Thomas.
Fiquei olhando para ela a espera de qualquer resposta, mas não veio.
Ela saiu correndo porta a fora, não tive uma resposta, mas ao menos o coração dela acelerou.
Eu não estava tentando pressionar a Késsia, meu coração que estava ansioso demais.
Eu não iria mostrar todos esses desenhos a ela, mas tive vontade quando estávamos voltando pra casa.
Na realidade eu era só um amador, eu desenhava por diversão.
E só descobri esse pouco talento por causa da Késsia.
Sai do quarto fechando a porta atrás de mim.
Fui atrás da Késsia, ela estava na sala e observava tudo ali.
--- Não gostou da decoração?
--- É bonita, eu gostei.
Eu achava àquela decoração e toda a casa bonita.
E ver a Késsia ali olhando cada detalhe, deixava tudo mais magnífico.
--- Era aqui que morava com a Estéfane?
Dava pra ver que se eu dissesse que sim ela com certeza iria embora.
Pra minha sorte a Estéfane nem mesmo tinha pisado os pés naquela casa.
--- Não, ela nunca veio aqui.
--- O que fazia aqui quando vinha?
--- Nada de mais, só desenhava, ou trazia as crianças para um passeio, eles gostavam daqui.
Ela saiu explorando a casa e eu fui atrás dela.
A expressão de surpresa que ela fazia a cada vez que via um cômodo era incrível.
Na verdade eu tinha comprado aquela casa pensando justamente na Késsia.
Eu não sabia que ela gostava de uma decoração antiga.
Nunca imaginei que um dia traria ela aqui pra ver tudo isso.
Nossa última parada foi em um lago artificial que tenho no jardim.
--- É lindo.
Ela se abaixou e ficou brincando com a água.
--- Posso vim aqui quando eu quiser?
Eu tinha as chaves extras dos cômodos da casa, peguei no bolso e entreguei a ela.
--- Pode vim quando desejar.
Ela sorriu pra mim e meu coração deu cambalhotas.
Chegamos em casa na hora do almoço, e pra nossa grande surpresa Melissa esperava na porta da frente.
Eu não sabia o que ela queria ali, mas com certeza não era coisa boa.
Késsia ia passar direto, Melissa ia agarrar o braço dela, só que eu estava atrás e segurei o pulso dela.
--- O que quer aqui?
--- Não é nada com você Thomas, fique fora, meu problema é com ela.
--- Fale.
Eu não iria sair, a Késsia não ficaria sozinha.
--- Preciso do dinheiro do nosso trabalho.
--- Como?
--- Isso mesmo, trabalhamos anos juntas, tenho direito a metade do que tem, você não tem dinheiro pouco, me dê metade, vai resolver meu problema.
Que tipo de pessoa Melissa era?
Quase matou a Késsia e estava aqui pedindo metade de todo o dinheiro que ela tem.
Não era só eu que estava perplexo com essa situação, Késsia também estava.
--- Veio aqui pedir o meu dinheiro?
--- Vamos lá, eu ajudei você a ganhar esse dinheiro, e você nem usa, não vai fazer falta.
--- Nem pense mais em vir até aqui pedir meu dinheiro, sempre dividimos ao meio, se não tem mais, é por que não soube como gastar.
Késsia entrou e eu fiquei aqui parado, Melissa foi atrás, ia puxar o cabelo da Késsia, só não intervir por que eu sabia que a mãe apareceria.
E ela apareceu, no exato momento em que Melissa quase tocou o cabelo da Késsia.
A mãe agarrou o pulso dela com mais força do que eu agarrei.
Jogou ela no chão com toda a força, ouvi o estralo, o pulso dela tinha quebrado.
--- Filha, está bem?
--- Estou mãe, ela não tocou em mim.
Depois da resposta da Késsia minha mãe andou até a Melissa.
Segurou o pulso quebrado e apertou com força.
--- Nunca esqueci as feridas que causou a minha filha, esse pulso quebrado é só o começo, se a procurar novamente, vou fazer pior do que planejo fazer.
Quando o pulso dela foi soltado ela gritou, gritou alto, aquilo realmente devia doer.
Entramos em casa, ninguém fez questão de ajudar ela, a mesma não merecia.
--- Eu vou dar uma lição naquela garota, já adiei demais, se eu já tivesse dado uma surra nela, ela não teria vindo até aqui.
--- Quando for, vou com você.
