuel nas horas de tristeza. – Disse irônica e se levantando – Vou espera-la lá em baixo. Estou indo comprar seu presente de aniversário. O que vai querer? - Eu dei risada
– Isso é sério? Não quero nada, Sam. Não gaste seu dinheiro comigo.
- Eu só gasto meu dinheiro com você, seu i****a. Hoje mesmo, comemos lanche e pizza agora. Diz logo ou eu vou ficar mais triste.
- Eu já tenho o que eu preciso. Se acalme.
- 3…
- Sam, para com isso…
- 2…
- Tá, sei lá. Qualquer coisa… Um perfume, sei lá.
- Perfume? – Ela olhou para cima analisando – Eu poderia ter pensado nisso. Até mais. – Ela foi encostando a porta.
- Até… - Eu olhei ela fechar a porta deitado no sofá.
**
Eram por volta de nove da noite. Eu saí do banho de toalha e com o cabelo molhado. Sam não me mandou mensagem depois daquilo, estava um tanto preocupado com ela. Mexi no meu celular e vi mensagens do Damon me chamando pra uma festa na casa do Cody. Travei o maxilar a ponto de doer meus dentes pensando nesse i*****l. Mas… Se bem que… Seria uma oportunidade perfeita para fazer ele provar do próprio veneno… Mandei mensagem para Samantha, dizendo para se aprontar o mais rápido possível e seguir meu plano, o qual eu vou contar a ultima parte somente na porta da casa de Cody. Coloquei uma social preta e uma calça também preta.
Preto é minha cor. Passei na casa de sam e ela demorou pra descer… Qual parte do “se arrume o mais rápido possível” ela não entendeu? Assim que ela passou pela porta, eu a encarei pela janela do carro e engoli seco. Ela usava uma blusa larga, com uma jaqueta por cima e botas… botas pretas aveludadas que iam acima de seu joelho. Ela entrou no carro e seu perfume invadiu o ambiente. Ela carregava uma sacolinha de presente.
- Feliz aniversário adiantado – Ela se esticou e me deu um abraço. Abraço o qual pude sentir melhor o cheiro doce e cítrico de seus cabelos soltos. Eu abri o presente e passei o perfume que ela diz que ficou horas escolhendo e decidindo qual me dar. E eu gostei, muito. Assim que chegamos, estacionei quase de frente a enorme casa de Cody. Sabrina abriu a porta e eu a puxei de volta, fazendo-a me olhar estranho.
- O que foi?
- Você confia em mim, certo? – Eu perguntei.
- C-confio, porque?
- Porque pra essa maluquice, você vai precisar. - Ela cerrou seus olhos contra os meus
– … O que você tecnicamente vai fazer?
- Nada do que você poderia odiar. – desci do carro e ela me acompanhou. Prestes a chegarmos a porta eu passei meu braço envolta de seu pescoço, o que a fez estranhar um pouco. Eu bati na porta e dei sinal para que ela pegasse a minha mão que estava em volta dela. Ela assim fez. - Sorria. – Eu disse disfarçando enquanto a porta abria e eu a puxei mais pra perto, colando nossos corpos em laterais.
Cody abriu a porta com Janel logo atrás, que chegaram conversando de algo engraçado. Ele nos analisou e ficou um pouco mais sério. - Sam… Não esperava que viesse. Mas que bom que veio! – Ele me olhou e logo após olhou nossas proximidades e as mãos entrelaçadas – Vocês… Estão…
- Namorando, eu pedi ela hoje. – Eu disse sorrindo.
- O que? – Ela perguntou e eu apertei sua mão, ainda sorrindo para Cody
– AAAI!
- Tem alguma bebida ai? – Eu puxei Sam, entrando na casa deixando Cody plantado ali.
- O que pensa que está fazendo? – Sam disse para que somente eu pudesse ouvir, por conta da música alta.
- Confie em mim… Confie em mim…
- Não vai dar certo. Já pensou em amanhã? As pessoas irão falar!
- Você se incomoda tanto em pensar na possibilidade das pessoas nos verem como namorados desse jeito? – Eu a soltei pegando dois copos com uma bebida vermelha, entregando um deles a ela.
- Não é isso… Mas é que… Não vai dar certo.
- Sam. Para de pensar e só entra na onda. Para de pensar em tudo! – eu disse e ela ficou me encarando por alguns instantes e se aproximou de mim, até demais. Como um sinal de que havia aceitado. Eu apenas sorri com aquilo. Eu entrelacei nossas mãos, as levando em sua cintura puxando-a mais para mim. Sam desviou o nossos olhares que estavam bem próximos. Nós dávamos risada da situação estranha em que coloquei-nos, porém seguimos em fingimento.
- Samuel? – uma voz feminina reconhecível de longe veio por trás.
