Péssimo pai.

2532 Words
Thomas. A casa dos meus pais ficava fazia sem a Késsia e as crianças aqui, tudo parecia demais, grande demais, silenciosa demais, arrumada demais, triste demais, apesar que eu passava meu tempo trabalhando e não com eles, ainda assim era r**m ficar aqui sozinho, sentia falta das risadas dos três ecoando pela casa. Os três sempre estavam fazendo baderna, Késsia nunca reclamava do jeito que eles deixavam tudo uma bagunça, sempre sobrava pra ela no final mas nunca vi ela de cara feia por arrumar a bagunça deles, Estéfane nunca fez isso por eles mas ela faz, e ainda é com um sorriso no rosto, tão linda que dá vontade de segurar pra não soltar nunca mais, ela está agindo como mãe deles, e eu me sinto um desgraçado por ter jogado essa responsabilidade pra cima dela. Esses dias estou cogitando a idéia de falar com ela sobre os últimos anos, pedir desculpas, me explicar, não sei se vou conseguir dizer a verdade, mas eu deveria ao menos explicar metade de tudo, falar pra ela que eu me importo e que senti sua falta, que a cada dia que passei naquele inferno o único ser que me mantia na sanidade era ela, que em nenhum segundo que se passou desde então, eu em momento algum tirei ela do pensamento, talvez não adiantasse muita coisa, mas eu deveria ao menos tentar. Eu precisava reunir muita coragem pra fazer isso, então primeiro eu ia me preparar, essa preparação poderia demorar uma semana ou um mês, ia depender da coragem que eu tivesse, tudo que era relacionado a Késsia eu temia, ficava nervoso, talvez fosse normal, eu a amava, e as pessoas ficavam assim quando se tratava da sua pessoa amada, ou também poderia ser só covardia, não sei. Hoje eu e Levi íamos resolver alguns problemas, um velho estava tentando nos juntar com suas filhas, recusamos, mas o mesmo insistiu dizendo que não poderíamos recusar antes de conhecer as duas, ele ficou no nosso pé, queremos nos livrar dele e por isso nós vamos no bendito almoço, não que eu vá comer algo ou agir como se ele fosse meu amigo, apenas ia vê-la e recusar a proposta de casamento, apenas isso. Fiz uma ligação pra Levi, queria saber a que horário ele iria, seria r**m eu chegar lá e ter que aturar o velho sozinho, ele tinha que me acompanhar nessa luta do começo ao fim, não tinha essa de um só sofrer. ---------------- --- Que horas vai? --- Iria fazer a mesma pergunta, não estou nada bem humorado em ter que comparecer nesse bendito almoço. --- Não se esquece que você ficou com uma das filhas i****a, foi por causa disso que o velho começou a tentar nos juntar com elas, não sabe guardar o p*u dentro das calças é nisso que dá. Levi não era um mulherengo, na verdade ele era um pouco, mas o que ele dizia em sua defesa era que o importante seria não ficar com nenhuma mulher de cabelo loiro, um i****a pior que ele nunca vi, mas eu também não era tão diferente assim. --- Qual é, eu expliquei pra ela, era só uma noite de sexo, mas a mulher não ouviu, já conheceu alguma mulher a obedecer um homem tão facilmente assim, principalmente um homem que ela não conhece? --- Você que se vire pra arrumar esse problema agora, não é como se eu pudesse me casar, afinal já sou casado, não que seja um casamento que eu deseje, mas posso usar essa desculpa, já você não sei que desculpa pode usar. --- Tenho um futuro casamento, boa desculpa. ------------------- Levi era impulsivo na hora de escolher com quem se deitar, ele nunca recusava uma mulher que desse em cima dele, e esse era seu principal problema, bom ele não é um total mulherengo ainda por que ainda não assumiu isso, mas também não quer dizer que ele não fique por aí pegando todas. Apesar de o meu casamento com a Estéfane ser uma bosta, eu nunca traí ela, e ela eu não sei, eu nem mesmo quero saber sobre a vida dela, não me importo com nada disso, a única coisa que me importo é com a Késsia, e na primeira oportunidade de divórcio, eu farei, isso também parece ser só covardia minha, eu reclamo o tempo todo que ela não faz nada e que não queria estar casado com ela, mas não faço nada pra mudar essa situação. A Estéfane eu conheci em um bar, na verdade eu já conhecia ela antes, mas foi ali naquele bar que tudo começou, não posso usar a desculpa de que estava bêbado, eu realmente estava, mas não tão bêbado ao ponto de não saber o que estava fazendo, no momento em que ela apareceu eu pensava na Késsia, e de algum modo quando ela surgiu ali na minha frente eu pensei que fosse a Késsia, minha cabeça estava tão atormentada que só consegui pensar que fosse ela ali na minha frente. Só percebi realmente que não era quando já tinha tido um orgasmo dentro