Fiquei parada ali por mais alguns minutos, observando o declínio irremediável da mulher que deveria ter sido meu porto seguro, mas que acabou se tornando o meu primeiro, e mais traumático, objeto de estudo. A decadência dela era um lembrete silencioso e c***l de que, sem a lógica, sem a estrutura que eu tanto cultivei, somos apenas presas fáceis para os fantasmas que criamos no sótão da nossa própria consciência. O jardim de inverno, antes um refúgio, agora parecia uma vitrine de desamparo. Caminhei novamente até ela, ignorando a dor aguda que tentava se instalar no meu peito, um aperto metálico que eu teimava em catalogar apenas como uma "reação somática de estresse". Eu precisava de uma última tentativa, um último rastro de conexão real, uma faísca que provasse que o trauma não tinha ve

