Energia negativa.

1440 Words
Késsia. Eu não estava tão curada, quer dizer, os pontos tinha caído e as feridas estavam devidamente cicatrizadas. Mas de tanto ficar parada, acho que eu ainda estava doente. Eu recebi um trabalho, a morte de alguém foi encomendada. Só que eu ainda estava indecisa entre ir, ou não ir, por um lado era por causa da Melissa. Tipo, esse trabalho surgiu sim de uma idéia maluca minha, mas desde o começo trabalhamos juntas. Eu só precisava arrumar uma maneira de trabalhar de um jeito diferente. Mesmo se houvesse outra pessoa a trabalhar comigo, ela não usaria a máscara que Melissa usava. O por que é simples, não queria alguém pra substituir a vaga dela, só queria alguém único. Ultimamente Theo estava louco pra frequentar a escola. Tudo por causa de um filme infantil que ele assistiu, do nada ele decidiu que quer ir. Thomas estava perdendo os cabelos, ele não queria mandar por que sabia que era perigoso. E realmente era, mas pra mim ele não podia ser privado disso. Afinal ele era só uma criança, precisava aproveitar a infância e ter todas as experiências possíveis. Eu não tinha dito isso ao Thomas ainda, por que não me achava no direito. Bem que eu poderia pensar que tinha direito de opinar, já que dou muito amor e cuido deles como uma mãe. Mas seria errado eu fazer tudo isso só pra no final me achar no direito de opinar na vida deles. Eu desci as escadas e Theo fazia birra atormentando o Thomas. Eu estava vendo ele explodir a qualquer momento, não de raiva. Theo sabia ser bem persistente quando queria algo. E adivinhem a quem ele puxou isso? Logicamente que ao pai. --- Késsia, o que você acha? --- Eu? --- Sim. --- Sobre o que? Eu me fiz de doida mermo, vai que ele estivesse perguntando aquilo relacionado a outra coisa? --- Sobre Theo querer ir a escola, você cuidou dele por muito tempo como se fosse a mãe, você decidi se ele vai para escola ou não. Gente, Theo olhou pra mim com aqueles olhinhos brilhando, na esperança que eu dissesse que ele poderia ir. Andei até o sofá e me sentei, coloquei Theo sentado do meu lado de frente pra mim. --- Theo, você tem certeza que quer ir para escola? --- Quero titia. --- Vai se cuidar enquanto estiver fora de casa? --- Prometo me cuidar titia. --- Se é assim você pode ir. Ele comemorou tanto que eu simplesmente pensei que não poderia ter feito uma escolha melhor. Thomas olhou pra mim e sorriu, uma mistura de preocupação e felicidade, eu entendia ele. Todos nós fazemos parte do crime. Os únicos de fora são as crianças, mas consequentemente, são os alvos mais fáceis para um inimigo. Mesmo que eles não tenham nada a ver. Se existe uma criança como ponto fraco, aquele vai ser o alvo certeiro. A regra de não tocar em inocentes infelizmente não valia para todo o mundo do crime. Muitos se sentiam mais poderosos ao machucar alguém mais fraco. Thomas estava certo em estar preocupado, não seria um pai se não houvesse preocupação. Mas Theo teria proteção durante todo o período na escola. Poderíamos até mesmo colocar rastreador em algum sapato, bolsa, algo do tipo. Era sempre bom se prevenir, tudo poderia mudar em questão de segundos. --- Vai dar tudo certo. --- Tomara que esteja certa. --- Sei que se preocupa, mas se privarmos ele desde a agora, vamos o assustar. --- Tem razão. Ao menos eu pensava assim, privar uma criança de ter uma infância feliz não é bom. Só digo que é r**m pela atitude que ele teve, devemos nos colocar no lugar do outro. Theo estava tão feliz, saiu dizendo aos quatro cantos da casa que finalmente frequentaria uma escola. Até eu estou empolgada com ele. Maya apesar de ter metade da idade dele, estava tão feliz quanto o irmão. Parecia que quem ia estudar em uma escola era ela. Minha mãe estava sozinha no quarto dela, aproveitaria a oportunidade. --- Eu amo tanto a senhora mãe. --- Que cê quer? --- Um trabalho. --- Késsia, acabou de se recuperar, já quer se machucar novamente? --- Nem em sonho mãe, eu vou me cuidar, eu juro. Juntei as duas mãos implorando