Luisa Narrando Joguei o telefone de lado e encostei a cabeça na cadeira. Fechei os olhos. A respiração presa. A porta do quarto abriu de repente e eu me assustei. O coração disparou. — Sou eu, filha. — a voz da minha mãe veio suave. — Tá tudo bem? — Tá, mãe. — respondi, ainda ofegante. — Pra onde você vai toda linda assim? Ela sorriu. Vestido novo, batom vermelho, cabelo arrumado. — Eu e seu pai vamos ali no pagodinho. — ela disse, ajeitando a bolsa no ombro. — Você não quer ir? — Não, mãe. — respondi rápido. — Pode ir tranquila. Eu vou escovar os dentes, colocar um pijama e dormir. — Tem certeza? — ela insistiu, o olhar preocupado. — Tenho absoluta. — falei, forçando um sorriso. — Quantas vezes vocês já saíram e eu fiquei aqui? Vai em paz. Ela veio, me deu um beijo na testa. O

