Família.

1488 Words
Levi. Ultimamente eu estava muito ocupado resolvendo problemas em relação a máfia. Nem mesmo tinha ido visitar a Kess depois do que aconteceu aqui em casa. Não tive tempo ainda, me atolei completamente no trabalho. Eu não queria pensar em outras coisas que não fosse trabalhar até me cansar. Fiquei de queixo no chão com o que a Melissa fez, nunca imaginei isso vindo da parte dela. Era hora do almoço, ninguém falava, o silêncio tava cortante. --- Que deu em vocês? --- Ainda ama a Melissa Levi? A pergunta que mais temia sair da boca de alguém finalmente veio. E eu não sabia como responder. Será que eu sentia a mesma coisa por ela? Essa pergunta passou por minha cabeça tantas vezes. Mas em nenhuma dessas vezes eu consegui me responder. --- Não sei mãe, essa pergunta é complicada. Realmente era, tantos dias com ela envolta em minha mente e sem resposta. --- Amigos brigam filho, isso é normal, eu mesma já briguei com Angel, mas o que Melissa fez, não pode ser considerado como briga. --- Nem conta o que você e Angel tiveram como briga, ela só agarrou seu pescoço por alguns segundos pô. --- Melissa procurou por isso, ela instigou, e no final ainda conseguiu que a Kess ficasse tão machucada. Minha mãe tava certa, todos na família pensavam igual. Eu não tinha certeza se a Kess conseguiria perdoar o que ela fez. Talvez ela nem mesmo dê o troco, mas perdoar já é um assunto diferente. Deixar o tempo resolver essas questões, não é fácil a gente ser apunhalado por alguém tão próximo. Fui para o meu quarto, iria visitar a Késsia hoje, tinha agilizado quase todo o trabalho. Não tinha mais desculpas pra não ir visitar ela. Após um banho e vestir uma roupa, peguei meu carro na garagem e partir em direção a casa da tia. No caminho pra lá eu vi a Melissa, ela estava em um barzinho com algumas pessoas. Sorria tanto que nem parecia ter quase matado alguém a uns dias atrás. Joguei Melissa pra longe dos meus pensamentos e prestei atenção na estrada. Eu não costumava bater na porta, entrava sem nem ser convidado. Era a casa da tia, eu podia fazer isso. Késsia tava sentada no sofá da sala. --- Nossa, esse deve ser o Levi, da família, meu primo, cresceu junto comigo. --- Gracinha é contigo mesmo né não? --- Tá fazendo o que aqui i****a? --- Não seria vendo como está seu estado? --- Quantos dias tem que tô machucada? Só agora cê vem aqui? --- Sem drama tava sem tempo pô. Cheguei mais perto dela e analisei a situação. Levantei a blusa de pijamas que ela vestia, não consegui chegar no meio das costas com a blusa. Uma mão me impediu no meio do caminho. --- Você não é médico Levi, basta perguntar a ela se está tudo bem. --- Nossa, ele é bem ciumento. Thomas se sentou do lado dela como um guarda costas, fui obrigado a me sentar também. --- Como cê tá? --- Me recuperando bem. --- Já resolveu? --- Pergunta b***a Levi, minha filha tem o coração mole pra conhecidos de longa data. A tia vinha se juntando a nós juntamente com o tio. A conversa agora seria reduzida a concelhos para nós dois. --- E a senhora? Vai fazer alguma coisa? --- Vou, é minha filha não é como se uma pessoa de fora pudesse fazer o que nem eu mesma fiz. --- Eu vou junto, quero ao menos ficar de fora observando. --- O senhor só serve pra observar pai, nunca gosta de se meter em nada. --- Por isso que dificilmente eu tenho problemas Kess. --- Ama ela ainda Levi? Como amava antes? --- Fiz essa pergunta tantas vezes pra mim mesmo, nem sei mais o que sinto tia. --- Sabe o que ajudaria você a resolver isso? Se encontrar com ela e conversarem. A tia estava certa, sempre estava. --- Ela ainda vai atrás de você, escuta o que eu digo. --- A senhora deveria trabalhar como vidente ou algo do tipo mãe, sempre consegue estar certa em tudo. --- Coisa da velhice Kess. Bastava agora eu me preparar. Uma hora ou outra eu acabaria encontrando a Melissa de qualquer jeito, não tinha como evitar isso. Acabou que eu fiquei ali até a hora do jantar. Não que eu tivesse ido ali só pra comer, mas não tinha como