Samuel POV
No outro dia, silenciosamente saí bem cedo da casa de Sofia com ela ainda dormindo. Fui até minha casa e tomei um banho. Sobrou uma hora até o horário da primeira aula, coloquei uma camiseta preta e uma calça rasgada. Ajeitei meu cabelo e coloquei meus coturnos e peguei meu celular, era Sofi me ligando. Hesitei alguns segundos e desliguei. Não queria algo sério, não com ela. Com ninguém. Nunca demonstrei querer, precisava falar com ela sobre isso… Para que ela não crie esperanças comigo, já evitando que se machuque. Assim que desliguei vi que haviam 38 mensagens e 12 ligações de Sam. Pensei em mandar algo, mas meu orgulho falou mais alto. Então só segui para escola.
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Eu havia chegado mais cedo o que foi bom, já que meu armário era quase ao lado do e Samantha. Ela não havia chego, pois o ônibus passaria no ponto em que ela costuma pegar em 10 minutos. Meu violão estava em sua capa, que estava em minhas costas, eu arrumei meu armário e peguei meu caderno de música e um caderno comum e segui para a aula de música. Não havia chego ninguém ainda, a sala estava um pouco escura. Somente com a luminosidade das poucas e pequenas janelas no teto curvo. Me sentei em uma das cadeiras e comecei a treinar algumas canções originais. Não eram consideravelmente boas, mais eu fui anotando cada nota na partitura e concertando outras.
- “You watch me bleed until I can't breathe”… - Sussurrei enquanto escrevia no papel com a palheta entre os lábios – “I'm shaking, falling into my knees…” – Olhei para o teto pensando on que completar – “And now that I'm without your kisses… I'll be needing stitches” – Eu sorri com o resultado – “I'm tripping over myself” – Começei outro verso, mas assustei com o barulho da porta abrindo e parei na mesma hora.
Assim, chegaram cinco alunos conversando e eu guardei rapidamente meu caderno e disfarcei o que estava fazendo. Não queria ninguém me perguntando o que eu estava escrevendo ou se estava mesmo compondo. Pelo menos, que eu soubesse ninguém mais compunha músicas ali. Eram pessoais pra mim, até comentava sobre elas com Sam mas mesmo assim não cheguei a mostrar para ela nenhuma delas.
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Assim que a aula terminou, eu estava indo até meu armário guardar meus livros de música e vi Sam usando uma jaqueta metálica preta com seus longos cabelos dourados soltos encostada no armário conversando com Cody, ela ria pra ele e ele retribuía entre os assuntos. Ela era inacreditável, nem se quer veio me procurar pra tentar conversar. Eu dei as costas pra aquela cena ridícula e fui para a próxima aula, depois eu guardava minhas coisas. No meio do caminho, vi indo passar por mim Sofi com as outras líderes. Assim que ela me viu, saiu apressada do meio das outras meninas me chamando. Tentei fingir que não a ouvi, mas era c***l demais até pra mim. Então eu parei e ela veio na minha frente.
- Samuel… - Ela sorriu - Eu te liguei hoje cedo. O que houve?
- Eu estava ocupado? - Ela me olhou séria e com desdém
– “Ocupado”? Samuel, você saiu da minha casa de manhã e estava ocupado?
- O que quer que eu diga, Sofi? – Eu dei os ombros.
- Não sei… Mas eu acho que mereço uma explicação, não é? – Ela cruzou os braços.
- Explicação? – Eu comecei a rir – Sofi, não viaja. Não estamos namorando.
- Como é? – Ela disse parecendo estar chateada.
- Sofi, não somos namorados. Eu não te devo satisfações de nada. Nós apenas ficamos um com o outro! – Eu saí, a deixando com os braços cruzados e parada no meio do corredor.
