Babaca 2.0

1708 Words
Hoje ele estava diferente, com o cabelo mais seco dava pra ver agora que certamente eram de um castanho bem claro e liso. E eu nem sei porque estava reparando nisso, no cabelo dele. Um babaca arrogante e s*******o como ele deveria passar despercebido mas não era isso que ele causava. Kath acenou pra mim que rapidamente entendi seu recado. Era basicamente que "podia deixar com ela essa mesa" que ela atenderia. Assenti agradecendo muito por isso e fui atender outras mesas até ouvir risadas. E mais risadas. Eu não conseguia ouvir direito o que diziam mas com certeza eram eles. Era só o que me faltava. Terminei de servir um casal, quando estava me aproximando da mesa para passar para ir pro interior da lanchonete. Fico parada sem reação com a cena que vejo a seguir. Kath havia despejado o copo de suco de melancia em cima de um deles. O cara estava de pé aparentemente se fazendo de desentendido, enquanto Kath parecia soltar fumaça. Por isso, as risadas. Segurei o riso, quando estava me virando de costas ouvi um assovio. Apenas ignorei e terminei de arrumar outros lanches na bandeja. Mas não deu pra ignorar a voz do cara encharcado de suco. - Você tá maluca? Só podia ser loira... - ele disse tentando se limpar. O que era inútil. - Tá me chamando de burra? - Kath disse furiosa. - Entenda como quiser. Eu não diria exatamente com essa palavra... mas se prefere assim. - O que? Se você não percebeu estou no meu trabalho seu i****a. Você disse gracinhas e recebeu. Agora aquieta esse seu traseiro aí, caso contrário ninguém vai trazer nada pra vocês. Ele ficou calado instantaneamente. Já eram por volta das dez e meia da noite e o cara sacana do outro dia era o único que havia ficado. Fazendo assim com que eu, Kath e as outras meninas ficassem com raiva de sua insistência em permanecer ali. Ele estava claramente e totalmente bêbado. Uns instantes depois... Pagou a conta e saiu do estabelecimento com a garrafa de outro whisky em mãos. Como se nada tivesse acontecido. - Theresa ele é um bastardo s*******o pelo que você me contou, eu compreendo, mas acho que deveria ir ver como ele vai pra casa. - Kath sussurrou enquanto nos arrumávamos para sair de lá e ir pra casa. - Eu? Por que eu? Ele é só um intrometido e mimado.... - Porque eu simplesmente joguei a jarra de suco inteirinho no amigo i****a dele? E ainda por cima, o servi o tempo todo com a cara só o ódio. - continuou Kath. - E outra ele m*l falou comigo, parece um robô. Tenta você. Com você eu já vi ele falar. - Pra me insultar né? Só vou porque nesse estado de embriaguez que ele está é capaz de causar um acidente. - disse e respirei fundo. - Certo, vou ficar te esperando aqui, qualquer coisa já estou com celular na mão pra ligar pra polícia. - Kath sorriu de canto. Caminhei a longos passos tentando ver onde o ser humano bêbado estava, olhei no estacionamento e nada. Fui para o outro lado da parte do estacionamento e o avistei sentado tranquilo na calçada. - Ei. Como pretende ir pra casa nesse estado? - perguntei sendo dura. Ele apenas franziu o cenho parecendo um pouco surpreso eu diria. Ficou olhando para a bebida na mão e deu um gole generoso. Não dizendo nada, me ignorando completamente. - Esqueceu como se fala? Sua língua está anestesiada depois de tanto álcool? Sabe que pode causar um acidente se for dirigir por aí assim? - eu disse cruzando os braços. - Você quer testar minha língua? - ele disse baixo com a voz carregada de ironia e eu arregalei os olhos em seguida. - É sério, meu expediente já acabou. - fiz uma pausa. - Só estou aqui porque você pode causar algo grave ou se machucar. Liga pra algum amigo, alguém da família, uber, táxi ou sei lá.Você não pode ir assim dessa forma que se encontra, não consegue nem falar direito. - c*****o! Já sacou o quanto é chata? Respirei fundo e me sentei ao lado dele, o que fez com que ele ficasse ainda mais tenso e com raiva. Estiquei meus pés e relaxei meu pescoço de um lado para o outro apenas olhando os poucos carros que passavam na rua naquele momento. - Eu vim te ajudar. Mas você não facilita. Vai ligar ou não? - disse baixo e calma. - Escuta garota. - agora ele disse bem perto do meu rosto, tão perto que eu conseguia sentir o aroma do seu perfume com a bebida. - Não preciso da sua ajuda, sei o que você quer. Não estou afim de ficar com nenhuma v***a hoje. Aquilo foi a gota d'água. E assim que percebi já havia dado um tapa forte em seu rosto. Eu não merecia ouvir aquilo, que tipo de gente é essa? Acha que por querer ajudar estou me oferecendo? Acha que por ser pobre faria algo assim? - Qual o seu problema? Não passa de um