recusar a comida da tia. Depois do jantar eu fui lá fora, o jardim da tia Angel era bonito, fazia tempo que eu não ia até lá. Não muito tempo depois Thomas apareceu. É claro que ele apareceria, ele não tinha dado bronca em mim ainda. --- Vai, pode dá bronca. --- Não tenho com o que dá bronca, você não estava em um relacionamento com ela. Nessa parte ele estava certo. Eu não tinha estado em um relacionamento com ela, mas por que eu estava agindo como se tivesse tido? --- Está com medo de admitir que amou ela por tanto tempo, e todo esse amor diminuiu drasticamente em poucos segundos. Eu olhei pra ele, era estranho como nos tornamos próximos somente alguns anos atrás. E mesmo assim conhecia cada coisa em mim, até o que eu não tinha certeza, ele afirmava sem balançar. --- O amor que sentiu por ela foi tão grande que quis ajudá-la, mas ela apenas se recusou, e seu coração feriu. Ouvir a verdade sempre doía. --- E o que eu faço agora? Tá tudo perdido, eu amei alguém por tanto tempo atoa. --- Não foi atoa, cê amou a Melissa, aquela que foi amiga da Késsia por tantos anos, e que parecia ser inocente e ao mesmo tempo extrovertida pra você. --- Não perdi tempo da mesma forma? --- Amar só é perca de tempo quando você pensa que é assim, mesmo que a pessoa tenha pisado em você, pode olhar para si mesmo e dizer que a amou de verdade. --- Por que eu faria isso? Besteira, depois de tudo que ela fez. --- Essa é a questão, você a amou até o momento que pôde, mas quem recusou o sentimento foi ela, eu disse que pode dizer sem arrependimentos que a amou, mas não que precisa continuar amando ela. --- Qual o sentido? --- Se passar a sua vida se arrependendo por ter sentido amor por alguém no passado, isso vai atrapalhar seu amor futuro, apenas aceite que amou alguém assim. O próximo que assumiria o papel da tia Angel na família seria o Thomas. Era incrível a habilidade dele de falar, era um filho da mãe que vivia de boca fechada. Só que se abria, só falava coisas certeiras. --- Consigo fazer isso? --- Você conseguiu amar ela, aceitar é o de menos. --- Vai se fuder Thomas. Incrível a capacidade dele de em um momento estar como um irmão, e no outro, agir como um i****a. Era a hora de ir pra casa. Depois de passar esse tempo na casa da tia consegui organizar completamente meus pensamentos. Quando entrei em casa meu pai estava no sofá, ele precia estar me esperando. --- Aconteceu alguma coisa pai? --- Você já deve estar mais decidido, minha irmã é f**a nos concelhos. --- Foi o sucessor dela que me decidiu, Thomas vai ser tão bom quanto ela. --- Onde tá a mãe? --- Dormiu faz tempo. --- Só ficou acordado pra me esperar? --- Foi. Eu costumava ser muito ligado ao meu pai, ele sempre esteve comigo pra tudo. Me aconselhou, me acolheu, me reergueu quando eu precisei, ele era um paizão. --- Eu já errei com sua mãe garoto, o pior erro que já cometi foi com ela, me arrependo disso até hoje. --- O senhor falou disso sem muitos detalhes pai. --- É isso que te falo, não fica com o pé atrás em se afastar de alguém como ela, pode ser que você realmente amou ela, mas o amor mesmo, recíproco, e que faz a gente se sentir a melhor pessoa do mundo, só acontece uma vez na vida. --- Vou resolver isso logo pai. --- Só espero que encontre alguém que ame você de verdade, assim como eu encontrei sua mãe, quero só felicidade pra você moleque, tá ouvindo? --- Fechou pai. Meu pai dificilmente costumava demonstrar afeto com um abraço. Aquilo só acontecia com a minha mãe, mas naquele momento ele me abraçou. Logo depois subiu pro quarto. Eu tinha sorte, uma família da hora, que se importa comigo. Rodeado de pessoas que me amavam e queriam o meu bem acima de tudo. Muitas famílias costumavam ser desunida, eu entendia, nada era perfeito nesse mundo. E a minha família também estava bem longe de ser perfeita. Era uma família de mafiosos e assassinos, que tinham sangue de gente podre nas mãos, mas que acima de tudo, dava a vida pela proteção dos seus.
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