O Menor deu um passo pra frente, colando no meu ombro feito uma sombra em desespero. A respiração do moleque tava totalmente descompassada, o instinto de sobrevivência de favela dele gritando rasgado, muito mais alto que a marra do paletó de grife que ele vestia pra disfarçar. Ele olhou pro russo imenso lá no outro lado do tatame escuro, depois baixou o olho direto pro remendo grosso de fita silver tape prateada que brilhava no meu bucho, e a neurose bateu forte, descontrolada, corroendo o juízo do garoto. — p**a que pariu, Noah... na moral, viado, ainda dá tempo de desistir e recuar dessa p***a — o Menor sussurrou, a voz carregada de um desespero contido e seco, apertando o couro pesado da minha jaqueta nas mãos suadas como se aquilo fosse a única coisa real e segura ali dentro daquele a