menino rico babaca e mimado. Aliás, não te deram educação não? - Se fode aí.... - eu disse gritando por último me levantando rapidamente mostrando o dedo do meio. Ele apenas arqueou a sobrancelha. Que ódio. Saí de lá com passos largos, Kath assistia a cena meio assustada e atordoada. Ela fez sinal para irmos para o carro e eu a segui. - Esse cara é um louco. Eu juro que queria muito ajudá-lo, mas ele não está merecendo ajuda nenhuma. Me desculpe por te colocar nessa. Ele nem te conhece! É só um bêbado filho da puta... - ela disse e saímos em direção a estrada. - Eu sei, é só um bêbado babaca. E a gente já lidou com vários desses, é só mais um. Naquela noite eu não conseguia dormir, estava agitada. Meus pensamentos agitados, meu corpo ainda estava sobre efeito da adrenalina que percorria com tudo em mim, devido ao choque das palavras daquele cara. Eu sei que não deveria ligar para o que algumas pessoas diziam e pensavam das garçonetes, mas era difícil quando haviam todos esses olhares tortos maldosos e conversas com palavras nada educadas. Nos dias que se passaram eu tinha pego uma virose forte. Eu não queria deixar de trabalhar, já que só estava com febre e sentindo meu corpo doer. Estava suando frio quando a campainha soou novamente, era provavelmente o último cliente do dia, estava meio tonta mas mesmo assim consegui ver quem era. Meu chefe logo me mandou ir atender quem quer que fosse. E pra minha infelicidade, era ele. Justamente ele. Quem eu não queria ver nem o rastro hoje. Já estava m*l o suficiente por um dia. Limpei o rosto, o cabelo já estava grudado na testa com o suor e a febre. Logo o esperei sentar, tirei a caneta e o bloco de notas do bolso que tinha na calça. Limpei a garganta e falei: - Boa noite, o que deseja senhor? - e me apoiei na cadeira a frente. - Você está doente? - ele me interrompeu me olhando de uma forma estranha. - Por favor, eu só preciso saber o que vai querer, anotar seu pedido e ir pegar pra você. - expliquei o óbvio sentindo a cabeça fervilhar. Parecia que tudo estava rodando, não ouvia sua voz mais coerente. Estava tudo embolado, eu não estava conseguindo mais ter firmeza nas pernas, minha cabeça doía tudo em mim doía. De repente, uma fraqueza me assolou e a última coisa que vi foi a luz forte da lanchonete no meio de tudo. Brendon A garota não parecia nada bem. Foi rápido, ela estava falando e de repente estava no chão. Me ajoelhei perto dela e toquei em seu rosto, estava com febre alta. Assoviei para algum funcionário daquela lanchonete. - Meu Deus!!! o que aconteceu? - a loira de cabelos cacheados foi a primeira a gritar desesperada. - O que você fez? - Aaaaa Theresa!!! Vamos ligar pra emergência. - uma outra mulher disse com uma voz estridente. Um senhor de meia idade com o óculos na ponta do nariz apareceu também e parecia preocupado. Ele tocou no rosto dela e constatou rapidamente o mesmo que eu. - Meu jovem pode por favor levá-la para casa? - ele disse olhando para o meu carro lá fora e depois olhou para a outra garçonete. - Kath vá junto, dê um banho nela pra abaixar a febre e se não melhorar a leve para o hospital mais próximo. Avisa essa teimosa que ela não precisa aparecer por uma semana aqui. O salário dela não será descontado. - Tudo bem, vai i****a carrega logo ela. - Kath disse alto e eu a encarei. Carreguei a garota e saí com ela porta a fora. Sentindo um vento forte desgraçado andei com ela totalmente desmaiada nos meus braços. Quem vai trabalhar assim? Que droga. Eu só queria a p***a de uma bebida. Kath foi com a garota queimando em febre atrás no carro. E para o meu azar, o tempo todo resmungando e murmurando de como Theresa era louca por estar trabalhando daquela forma. A garota não parava um minuto de falar. Continuou falando que a amiga era muito teimosa, me acusou até de que eu devia estar irritando a garota antes dela desmaiar. Parei no lugar que a loira mandou, desci do carro enquanto ela não parava de falar um segundo. Era a pessoa mais agitada que já havia visto na vida. Com certeza. - Sabe que eu nunca te vi sóbrio? - ela disse esbaforida enquanto eu carregava a outra desmaiada. - É um milagre que esteja assim hoje, caso contrário não poderia ajudar. Não acha? - Você pode parar de falar por um momento? - disse firme e ela fez careta. - Apenas leve Theresa para dentro da casa dela, que eu cuido do resto. - ela disse brava. - Tem que deixar ela debaixo do chuveiro, depois coloque álcool nas meias dela e um remédio. Porque pode apostar que ela vai precisar. - disse e caminhei com ela para dentro do que parecia ser uma kitnet.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD