Capitulo 31Luisa

1114 Words
Luisa Narrando Ele foi entrando devagar. Me segurando firme. E eu? Eu me sentia flutuar. Não era só a água. Era ele. O cuidado dele. A forma como ele me segurava como se eu fosse a coisa mais preciosa do mundo. Ele perguntou do Jonas. Respondi que era amigo de infância. Ele riu, disse que amigo não beija na boca. Eu rebati, falei que ele era um desconhecido fuçando minha vida. E aí ele me beijou. Na boca. Ou melhor, no canto da boca. Foi rápido. Um segundo. Mas eu senti. Senti tudo. Ele me olhou. Perto. Muito perto. — Você é linda. — ele falou. E mergulhou. A água fechou em cima da gente. O mundo sumiu. Só existia ele. Meus braços em volta do pescoço dele. O corpo dele colado no meu. A sensação de estar viva. Quando a gente subiu, eu tava agarrada nele. Ele segurou firme. — Calma, calma… — ele falou. — Tô contigo. Eu respirei fundo. — Quem é você? — perguntei. Ele me olhou. Olhou fundo. — Eu sou o oposto de você. — falou. — Você é o meu anjo. — Por acaso você é o demônio? — perguntei, quase rindo. Ele sorriu. Aquele sorriso que me desmonta. — Você pode ter certeza do jeito que quiser. Eu sou o demônio… pra quem merece. Fiquei em silêncio. — Obrigada. — falei depois. — Do quê? — De todo mundo aqui na praia… você foi o único que me colocou em contato com o mar. Era tudo que eu sempre quis. O olhar dele mudou. Ficou mais macio. — Eu nem lembro qual foi a última vez que eu entrei no mar… — continuei. — Acho que foi meu pai me carregando. Quando eu ainda era criança. Ele balançou a cabeça. — Não acredito. Uma mulher tão bonita… pele tão bonita… ainda não tinha tido contato com o mar? — "O mar não conhecia o seu cheiro?" — ele completou. Eu ri. De verdade. — Deixa de ser bobo. Ele riu também. E me segurou mais forte. Foi mais pro fundo. A água já batia no meu peito. Eu me agarrei nele, o coração acelerado. Ele colocou minhas pernas ao redor do corpo dele. A mão dele segurou minha cintura. A outra mão segurou debaixo da minha b***a. Meu rosto ficou perto do dele. Muito perto. — Tá com medo ainda? — ele perguntou. — Um pouco. — Confia em mim? Olhei nos olhos dele. — Não sei. Ele sorriu. — Então vai ter que descobrir. E se jogou comigo no mar. A água fechou. O sal entrou na boca. O medo subiu. Eu gritei. Me agarrei nele com todas as forças. — CALMA! — ele falou. — VOCÊ É LOUCO! — gritei. Ele me puxou. Me segurou. E aí… A boca dele encostou na minha. Silêncio. A água rodando ao redor. O mundo parou. Eu fechei os olhos. E me entreguei. A água rodando ao redor. O mundo parou. Eu fechei os olhos. E me entreguei. Os lábios dele encontraram os meus com uma intensidade que me tirou o ar. Não foi aquele beijo rápido de canto, não. Foi um beijo de verdade. Firme. Quente. Ele me apertou contra o corpo dele, e eu senti cada centímetro da pele dele na minha. A mão que tava debaixo da minha b***a subiu pelas minhas costas, me puxando ainda mais pra perto. Meus dedos se enroscaram no cabelo molhado dele, e eu só conseguia sentir. Sentir ele. Sentir o gosto do sal misturado com ele. Sentir o coração dele batendo contra o meu. Quando ele puxou o rosto, eu tava ofegante. Meus olhos ainda fechados, o corpo todo ainda vibrando. — Tá vendo? — a voz dele saiu rouca, perto demais da minha boca. — Não precisa ter medo. Abri os olhos devagar. O rosto dele tava ali, tão perto que eu podia contar os fios de cabelo molhado colados na testa. — Você é louco. — sussurrei. Ele sorriu. Aquele sorriso. — Louco por você. Meu coração deu um salto. — Você nem me conhece. — Eu te conheço. — a voz dele saiu firme, sem hesitar. — Te conheço desde a primeira vez que te vi na areia. E isso é o que importa. — Você é maluco. — repeti, mas a voz saiu fraca. Ele apertou meu queixo com os dedos, me obrigando a olhar nos olhos dele. — Quero você pra mim. A frase foi dita como se fosse a coisa mais natural do mundo. Como se não tivesse dúvida, não tivesse negociação. — O quê? — minha voz saiu quase um grito. — Você é louco! Eu nem te conheço! — Eu te conheço. — repetiu. — E é o que importa. — Você não sabe nem meu nome! — Luísa. — ele falou, e meu nome na boca dele soou diferente. — Luísa Martins. 23 anos. Formada em Design Gráfico. Mora em Copacabana. A melhor amiga é a Yasmin e a Laura. O Jonas é um chato que não sabe ficar no lugar dele. Sua mãe se chama Lúcia, seu pai se chama Carlos. Eu fiquei muda. Meus olhos arregalados. — Como você… — comecei, mas ele não deixou terminar. — Eu te conheço. — repetiu. — E te quero. A água balançava ao redor da gente, o sol já começando a descer no horizonte. Eu tava nos braços dele, com pouca roupa, o corpo colado no dele, e ele me dizendo que me queria. — Vem comigo. — ele falou. — Pra onde? — Pra minha casa. Minha respiração travou. — Onde você mora? — Não interessa. — a voz dele saiu grossa, mas os olhos brilhavam. — Só fala que vem. — Eu não vou pra casa de um desconhecido! — rebati, tentando manter a sanidade. Ele riu. A gargalhada ecoou no mar. — Depois de tudo que aconteceu, eu ainda sou um desconhecido? Abri a boca pra responder, mas ele se moveu. A boca dele encontrou a minha de novo. Dessa vez mais devagar. Mais exploradora. A língua dele pedindo passagem, e eu abri. Deixei. Me perdi. O mar balançava a gente, os corpos colados, o beijo se aprofundando. Eu sentia a língua dele na minha, a mão dele na minha nuca, os dedos enroscados no meu cabelo. Meu corpo inteiro ardia. Não era o sol. Era ele. Quando ele afastou, os dois ofegantes, ele encostou a testa na minha. — Vem. — sussurrou. Fechei os olhos. Meu coração batia descompassado. Minha cabeça rodando. Meu corpo inteiro pedia pra dizer sim. — Tô cansada. — falei baixo. — Da água. Ele me olhou. E sorriu. — Já chega. Continua...
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