A Késsia não disse nada e só subiu pra o quarto dela, eu sabia que ela estava triste.
--- Era a única amiga que ela tinha, e agora é inimiga.
--- A Késsia vai ficar bem mãe?
--- Com o tempo filho, ela acabou de descobrir que a pessoa em que mais confiava, foi a que apunhalou ela, é de se esperar que ela fique triste.
--- Vamos deixar ela ficar triste, mas não por muito tempo.
--- Vou pra o escritório.
Eu tinha alguns trabalhos a concluir, seria bom encher minha cabeça.
Nos últimos dias eu estava com a cabeça cheia de preocupações.
Estava indo bem, até Oliver e Levi aparecer ali se esparramando em meu sofá.
--- Não podem ficar um mês sem me atormentarem?
--- Confessa que sentiu saudades.
--- Ele fala assim, mas estava louco para nos ver Levi.
--- Que tal ficarem quietinhos?
--- Ele é rabugento.
--- E olha que ainda nem se casou com a Késsia ainda Oliver.
Não bastava eu estar preocupado com tantas coisas.
Esses dois tinham que aparecer e tornar tudo ainda mais difícil.
--- Temos uma viagem de negócios a fazer.
--- Nem pense em mandar eu ou Oliver resolver por você, dessa vez não tem como.
--- E por que não?
--- Disseram que se você não aparecesse em pessoa não haveria negócio.
--- Sempre está fugindo dessas viagens, dessa vez não vai poder fazer isso.
--- Pra quando é?
--- Próxima semana.
Estava muito perto, eu não queria viajar, logo agora que eu estava começando a conquistar a Késsia.
--- Quanto tempo?
--- Ainda é incerto, mas o mínimo é duas semanas.
--- Tá maluco Oliver? Não vou ficar todo esse tempo fora.
--- Você quem sabe, mas só lembrando, se fechar esse negócio, vai poder deixar ainda mais forte a organização.
Eu realmente estava encurralado agora, nenhum dos dois poderiam me substituir.
--- Vamos tentar acabar com isso o mais rápido possível, não quero ficar fora mais que duas semanas.
--- Sem essa, cê vai ter que resolver esse problema, sei que está começando agora a conquistar a Késsia, mas precisa dar atenção a organização também.
Eu tinha raiva do Oliver por ele sempre falar a coisa certa na hora certa.
Eu deveria dar atenção a organização.
Mas tudo que eu desejava era somente ficar com a Késsia e meus filhos.
Teria que adiar meus planos de fazer a Késsia se apaixonar por mim.
--- Será pouco tempo, nós três iremos juntos, e o Enrico também vai, ao menos um de nós três não vai ficar m*l humorado.
--- Ele vai?
--- A tia Angel disse que seria uma boa levar ele, talvez ele seja de grande ajuda.
Dava pra ver o sorriso de Oliver, o único que estava feliz com essa viagem era ele.
--- Para de sorri Oliver, está me dando nos nervos.
--- Não tenho culpa se meu interesse vai estar no mesmo ambiente que eu por duas semanas.
--- Nem pense em fazer suas paqueras na minha frente.
--- Como se isso fosse possível.
Oliver não tinha vergonha em demonstrar que era gay.
Eu só não tinha percebido antes por que era desligado.
Oliver corre atrás de Enrico como um leão correndo atrás da presa, essa caça deles está durando muito.
Enrico não deixa espaço para Oliver dar investidas, mas isso não atrapalha ele de soltar flertes.
--- Aliás, por que mesmo Enrico corre tanto de você?
--- Pergunte a ele Levi, já tentei de tudo, mas ele continua resistente.
--- E se ele não aceitar? Talvez ele não goste mesmo de homem.
--- Se ele não aceitar eu parto pra outra Thomas, gostei dele, mas não vou morrer por uma rejeição.
O gostar de Oliver parecia bem descomplicado, eu mesmo não saberia o que fazer se Késsia me recusasse.
Não seria capaz de partir pra outra, e muito menos esquecê-la.
Eu não me incomodava em saber que tinha um amigo gay.
E nem muito menos em falar sobre a vida amorosa dele.
Oliver já me escutou tantas vezes falar sobre minha vida amorosa.
Não me importa a sexualidade dele, somos bons amigos, e isso me deixa feliz.
O que ele gosta ou não é problema dele, isso nunca vai interferir na nossa amizade.