- Sofi? – Eu olhei sério e Sam tentou nos desfazer, porem eu mantive ela ali, onde estava.
- O que está fazendo? – Ela me perguntou.
- Sobre o que? – Eu soltei de Sam, porém estando próximo. Dei em seguida um gole.
- Sabe do que eu estou falando, Samuel. – Ela entreolhou com Sam – Estão juntos agora?
- Sim. Porque? – Eu perguntei e ela riu nasalado olhando Sam de cima a baixo, em seguida me olhou e apenas saiu assentindo com a cabeça.
- O que foi que você acabou de fazer, garoto? – Sam me perguntou negando e sorrindo com a cabeça.
- Não vá me falar que não gostou disso?
- Não disse isso! – ela riu
- Só não me faça te roubar um beijo para provoca-la um pouco mais. – disse propositalmente e dei um gole em seguida.
- Você não se atreveria tanto assim. Te socaria antes que pudesse fazer algo assim. – Ela riu e eu a encarei nos olhos, do jeito que ela não gosta. Ela hesitou em desviar o olhar – Não. Não faça isso. – Disse olhando para o outro lado.
- Não fazer o que? – Eu ri pelo nariz, tentando faze-la olhar pra mim.
- Você sabe muito bem “o que”.
- Me diz, o que eu faço tanto que você odeia? – eu sorri
- Isso. – Ela me olhou de volta – Essa coisa com os olhos, não faça. Não vai funcionar comigo Samuel.
- Que coisa com os olhos?
- Aquela coisa. A coisa que faz para jogar as garotas em sua teia. Não faça comigo porque não irá funcionar.
- Se você está tão irritada com isso e insiste que eu pare… Algo me diz que funciona então.
- O que? – Ela riu ironicamente.
- … Se não, não pediria para que eu parasse de fazer. Não é? Ela gaguejou antes de começar a falar
– Não. Eu só… Só acho que está perdendo tempo. – Ela disse dando um gole na bebida. Então, ela virou o olhar e viu Cody e Janel aos beijos e no mesmo instante olhou para a mesa de bebidas e bebeu novamente virando seu copo.
- Ei, ei, ei… Que tal ir devagar, hã?
- Não pensar, lembra? – Ela disse jogando minhas palavras contra mim mesmo. Então eu sorri e virei meu copo também, o que a fez rir. Pegamos mais algumas doses e já estávamos começando a ficar mais soltos do que o normal. Fomos até o centro da sala de estar, onde haviam pessoas dançando e começamos a dançar de um jeito o qual melhores amigos não dançariam, mas não estávamos pensando muito. Então Damon se aproximou sem camiseta e usando uma cabeça de cavalo.
- Ei, vocês! – Ele retirou a cabeça – Estão dizendo ali na cozinha que estão namorando, é verdade?
- Estamos fingindo! – Sam disse puxando Damon e dizendo em seu ouvido.
- Ah, então é isso? - Sim, mas é segredo! – Ela continuou, o que me fez rir. - Vou guardar o segredo de vocês. Mas porque isso?
- Começou pra tentar irritar o Cody… - Ela disse.
- Depois, começamos a brincar com a cara da Sofia. – Eu continuei.
- E agora? – Damon perguntou.
- Agora… Agora não sei. – Ela disse me olhando.
- Não estamos pensando! – Eu disse dançando.
- Nem um pouco! – Ela continuou e me acompanhou dançando.
- Então eu também não! – Ele vestiu a cabeça de volta e saiu dançando.
**
Passou algumas horas e quase todos haviam ido pra casa. Estávamos eu, Damon e Sam no sofá conversando e dançando. Sam estava com as pernas em cima de minha coxa, realmente não estávamos pensando nas consequências daquilo, mas eu não ligava.
- Quem quer fazer uma brincadeira? – Disse Sofi com uma garrafa de vodka na mão.
- Que brincadeira? – Damon perguntou.
- Uma brincadeira que eu inventei… Eu acho! Dei o nome de roleta do beijo. – Ela disse e algumas pessoas se aproximaram, dentre elas, Cody e Janel estavam no meio.
- Hãn? – Sam perguntou.
- Quem vai querer brincar? Damon, Janel e um tal de Noah levantaram a mão. Cody olhando sério para Janel, também levantou a sua. - Vocês não querer jogar? O que foi Sam, está com medo que eu roube seu “namorado”?
- Até teria se você me intimidasse, Sofi. – Ela respondeu e todos deram uma vaia baixinho.
- Então prove pra todos que eu não te ameaço como você diz. - Ok, nós vamos jogar. Como adultos que somos.
- Certo!
- Certo.
- Tem algum quarto espaçoso com closet ou armário, Cody?
- Ah… O dos meus pais.
- Perfeito, vamos? Eu explico as regras lá. Todos nós nos levantamos e subimos até o quarto.