dela, me senti um babaca por ter feito aquilo, eu nunca deveria imaginar o rosto da Késsia em nenhuma mulher, ela era diferente não tinha um rosto comum, eu não devia ter feito isso, mas eu fiz, e foi minha maior burrice. Mas no fim tudo isso foi erro meu, eu sempre quis usar a Késsia como desculpa por todos os meus erros, e no final, era eu quem errava e fazia ainda pior tentando jogar a culpa pra cima dela, não existia um covarde pior que eu. Decidi ir me arrumar, não que as filhas do velho merecia, mas a noite eu iria na casa do tio Bruno, talvez não desse tempo de voltar em casa novamente, seria bom estar preparado. Eu estava passando meu perfume quando Estéfane apareceu, chegava àquela hora da rua, era sempre assim, ela nunca se importava quando chegar em casa, ela nem tinha um horário pra voltar. --- Vai sair? --- Vou. --- Vai ver aquela mulher feia que você fingi ser sua irmã? Vai manter isso até quando? Sempre aturei tudo da Estéfane, até mesmo os xingamentos que ela direcionava aos meus filhos por que era um péssimo pai e na minha cabeça ela era a mãe deles e eu não podia mata-la, mas falar da Késsia foi a gota d'água, eu poderia matar ela ali mesmo. Eu sai de onde estava até a porta em questão de segundos, agarrei ela no pescoço e levantei, a mesma estava sufocando me pedindo pra parar. --- Você pode falar como quiser comigo, me xingar ou até mesmo qualquer outra coisa, mas estou avisando, retira o nome da Késsia dessa sua boca imunda, não vou permitir mais que faça isso, foi a primeira e última vez c*****o. Joguei ela no chão, a mesma caiu suspirando, tentando encontrar o ar que perdeu, e eu fui novamente pra frente do espelho, olhei pra ela pelo reflexo. --- Dessa vez só tirei seu ar por alguns minutos, na próxima, tiro seu ar pra sempre, cuidado. Sai dali, a minha vontade era matar aquele mulher, mas ai eu me lembrava que ela era mãe dos meus filhos, eu estou ciente de que ela não se importa com eles e os maltrata, mas eu não consigo. Quando cheguei a casa em que aconteceria o almoço Levi já me esperava. --- Demorou. --- Problemas Levi. Entramos pelo portão, tocamos a campainha e quem abriu foi uma mulher, devia ser aquela que o velho tentava me juntar, parecia ser a mais velha, não reparei muito nela mas vi de cara que não tinha beleza alguma. Ela era feia, qualquer mulher que não fosse a Késsia eram feias aos meus olhos, e sempre seriam, ninguém nunca chegaria nem perto da beleza da Késsia. Késsia era um mulher esplêndida, tinha curvas maravilhosa, um corpo não tão magro, mas também nem gorda, e na verdade eu acharia era maravilhosa de qualquer jeito, não importa como ela estivesse, seria a mais linda ao meu ver, eu amava cada detalhe dela. A mesa estava cuidadosamente posta, tinha pratos variados e apetitosos, mas não pra mim, era um saco estar ali e eu só queria me livra logo daquilo, pra começo de conversa nem sei por que eu vim aqui, não tinha vontade alguma em comer nada que havia ali em cima da mesa. --- Se sirvam, a comida está ótima. Decidi não comer aquela comida, nunca se sabe quando a gente pode ser envenenado, é melhor prevenir que remediar, nem mesmo conhecemos o velho realmente, comer da comida que ele oferece depois de recusar as filhas dele seria burrice. Levi fez o mesmo também não comeu, confiança era pra poucas pessoas. --- O senhor pode falar, não viemos aqui para comer. --- Bom, como estão vendo, minhas filhas são bonitas, obedientes, não terão uma esposa melhor que essas, podem fazer o que quiser, elas são silenciosas. --- Desculpe senhor, da minha parte não tem nenhum interesse, não quero um casamento com sua filha. --- Digo o mesmo, ainda não quero me casar. --- Se era só isso nós vamos indo. Nos levantamos da mesa e saímos, o velho é resistente, ainda bem que não esperamos uma resposta dele, era nojento ter que ver alguém oferecendo as filhas desse jeito, e ainda insinuando que podemos fazer o que quiser, que tipo de pai era aquele? --- Uma bebida? --- Tô fora, vou na casa do tio Bruno ver meus filhos. --- Até mais então. Nos separamos, fazia quase uma semana que não tinha visto meus filhos, já estava sentindo saudades, eu era muitos desleixado, e um péssimo pai, priorizava o trabalho ao invés dos filhos, que tipo de ser humano era eu? Será mesmo que eu era um pai melhor que aquele velho asqueroso? Acho que desde do primeiro ano da Maya que eu não passo um dia inteiro com dois, nem me lembro mais quando brincamos pela última vez, minha vida sempre era trabalho atrás de trabalho, e eu sei que estava errado, mas também não fazia nada pra mudar isso, meu problema era sempre esse. Toquei a campainha