Música: VYEN x Ruuth - Shivers
Depois, me sentei no gramado debaixo de uma árvore no horário livre. Peguei o violão e dedilhei algumas melodias preferidas. O vento corria contra minha direção e eu estava viajando em meus pensamentos. Eu podia ver bem a frente o campo de futebol e alguns jogadores se exercitando, com o técnico explicando algo. Quando decidi olhar para o lado oposto vi Sam me encarar em pé mais ou menos quinze metros de mim. Feito uma maluca. Decidi ignorá-la, mas até esse ponto… Estar bravo com ela não me fazia mais sentido, mas queria que ela se magoasse assim como eu fiquei ontem. Senti ela se aproximar e então se sentou ao meu lado, não dizendo nada por alguns segundos.
- Você vai me ignorar pra sempre? – Ela perguntou e eu continuei a dedilhar – Samuel, isso é ridículo. Uma hora você vai ter que falar comigo! – Ela disse zangada – Eu desmarquei com o Cody, seu i*****l i****a. - Eu não me segurei e olhei pra ela sorrindo
– Você me ama mesmo!
- Você é um escroto. E eu odeio você. – Ela disse e eu a abracei de lado bagunçando o seu cabelo – Espero que um pombo cague na sua cabeça hoje. – Ela disse passando os dedos no cabelo, o penteando – Melhor, espero que uma ninhada de pombos cague em sua cabeça.
- Então você vai ficar comigo hoje? - Ela suspirou fechando os olhos enquanto sorria, provavelmente queria me matar. Então ela me olhou – Melhores amigos acima de tudo, não é?
- Agora você vai ter que me dar um abraço.
- Ah não! – Ela brincou
- Sim! – eu puxei seu braço e ela ficou resmungando enquanto me empurrava
- Não quero!
- Então vá a merda. – Disse soltando seu braço
- Não, eu estou brincando! – Ela me abraçou a força.
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Samantha POV
Uma semana depois…
Eu havia acabado de chegar da escola com Michael. Soltei minha bolsa ao lado da porta e encontrei minha mãe na bancada da cozinha com o celular nas mãos, parecia estar pensativa.
- Oi… - Eu abri a geladeira, preparando um copo d’água.
- Seu pai quer jantar com vocês… - Ela disse olhando fixo na tela do celular.
- Tá, mas hoje? – Eu disse fechando a geladeira.
- Sim, ele ligou tem alguns minutos.
- Faz dois dias que eu não falo com ele. – Mike se pronunciou se sentando na mesa, escolhendo uma maçã na fruteira.
- Bom, então botem o assunto em dia hoje. – Ela disse em um tom de indiferença.
- Hoje é o dia com o Samuel, mãe. Eu não vou poder ir.
- Filha, você vê o Samuel todos os dias, não dá pra remarcar?
- Não, mãe.
- Então… Leva o Samuel com você, acha que ele iria?
- Posso tentar convencê-lo. Mas, o que você olha tanto nesse celular… Hein? – eu me estico tentando ver e ela o bloqueia – Mãe!
- Está vendo pornô por acaso? – Meu irmão pergunta me fazendo rir.
- Michael! – Ela o repreende – Não… É que…
- Mãe? – Eu disse em tom para que ela continuasse.
- Me convidaram para sair.
- O que? – Michael começou a rir
- Mike, cala a boca! – Eu falei – Mãe, o que tem de errado nisso a ponto de você esconder o seu celular?
- É que… É que… É o primeiro homem que eu saio depois do seu pai, Sam.
- Tá zuando né? – Mike ainda se manifestava – Você nunca saiu com ninguém depois do papai?
- É tão difícil pra vocês acreditarem nisso?
- Sim! – dissemos juntos.
- Ok, teve convites… Muitos aproposito. Mas eu sempre os recusava. Só que… Dessa vez eu quero muito aceitar.
- Então aceita! – Eu disse.
- Simples assim? – Ela perguntou
- Simples assim. – Eu completei – O papai no mesmo ano se casou de novo e você nunca namorou ninguém depois disso?
