Terror Narrando
Fala minha tropa… aqui quem tá na voz é o mano Douglas, mais conhecido no corre como Terror, 32 anos na cara já fi. Sou eu por mim mermo, tá ligado? Sempre foi assim, sempre vai ser. Meu coroa foi quem me criou, foi meu alicerce por muito tempo, só que o mundo é c***l, irmão. Armaram pra ele e no desacerto ele tombou…mas os filha da putä que fizeram isso? Já tão tudo no colo do capeta, fui eu mermo que mandei, sem dó nem piedade.
Agora, quem me botou nesse mundão? Nem gosto de falar, papo reto. Minha genitora… essa aí eu nem chamo de mãe. Teve a coragem de largar um bebê recém-nascido no mundo como se fosse nada. Se um dia aparecer na minha frente, eu cacepo ela na bala, papo só.
Mas eu tô ligado que o que cês querem ouvir mermo, não é sobre essa praga, mas sim sobre a maluca da Rafaella… Pois é, parceiro. Essa aí sempre vai ser minha fraqueza e minha força ao mermo tempo. Amo essa desgraçada pra caralhø, não vou mentir, sou sujeito homem pra assumir. Vacilei feio com ela, tá ligado? Cinco anos atrás ela meteu o pé da minha favela, por um erro meu mermo, mas ela foi… e nem olhou pra trás.
Só que papo reto, foi aí nessa época que eu virei o Terror que geral sente medo, sou frio, c***l e calculista, não demonstro carinho por ninguém, e nunca ninguém vai conseguir mudar isso, a única que conseguiu por um tempo foi a filha da putä da Rafaella, mas ela meteu o pé e eu cai no mundão da p*****a de novo.
E hoje cria, eu nem sei se ela casou, se tem outro… não quero nem saber, porque só a ideia de outro maluco tocando o que é meu já me dá ódio. E eu falo mermo, ela é minha. Sempre foi e sempre vai ser. Várias vagabundas se iludem achando que podem andar do meu lado, como fiel, coitado, são iludidas pra caralhø, nenhuma delas merece tá do meu lado, até porque, esse posto de fiel já tem dona, e se não for ela, não vai ser mais ninguém, a verdade é essa mermo.
Nenhuma outra chega nem perto da Rafaella. O bagulho que sinto por ela tá intacto, como se o tempo não tivesse passado. Saudade daquela boquinha, do corpo, do chá bem dado que só ela sabia entregar.
Quando vi minha loirinha entrando naquele táxi, a cinco anos atrás, parecia que o mundo tinha parado. Eu não ia deixar ela ir, mas meus aliados me seguraram, jogaram a real “Tu vacilou, Terror, agora aguenta o K.O”. Eu me conformei, mas nunca aceitei, tanto que fiquei procurando ela por uma cota de tempo, mais nunca achei, e nem sei pra onde ela se enfiou, certeza que pra longe, porque se fosse por perto, eu já saberia onde ela tava.
Até os pais dela que me queriam bem pra caralhø, depois que ela meteu o pé, eles mudaram comigo, mas fazer o que fi, a vida é essa, não posso agradar todo mundo.
Agora tô aqui na boca, resolvendo uns k.o.
De repente a porta foi aberta com tudo, e o Vitinho entrou, mão na cabeça, aparentemente nervoso, e eu só fiquei observando.
Vitinho — Papo reto paizão… tu não vai acreditar...
— Desenrola logo porrä...
Vitinho — A Rafaella, pô… tá aí no morro... tá subindo com o mosquito, pra falar contigo... ___ solta, e eu levanto na hora, batendo a mão na mesa.
— Papo reto, Vitinho? ___ pergunto serinho, sem acreditar mermo.
Vitinho — Sem marola paizão...
— Mete o pé Vitinho... me deixa sozinho... ___ dou o papo reto, e ele sai da minha sala sem nem questionar, eu sento de volta, apoio o cotovelo na mesa e passo a mão na cara, sem acreditar, não pode ser um bagulho desse.
Espero que o mosquito teja trazendo ela de carro, porque se eu souber que ela tá andando na garupa do filho da putä, vai sobrar pra ele, papo só.
Fiquei um tempo sentado. Minha mente deu um giro que nem eu soube segurar, maluco. Cinco anos, irmão… cinco anos que essa desgraçada meteu o pé da minha vida e agora aparece assim, do nada, subindo o morro? Porrä…
Meu coração até acelerou, mas eu logo cortei esse barato. Não posso demonstrar fraqueza, nunca pude, ainda mais sendo quem eu sou hoje. Eu sou o Terror, fi. A favela inteira teme meu nome. Não dá pra me ver como qualquer emocionado que perde o controle por causa de mulher.
Só que a mente é traiçoeira, comecei lembrar da última vez que eu encostei nela. O cheiro do perfume, o sorriso de canto que sempre me desmontava, a boca carnuda que me viciou desde a primeira vez. A Rafaella sempre teve um bagulho que ninguém mais teve. Ela não era só minha mulher, era minha paz. E eu vacilei. Vacilei feio, e perdi.
Cinco anos se passaram e, mermo assim, não teve uma noite que eu não pensei nela. Eu podia tá com dez minas na cama, que nenhuma preencheu o vazio. O pior é que eu nem sei o que esperar. Ela vem me cobrar? Vem esfregar na minha cara o vacilo? Vem pedir alguma coisa? Ou vem só føder com a minha mente de novo?
Jogo o corpo pra trás na cadeira, puxo um baseado e acendo, tragando fundo pra ver se a fumaça me dá calma. Mas calma não é o que eu sinto. O que eu sinto mermo é uma mistura de ódio, desejo, ansiedade e saudade, tudo embolado dentro do peito.
— Caralhø… ___ murmuro sozinho.
Eu sei que daqui a pouco a porta vai abrir. Eu sei que a qualquer momento ela vai entrar, e eu tenho que tá pronto. Tenho que ser frio, calculista, aquele mermo Terror de sempre. Mas, ao mermo tempo, parte de mim só quer jogar ela contra a parede, beijar até arrancar o fôlego e perguntar porrä nenhuma.
Meus olhos fixam na porta, e o coração dá aquela balanceada assim que a maçaneta gira e a porta se abre.
E lá tá ela, a desgraçada que me deixou. Rafaella.
Cinco anos depois, e a filha da putä continua linda do mermo jeito, até mais. Loirinha, pele clara, aquele olhar que sempre me desmontou.
Meu coração bate forte, mas minha cara é outra. Não vou entregar o jogo tão fácil.
Ela dá dois passos pra dentro, me encara firme e solta, com a voz firme mas carregada de algo que eu não sei se é raiva, ou saudade.
Rafaella — Terror…
Eu não respondo de imediato. Só fico ali, sentado, encarando cada detalhe dela. O corpo, o jeito que mexe o cabelo, o olhar que me desafia mermo depois de anos.
Contínua...