na casa do tio Bruno, quem abriu foi a tia Mariane. --- Até que enfim veio nos visitar. --- Quanto tempo tia, como a senhora está? --- Muito bem, entre. Theo e Maya brincavam na sala, os dois quando me viram correram para me abraçar, eu merecia filhos tão incríveis assim apesar de ser um péssimo pai? --- Como minhas crianças estão? --- Muito bem papai. --- Se comportaram? --- Hunrum. Fiquei ali pela sala brincando com os dois, tinha me esquecido como era tão bom passar um tempo assim com dois, todas as minhas preocupações e problemas sumiam assim que eu os via, era o melhor sentimento do mundo, como eu pude me esquecer de como era aquela sensação? Eu também queria ver outra pessoa mas não sabia como perguntar onde ela estava. --- A Késsia tá no segundo quarto a direita, se quiser ir ver ela. O tia me avisou e foi pra cozinha, na verdade eu vim aqui por que sentia a falta dela também, seria muita audácia minha ir lá ver ela? Subi as escadas sem me importar se estava sendo audacioso ou não, a cada passo mais perto do quarto meu coração aumenta o ritmo de batidas, estava pra sair pela boca, como eu poderia ficar tão nervoso assim só em ver pensar que veria ela? Talvez fosse a saudade que estivesse fazendo aquilo. Dei duas batidas leves na porta, não obtive resposta e abri, ela estava sentada em frente ao computador e parecia concentrada, nem mesmo parecia ter notado a minha presença. --- Fica olhando não flor, ajuda aqui se não nem termino isso hoje. Ela não tinha me olhado, talvez nem sabia que era eu, mas deixei de lado essa informação, puxei uma cadeira para mesa que ela estava e a mesma me passou uns papéis ainda sem olhar pra mim, se eu fosse um assassino já teria matado ela, como pode se concentrar tanto assim em uma coisa só? Pareci até mesmo que não existia um mundo inteiro ao redor dela. --- c****e, pensei que fosse a Melissa. --- Posso ajudar você também, pode continuar concentrada no computador. Ela nem mesmo me respondeu, se virou novamente para o computador e mais uma vez minha presença ali foi esquecida, ela era boa em esquecer as pessoas quando estava trabalhando com números. Deixei de lado todos os pensamentos naquele momento e me concentrei nos papéis, era só para ser colocado resultados, seria fácil, só precisava de atenção. O trabalho da Késsia parecia difícil, mas também parecia que ela gostava muito do que estava fazendo, ainda lembro que o primeiro brinquedo que ela escolheu envolvia números, ela sempre gostou, pelo menos isso não mudou depois de tantos anos. Do nada me lembrei do colar que tinha dado a ela quando fui embora, olhei no pescoço dela e não vi o colar ali, na certa ela deve ter jogado fora, e eu até entendo. Voltava minha atenção para os papéis e vi o colar no braço dela, ela tinha transformado em um pulseira, tinha ficado até mais bonito. --- Não gosto de colar, pulseira parece combinar mais comigo. E realmente combinava mais com ela, sorri, ao menos ela não tinha jogado fora o presente que eu dei. Duas horas depois o trabalho estava concluído e ela enviou para o cliente, vi ela se encostar na cadeira e soltar um longo suspiro, olhando agora ela parecia bastante cansada, por quanto tempo ela ficou em frente ao computador? --- Obrigada. --- Acho que você tinha muito trabalho acumulado. --- Hum, estava ocupada nos últimos dias, não queria que as crianças se sentissem sozinhas. Era incrível ver todo o cuidado que ela tinha com meus filhos, deixava o trabalho de lado pra poder cuidar deles, por que eu não era assim? --- Precisa dá atenção a eles se quer ser um bom pai, não adianta ficar sem vê-los por uma semana e achar que alguns minutos brincando vai fazer eles se esquecerem, são só duas crianças, precisam da atenção do pai, eles já tem uma mãe que não se importa, se o pai for pelo mesmo caminho, eles ficam sozinhos. Ela estava certa, eu sempre dizia que Estéfane não cuidava dos filhos e que estava sempre na rua, e na realidade eu sou igualzinho a ela, a diferença é que eu usava o trabalho como desculpa. --- Vai pra casa? --- Ainda não, leva as crianças, preciso sair com a Melissa. --- Onde vai? --- Não precisa saber, nunca quis saber nada sobre você, faça o mesmo também. Ela foi para o banheiro e eu sai do quarto, eu merecia aquele tratamento, como eu poderia ficar com raiva, se fui eu a causar todo esse rancor que ela sente por mim, mas ainda assim todo o desprezo dela doía, era a mulher que eu amava e nem mesmo olhava em meus olhos, meu coração se partia em pedacinhos quando ela me tratava daquela forma, o meu sofrimento também era merecido.
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