ela com a carinha de bebê que só eu sabia fazer. Se existia duas pessoas poderiam mandar em mim e fazer o que quiser, essas pessoas eram meus pais. Não importa com qual idade eu estivesse, sempre obedeceria os dois. Seria errado eu sair sem ao menos pedir permissão a minha mãe. Eu sempre pedia ela primeiro, por que com meu pai era sempre mais fácil. --- Se chegar em casa com um arranhão, vou deixar você em estado vegetativo, só assim pra aprender de vez. --- É uma mãezona demais pra conseguir fazer isso dona Angel. Dei um beijo na bochecha dela e fui me organizar, já era noite e eu sairia agora mesmo. Só tomaria um bom banho e vestir uma roupa matadora. Eu já estava arrumada e descia as escadas. Meu pai e Thomas estavam de braços cruzados na ponta da escada. --- Késsia. --- Eu vou ficar bem pai, fica me esperando abraçado ao Thomas. Saí depois de da um beijo na bochecha do meu pai, Thomas me seguiu até o porta malas do meu quarto. --- Não vai se machucar vai? Ele fez aquela pergunta olhando para mim intensamente. Com um ar de preocupação, e suas mãos polsavam dentro dos bolsos da calça. --- Eu vou me cuidar Thomas, não vou nem mesmo ganhar um arranhão. --- Vou esperar por você. Não posso nem negar que já estou balançada por ele, sou i****a? Demais. Só que como eu poderia controlar meu coração, ele só queria se balançar a cada gesto atencioso do Thomas? Eu estava ferrada, mas era isso, a merda já tava feita. Entrei no carro colocando o sinto de segurança, respirei bem fundo. Soltando bem lentamente, eu não estava nervosa, mas era muito tempo sem fazer aquilo. O sentimento parecia estar diferente agora, talvez por que eu tenha passado muito tempo sem fazer isso. Liguei o carro e acelerei, a adrenalina começou a subir, e eu só acelerei ainda mais A velocidade parecia me deixar elétrica a mesma proporção que ela aumentava. Meu destino hoje seria a casa de uma mulher, de idade, era mais velha que a minha mãe, mais ainda não era uma idosa. Eu não era sem coração de matar uma senhora. Mas eu era sem coração para matar uma senhora que assediava e maltratava crianças. Parecia que a pessoa que encomendou a morte era filho dela. Só não consigo entender o por que de ele ter encomendado. Na verdade ele era criminoso, tinha negócios ilícitos, sangue nas mãos. Então por que ele não poderia matar a mãe suja que tinha? Eu não entendia, mas não iria perguntar, se ele não quis fazer isso talvez tivesse um motivo muito bom. A casa da mulher não parecia ser um lugar habitável, só de olhar por fora já dava para notar. A sujeira e desorganização já era notável só em observar ao redor da casa. Coloquei minha máscara e desci do carro, minha faca estava em minhas mãos. Eu brincava com ela como se fosse um ótimo brinquedo. E ela era meu brinquedinho favorito. Não existia nada no mundo que eu apreciava mais que minha faca maravilhosa. A senhora estava nos fundos da casa, fumava um cigarro, vestia uma roupa suja, ela fedia. A velha não faria falta ao mundo, não com toda aquela sujeira. Meu sangue começou a ferver assim que coloquei os olhos nela, não gostei nem um pouco do ar ali. Na verdade, não me agradava a ideia de estar em um lugar como aquele. Aquela casa poderia ter sido um cativeiro para muitas crianças. Muitas delas devem ter sofrido ali, gritado por ajuda, ou até mesmo morrido naquele lugar. A energia ali era tão negativa que só queria acabar logo com ela e ir embora. Mas minha idéia inicial não seria concretizada. Uma garota apareceu, deveria ser mais velha que eu, ao menos era aquilo que percebi. A garota carregava um arame nas mãos. Enrolou no pescoço da velha e a arrastou até uma parede que tinha ali. --- Demorei muito? Perdão por decepcionar a senhora. --- Acha que vai conseguir viver sem pensar nisso? A velha instigou a garota, o que pareceu ter sido um erro muito feio da parte dela. As cenas que vieram depois do que ela disse, não eram nada agradáveis, mas eu gostei de ver, e muito.
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