Sienna Acordei com o peso no peito, mas também com uma clareza nova. A carta dos meus pais ainda queimava na minha mente. "Vamos ficar no Rio até você abrir os olhos." Como se eu tivesse cega. Como se eu não enxergasse a vida que escolhi. Olhei pro lado. O Coroa dormia, o peito subindo e descendo devagar, a barba por fazer, o braço esticado pro meu lado mesmo no sono. Passei o dedo leve no rosto dele. Ele nem mexeu. Meu marido. Meu amor. Minha escolha. Levantei sem acordar ele. Fiz café, tomei na cozinha sozinha, pensando. O sol entrava pela janela, o morro acordando lá fora, os passarinhos, as crianças indo pra escola. Vida normal. Vida que era minha agora. Quando ele desceu, eu já tinha tomado banho, vestido uma roupa leve, o cabelo preso. — Acordou cedo, princesa — ele ve

