Nova parceira?

1423 Words
Késsia. Aquela velha asquerosa parecia ser a mãe daquela garota. Mas me surpreendi quando ela cravou a faca no braço dela. A velha gritou, mas nenhum sentimento de remorso ou piedade foi visto nos olhos da garota. Os golpes eram certeiros, dados em partes fatais, ela jamais conseguiria sobreviver a tantas facadas. Quando mais a mulher esfaqueava a velha, mais ela tinha sede de sangue. Aquilo só parecia despertar ainda mais o monstro que existia dentro dela. Ela não era qualquer mulher, ninguém normal saberia dar golpes tão precisos quanto aqueles. Com certeza ela tinha sido treinada por alguém. Aquilo estava tão bom que fiz questão de retirar a máscara. Me encostei em uma parede apreciando a cena. O que quer que aquela mulher tenha feito com alguém. Nem que fosse um terço, ela tinha pagado, era mais que merecido. Demorou um bom tempo até todo o ódio diminuir, mesmo depois que a velha caiu. Ela só parou quando teve certeza que ela não escaparia de modo algum. A mulher se sentou no chão, o sorriso diabólico que tomou conta do rosto dela foi assustador. Me levantei de onde estava e entreguei um lenço pra ela. Ela passou o lenço pelo rosto, tinha amenizado a sujeira. --- Quem mandou você? --- Informações dos meus clientes são confidenciais. --- Não existe mais alguém tão covarde, ele jamais teria coragem de se livrar dela com as próprias mãos. --- E você? O por que de tanta coragem? --- Se soubesse ao menos metade de todas as atrocidades daquela velha, entenderia o por que da coragem. Eu não poderia saber de todos os detalhes, e nem perguntaria. --- Pensei que trabalhasse com outra garota. --- Passado, não tenho mais companhia. --- Eu poderia trabalhar com você? --- O que? --- Fazer isso com você, matar pessoas ruins. --- Por que? --- Não tem por quê, eu só quero fazer isso. Eu nem mesmo sabia o que responder, fiquei quieta, não tinha nada o que dizer. Me virei, iria embora, não existia resposta melhor que o silêncio. --- Pode me procurar depois se for me aceitar. Eu também não respondi, entrei no meu carro e joguei a máscara no banco de trás. Eu estava com a pergunta dela rodando na minha cabeça o tempo todo. Quando cheguei em casa depois de colocar o carro na garagem, me sentei na área da piscina. Eu precisava espairecer a mente, aquilo não largaria meus pensamentos por tão cedo. Thomas apareceu ali, se sentou ao meu lado. --- O que aconteceu? Nem parece que matou alguém a pouco tempo. --- E não matei. --- Não? --- Não. --- Por qual motivo? --- Uma garota apareceu, matou ela, não pude me intrometer. --- Não é só por isso que está pensativa. --- Ela quer trabalhar comigo. --- A garota ou a pessoa que você foi pra matar? --- A garota é claro. --- E? --- Como assim e? Eu não sei o que fazer, nem mesmo respondi ela. --- E é tão complicado assim a pergunta que que ela fez? Não era só recusar se não quisesse, e dizer sim se quisesse? Thomas estava certo, não era tão difícil responder ela com um sim ou não. Mas naquele momento eu não consegui pensar nisso. --- Pense com calma, se está sendo difícil dar uma resposta, talvez seja por que existe uma parte de você que quer que trabalhem juntas. --- Será? --- Só você pode responder a essa pergunta. Eu estava encurralada, mas não pensaria mais nisso, pelo menos não por agora. Em outro momento decido o que fazer. Hoje era o primeiro dia de aula do Theo, a alegria dele estava visível. Até mesmo a Maya estava sorrindo e pulando de felicidade pelo grande feito do irmão. Só quem não estava nada feliz era o Thomas, ele estava com uma carranca do tamanho do mundo. --- Parece até que não tá feliz pela conquista do seu filho. --- Não é isso pai. --- Então se não é isso se alegra po, é teu filho ali feliz por estar indo a uma escola, mesmo que esteja preocupado, fique feliz por ele também. --- Está mais que certo papai, você aí com essa carranca não vai resolver nada Thomas. Ele só precisava aliviar aquela careta