Rosa narrando
Comecei a me vestir lentamente, observando Roberto ainda pelado no sofá do escritório, o corpo dele ali era repugnante, mas eu precisava manter a calma e a postura.
Agora você faz a sua parte — falei firme, olhando nos olhos dele. — Entra em contato com Kaio.
Vou fazer isso ainda essa madrugada — respondeu ele, com aquele sorriso frio. — Kaio está no Caribe. Você tem certeza de que a garota que está junto com Kaio é filha da Marisa?
Tenho — me aproximei dele, deixando minha voz firme. — Marisa me mostrou uma foto dela, eu reconheceria em qualquer lugar. E o pior? Bn está de olho nela.
Bn? — ele perguntou surpreso. — Bn era o marido de Marisa?
Sim — sorri, frio. — Isso quer dizer que ele deve saber quem ela é e vai se vingar.
Ele se aproximou, e mesmo sabendo que não devia, correspondi ao beijo que ele me deu, mas morrendo de nojo por dentro.
Vamos conversar mais — ele disse, a voz carregada de interesse. — Gostei de negociar com você.
Eu também — respondi, sorrindo, controlando cada músculo do corpo. — Sua esposa não acha r**m? Não vou sair lá fora e ela vai me bater — falei rindo, debochando dele.
Não — ele respondeu, relaxando. — Marcela é um pagamento de dívida. Aqui dentro, ela só me obedece. Pode ir tranquila.
Então preciso voltar para o morro — falei, pegando minha bolsa e me dirigindo para a saída.
Ao subir para o andar superior, notei uma luz acesa. Subi silenciosa e encontrei a esposa dele lendo um livro. Ela ergueu os olhos para mim, e seu olhar frio me atravessou.
O que está fazendo aqui? — perguntou, a voz cortante.
Logo você estará na sarjeta — respondi, sorrindo. — E esse lugar será meu.
Ela se levantou, andando até a porta e parando bem na minha frente.
Você pode ficar no meu lugar agora mesmo, se é isso que você tanto deseja — falou, desafiadora.
Ainda não — respondi, firme. — Apenas se meus planos não derem certo. Está roxa aqui — falei, apontando para seu rosto. — Que dó — abri um sorriso irônico e saí, descendo as escadas.
Fora da casa dele, chamei um táxi e me dirigi de volta ao morro da Rocinha. O coração acelerado, mas a mente fria, traçando cada passo que eu precisava dar.
Entrei no morro e caminhei pela casa de Rd e Malu, percebendo que não havia mais movimento. Cheguei em casa e vi que Ph ainda não havia chegado. Comecei a mandar mensagens para os vapores e confirmaram: ele também não estava na boca.
Só podia estar com aquela vagabunda da Julia.
Já tinha um segundo plano traçado: largaria essa criança aqui dentro do morro e faria de tudo para Roberto me assumir se, por acaso, Kaio não tomasse providências. Mas duvidava que ele não fosse agir. Kaio viria tirar a irmã dele daqui, e Marisa certamente faria de tudo para proteger a filha. Uma nova guerra estava prestes a começar.
Saí à procura de Ph e encontrei Malu e Rd na rua. Me aproximei deles, analisando cada detalhe, cada expressão, à procura de pistas sobre o paradeiro dele.
Malu narrando
Joana estava com Maiara e Pedrinho, que de repente foi parar na casa da tia véia. Eu continuava bebendo e dançando, deixando o álcool me levar.
Vamos subir — disse Rd, tentando me controlar.
Eu quero beber mais — respondi, desafiadora.
Daqui a pouco você está fazendo merda pelo morro — ele avisou.
Realmente você tem vergonha de mim — falei, cruzando os braços e saindo do pátio, Rd atrás de mim.
Malu — falou, segurando meu braço. — Calma, não é vergonha. Estou preservando sua reputação aqui dentro.
Reputação? — perguntei, rindo.
Para com isso. Vamos. Você não pode beber assim, fica triste, irritada… e na primeira oportunidade, enche a cara com a cachaça batizada do Bn.
Estou bem — respondi, afastando o braço dele. — Nunca precisei de homem nenhum me controlando.
Vamos — insistiu.
Eu só quero caminhar — falei. — Apenas isso. Não posso fazer mais isso, Rd?
Tenho planos melhores para nós — ele disse, me beijando, e eu correspondi.
Não vou t*****r com você — sorri. — Você tem vergonha de mim?
Só quando você bebe, fica pior que trem desgovernado — ele riu. — Você sabe disso, Malu.
Segurei seu rosto e o beijei. Ele correspondeu, e nos abraçamos. Então notei Rosa se aproximando.
Oi — ela disse, com a voz carregada de interesse. — Vocês viram Ph?
Não — respondeu Rd.
Eu também não vi a Julia mais — falei.
Malu — começou Rd.
Acho que eles estão juntos em qualquer lugar do Rio de Janeiro — respondi, sorrindo.
Você realmente tem uma ONG para ajudar outras mulheres e agora quer me ver sozinha na gravidez? Você é hipócrita — disparou Rosa.
Você não precisa estar com ele para ter apoio — falei, firme. — Você realmente se sente bem sabendo que o homem ao seu lado ama outra? Duvido que alguma vez ele transou com você pensando em você.
Você é baixa, Malu — disse ela.
Eu sou tudo que você queria ser — respondi, olhando para ela nos olhos. — E você nunca vai conseguir ser, porque é falsa — continuei. — Se realmente estiver grávida.
Segura sua mulher, Rd — ela falou, apontando para ele. — Se eu perder meu bebê por causa dela, quero ver o tribunal de contas.
Cala a boca — falei. — Que criança você vai perder? Gravidez falsa. E se for verdade, duvido que seja do Ph.
Faço o teste de DNA e ultrassom na sua frente — ela respondeu. — Você vai morder a língua.
A cobra aqui é você — falei, enquanto Rd me puxava.
Vou procurar meu noivo — ela disse, virando-se.
Que está de love com outra — murmurei, sorrindo.
Ela saiu, batendo o pé, subindo o morro à procura de Ph.
Malu — disse Rd, preocupado.
Cala a boca também — respondi, puxando-o para casa. — Vai atrás da sua amante se estiver com pena.