- Mãe, você é muito gata. – Mike disse – Eu de você, sairia com ele se é o que quer. Tem que aproveitar que não está tão velha. – Disse em ênfase no “tão”, nos fazendo cerrar o olhar contra ele – O que foi? Foi um elogio! As coroas são sempre mais gatas.
- MIKE! – Nós dissemos juntas.
- É sério, nos jogos de “qual mãe é a mais gata”, você quase sempre ganha mãe.
- Mike, cala essa boca! – Eu disse alto
- Só estou dizendo. Eu hein… - Ele saiu dando uma mordida na maçã.
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Mais ou menos um mês depois…
- Acho que Cody tem ciúmes de você. – Eu disse dentro do carro de Samuel, enquanto comíamos um lanche do Mc’Donalts.
- Quem com um juízo tão perfeito não teria? – ele disse irônico com a boca cheia.
- Eu estou falando sério! – Eu cruzei as pernas, cabendo perfeitamente no banco – Ele acho que ele fica muito com a cara amarrada, não acha?
- Sinceramente? Não vejo essas coisas, Sam. – Ele deu os ombros – E se visse, teria até que motivos pra isso não acha?
- Motivos?
- É… Estamos sempre juntos e… Ele já foi conhecer seus pais?
- Não, estou esperando o final de semana.
- Você sempre diz isso. E olha que sua família gosta mais de mim do que de você mesma! – Ele revirou os olhos - É que… Não estamos namorando, Samuel. Ele gosta de ir devagar.
- Estou pra te falar que ele gosta é de outra coisa…
- O QUE? Acha que ele é gay?
- Não! – Ele riu – Da ex, Janel.
- Prefiro que ele seja gay.
- Acha que é tão r**m ele não ter esquecido a ex? Você mesma diz que vocês não estão namorando.
- E não estamos… Mas eu gosto dele Samuel…
- Eu sei, pequena. Mas já aceite as probabilidades de ter essas chances. – Ele disse pegando o celular no bolso, que apitou. Ele franziu o cenho lendo a mensagem.
- … O que foi?
- É a Sofi.
- Você não terminou com ela a quase duas semanas?
- Defina “terminar”?
- Se encontraram de novo?!
- Três vezes?
- Vocês se merecem mesmo. – Eu revirei os olhos.
- Ei, calminha! Eu só estou carente.
- Quem vê pensa que você é essa pessoa mesmo.- Ele sorriu de canto por alguns instantes me analisando e mudou de assunto
– Como vai as aulas de música? - Ele perguntou, eu fazia aula de musicas, mas fora da escola... Um curso simples.
- Ah… Acho que vou desistir.
- Porque? Não está conseguindo?
- Piano sempre toquei Samuel… Violão aprendi mesmo vendo você tocar, mas…
- O que? Alguém está implicando com você?
- Não – eu ri abafado – Ela quer que trazemos um numero… Uma apresentação cantando. Por mais que alguns não cantem, ela quer que inventemos algo criativo se não for o caso de saber cantar. - Ele riu nasalado
– O que vai inventar então? – Eu o olhei séria e dei de ombros – Se arrisque. Tente, sei lá. Pode ficar surpresa.
Eu nunca cantei perto de Samuel. Nem de ninguém. Morria de vergonha disso… Sempre toquei e dancei sem problemas, mas cantar… Cantar é um problema. Acho que envolve muito minhas emoções no meio e me sinto exposta. É difícil de explicar. É como se eu pegasse uma letra que me descreva e desabafa-la no meio de uma multidão que eu não conheço ou que possa rir de mim.
- Seu aniversário é daqui três dias. – Mudei de assunto.
- Eu sei… Minha mãe já me enviou meu presente.
- Sério? O que ela te deu?
- Um violão novo… Quer ver?
- Mas é claro que quero! - Então vamos! – Ele ligou o carro e fomos até sua casa.