dele, mas continuava na mesma. Nem mesmo um mero sorriso apareceu. --- Tia, a senhora pode ir com o papai me deixar na escola? --- Claro meu amor, vou estar com você. Depois do café da manhã entramos no carro e partimos em direção a escola. Nem mesmo a cara feia do Thomas foi capaz de tirar a alegria do Theo. Ele não estava tão preocupado assim com os acontecimentos ao seu redor. Assim que paramos em frente a escola Theo se apressou para descer. Eu sai do carro e tirei ele da cadeirinha, a euforia dele estava demais. --- Vá com calma Theo, não seja tão apressado. Quando Thomas desceu do carro Theo olhou para ele. Parecia que só naquele momento ele tinha notado a preocupação do pai. Foi até ele e o abraçou fortemente. --- Vou ficar bem papai, posso me cuidar, quando eu virar adulto, vou ser tão forte quanto o senhor. Eu juro que tinha visto uma lágrima rolar pelo rosto do Thomas, não foi coisa da minha cabeça. Depois que levamos Theo até a sua sala, saímos pra casa. --- Você chorou. --- Não chorei Késsia. --- Claro que sim, eu vi. Eu não fiquei a ponto de ver coisas, minha mente ainda estava muito bem. Ele não estava indo em direção a casa dos nossos pais, eu estranhei mas decidi não falar nada. Paramos em frente a uma casa bonita, era razoavelmente grande. Não tão gigantesca, um tamanho ideal. --- Preciso mostrar algo. Acompanhei ele sempre atrás observando cada detalhe, aquela casa era bonita. Tinha uma decoração antiga, e com cores suaves, eu gostei de tudo que vi. Thomas me levou para um quarto, ele abriu a porta e eu fiquei de boca aberta com tudo que tinha ali dentro. --- Como? Chocada era pouco, nem eu mesma sabia que Thomas tinha aquele talento. --- No treinamento eu desenhava nas horas livres, volta e meia a mãe levava fotos suas para me mostrar, e na maioria das vezes, ela deixava de propósito, com a desculpa que esqueceu. --- Típico da dona Angel. O quarto ali estava repleto de fotos minhas, desde a pré adolescência, até agora na fase adulta, eram desenhos magníficos. --- Thomas? --- Hum? --- Quando foi que percebeu que se apaixonou por mim? Ele sorriu, e ao invés de responder me levou até um desenho, aquele parecia ter sido o primeiro desenho dele. --- A primeira vez que desenhei você, um pouco desengonçado por que foi o primeiro. Os traços não estavam bem feitos quanto nos demais desenhos, mas ainda assim era bonito. --- Depois que fiz esse desenho, passei dias olhando para ele, e depois de tanto observar cada detalhe, eu percebi que amava você. --- Isso foi quando saiu do treinamento? --- Sim, mesmo se eu tivesse aceitado o sentimento não poderia ir até você, ainda era uma criança, eu não podia fazer nada. --- Mas e depois? Não deveria ter ido quando eu não era mais uma criança. Ele suspirou, e andou até outro desenho, eu não tinha visto ele ainda. Aquele era o mais lindo que já tinha visto no meio de todos os outros. --- Eu sonhei com você, na época eu devia ter vinte anos, eu nunca tinha sonhado com algo tão bom, mas ao mesmo tempo tão destruidor. Ele sorriu com as lembranças, e eu só esperei pela continuação do que ele começou a falar. --- Quando sonhei, era uma adolescente, beijei você no sonho, e mesmo que não tenha sido real, foi a coisa mais incrível que já pude sentir antes. --- Então por que foi destruidor? --- Eu sonhei beijando uma adolescente Késsia, que tipo de maluco eu era para sonhar beijando uma adolescente? Saber que o Thomas tinha feito tudo aquilo me deixava balançada. --- E o pior de tudo foi que depois desse sonho, ainda quis sonhar novamente com você, por que eu a amava, tanto que doía no peito a cada pensamento em relação a você. Thomas tocou no ponto certo, agora eu estava totalmente balançada por ele, meu coração acelerou muito. Eram batidas fortes e estrondosas, na certa ele tinha ouvido. Mas não consegui controlar meu coração, ele me traía fácil quando o assunto era Thomas.
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